Miguel Relvas defende em Maputo que CPLP deve estar aberta a todos

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Miguel Relvas defende em Maputo que CPLP deve estar aberta a todos

O ministro português adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, defendeu em Maputo que a Comunida-de de Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve estar “aberta todos”, numa referência à adesão da Guiné Equatorial como estado-membro da organização.

 “Temos que ser capazes também de evoluir a língua portuguesa e a lusofonia, que sempre foram universalistas. Sempre fomos capazes de nos abrir aos outros. Nunca nos fechámos aos outros”, disse Miguel Relvas, respondendo a uma questão da Lusa em Maputo sobre a candidatura da Guiné Equatorial à CPLP.

 O ministro português falou aos jornalistas no final de um encontro com o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, no último dia da sua visita de trabalho de cinco dias à capital moçambicana, que serviu para “fortalecer as relações entre Portugal e Moçambique e falar sobre a Cimeira da CPLP de Maputo em 2012”, que deverá decidir o processo de adesão da Guiné Equatorial.
A admissão da Guiné Equatorial, cujo país já detém o estatuto de observador associado da CPLP desde 2006, foi contestada por vários círculos na última cimeira da organização, em 2010 em Luanda.
 Na ocasião, 13 personalidades dos oito países lusófonos assinaram uma carta aberta em que se manifestaram contra a entrada da Guiné Equa-torial na CPLP, por conside-rarem que a admissão deste país africano, dirigido mais de 30 anos por Teodoro Obiang, será um “precedente inacei-tável” e levaria à “grave descredibilização” da organização.

 Em 2012, Moçambique irá assumir a presidência rotativa da CPLP na cimeira de Mapu-to, que deverá decidir sobre a adesão da Guiné Equatorial, um mandato que, segundo o ministro português, terá o “empenhamento e colaboração” de Portugal.
 “A nossa força é a nossa abertura. A nossa força é a visão que temos sobre o mun-do. Foi assim que foi construído Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau, Brasil, Angola e Timor-Leste. Fomos construídos a olhar para o mundo”, disse Miguel Relvas.

 Durante a presidência da CPLP, Moçambique “vai poder esperar empenhamento e colaboração” de Portugal, contudo “o mais importante é saber o que todos nós juntos podemos fazer pela CPLP que não fizemos até aqui”, disse o ministro português.
 “Temos todas as condições e todos nós temos que valorizar mais a CPLP do que aquilo que fizémos”, afirmou Relvas, lembrando que é preciso pôr os instrumentos disponíveis “ao serviço dos nossos povos, da nossa economia e cultura”

 “A questão cultural tem que estar sempre presente, pois, é o que nos une”, disse.
 A 17 de Novembro, o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, solicitou ao primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, que desenvolva “diligências” no sentido de que a Guiné Equa-torial passe a estado-membro da CPLP.
 Por sua vez, o primeiro-ministro português, que se encontrava naquele dia de visita a Luanda, disse que Portugal está “aberto a considerar o alargamento da CPLP, a quem dê mostras de partilhar também (…)”.

Pedro Passos Coelho referiu ainda que o Governo português está aberto a discutir e a analisar a situação da Guiné Equatorial, que, segundo o primeiro-ministro português, no espaço regional, tem uma importância muito relevante para a Língua Portuguesa.