Miguel Albuquerque quer reforçar entendimento da Madeira com Lisboa

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Miguel Albuquerque quer reforçar entendimento da Madeira com Lisboa

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou na segunda-feira que pretende “reforçar os canais de entendimento” com a República, dissipando mal-entendidos e para reforçar a credibilidade do arquipélago no continente.

 “Vamos manter e reforçar os canais de entendimento com o Governo da República na defesa firme e inteligente dos direitos dos madeirenses e porto-santenses”, declarou Miguel Albuquerque após a tomada de posse do novo executivo madeirense no sa-lão nobre do Parlamento re-gional repleto de convidados.

 O novo governante insular acrescentou que este tipo de relacionamento visa “dissipar de uma vez por todas mal entendidos” com a República e “reforçar a notoriedade positiva e a credibilidade” da Madeira em todo o País.

 “Seremos imunes a pressões ilegítimas ou a interesses sectoriais que desvirtuem o nosso dever perante a ‘res publica’”, sublinhou o chefe do executivo madeirense que sucede a Alberto João Jardim, o social-democrata que governou a Madeira durante quase quatro décadas e que segunda-feira marcou presença nesta cerimónia de investidura do XII Governo Regional.

 Albuquerque insistiu na total disponibilidade do novo governo regional para “estabelecer pontes de diálogo”, argumentando ser necessário ter “humildade de ouvir os outros”.

 “Mas ninguém duvide da nos-sa determinação férrea de tomar as decisões necessárias ao bem comum”, rematou.

 O presidente do governo também salientou que não terá “receio em tentar estabelecer consensos com a oposição em matérias vitais e estruturais para o futuro da Madeira”.

 Reafirmou o compromisso do novo executivo de “tudo fazer para dignificar” a Assembleia Legislativa e de “cumprir integralmente” as promessas feitas ao eleitorado.

 Miguel Albuquerque defendeu ainda ser necessário “simplificar a linguagem política” e deixou uma mensagem de esperança às famílias que vivem o drama do desemprego, aos jovens que precisam de emigrar, aos pais que têm problemas para cuidar dos filhos e aos idosos que enfrentam vá-rias dificuldades.

 “Não basta dar respostas convencionais. Nem muito menos discursos demagógicos carregados de promessas”, disse, assegurando que o seu governo “não deixará de intervir na correção das desigualdades e na construção diária da coesão social”.

 O governante realçou que logo após a apresentação do programa do executivo, encetará a concretização dos compromissos” assumidos com os madeirenses.

 Aproveitando a presença na cerimónia do ministro da Presidência e Assuntos Parlamentares, Luis Marques Guedes, em representação do Governo da República, Albuquerque apontou ser preciso “continuar a resolver assuntos essenciais para a vida dos madeirenses”.

 “Para nós a autonomia política do arquipélago é uma conquista irreversível da nossa democracia” que tem “enorme potencial”, vincou, admitindo que existiram “inevitáveis erros de percurso”.

 

* Albuquerque reconhece papel histórico de jardim

 

 No seu discurso, Albuquerque cumprimentou Jardim, declarando ser “inegável reconhecer o seu papel histórico na implantação da autonomia e desenvolvimento da região” e destacou que “a História fará justiça ao desempenho e à obra em prol dos madeirenses”.

 O novo governante insular concluiu recordando uma expressão usada por Alberto João Jardim quando tomou posse em 1978 [“A Madeira será o que os madeirenses fizerem”], declarando: “Temos o poder de fazer da nossa Madeira o que quisermos, mas apenas se tivermos a coragem de construir todos os dias um novo começo”.

 

* Novo governo da Madeira está já a preparar orçamento rectificativo

 

 O novo secretário das Finan-ças e da Administração Públicas do executivo madeirense disse na quinta-feira que está a trabalhar na elaboração de um orçamento retificativo para apresentar na próxima semana na reunião do Conselho do Governo Regional.

 “Já estamos também a trabalhar num orçamento rectificativo. Presumo que na próxima semana já apresentarei no Conselho de Governo, para discussão, as linhas gerais do que poderá ser esse orçamento rectificativo”, afirmou Rui Gonçalves aos jornalistas, à margem do seu primeiro acto oficial depois da posse do XII Governo Regional da Ma-deira que aconteceu dia 20.

 Falando na inauguração das novas instalações do balcão da companhia de seguros Lusitânia, no Funchal, o governante insular referiu que este será um “orçamento minima-lista, apenas para ajustar as dotações orçamentais à nova orgânica do Governo” da re-gião que foi aprovada no primeiro conselho do governo madeirense que decorreu na terça-feira.

O titular da pasta das Fi-nanças do novo executivo insular, agora iderado pelo social-democrata Miguel Albu-querque, que sucedeu a Alberto João Jardim, adiantou que “só em outubro” é que o Governo começará a trabalhar num orçamento próprio, para entrar em vigor em janeiro de 2016, que deverá ser apresentado no parlamento da Madeira em novembro.

 “Aí sim, haverá naturalmente uma redefinição daquilo que são as dotações orçamentais, também em função do que for a reorientação das políticas públicas que cada um dos membros do Governo está neste momento a estudar para depois implementar”, salientou Rui Gonçalves.

 O político destacou que é necessário “garantir que haja dinheiro para que as outras secretarias possam desenvolver as suas actividades e competências na área da saúde, da educação, no apoio à economia".

 Contudo, Rui Gonçalves destacou que algumas vezes poderá ter de “dizer não, porque de facto não há possibilidade de fazer algumas coisas, que até podem ser boas ideias, mas depois não há dinheiro para fazer”.

O secretário regional sublinhou que o governo regional tem de “cumprir com todos os nossos compromissos”, argumentando que é preciso ter “uma gestão muito rigorosa”.

 “Temos que gerir muito bem os nossos recursos e aqueles novos compromissos que assumirmos têm de ser os que tenhamos a certeza de que temos meios para os pagar", vincou.

 Rui Gonçalves é o secretário regional das Finanças e Administração Pública do XII Governo Regional da Madeira que resultou das eleições legislativas antecipadas que se realizaram nesta região a 29 de março, substitui Ventura Garcês, tendo desempenhado as funções de director regio-nal do Tesouro no anterior executivo insular.