Matilde Abreu diz que morte do marido é dos momentos mais tristes da família na África do Sul

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A esposa de José Abreu disse hoje que a morte do empresário português na África do Sul é dos momentos mais tristes da família e destacou o seu percurso enquanto homem “responsável e amigo”.

Em declarações pelo telefone ao Século Online, Matilde Abreu destacou o percurso de 54 anos de José Abreu na África do Sul e recordou os bons tempos que tiveram, considerando a melhor memória “tudo o que ele fez pela família”.

“Era um bom pai, um bom marido, um bom patrão e um bom amigo, são essas as memórias que guardo dele”, declarou ao Século Online da sua residência em Joanesburgo.

Matilde Abreu afirmou que o empresário português, hospitalizado há cinco dias, morreu este sábado no hospital Netcare Mulbarton, em Johannesburg South, aos 78 anos, vítima de doença prolongada.

“Foi esta manhã, às 5:45, hora local, no Mulbarton Hospital onde estava hospitalizado desde segunda-feira”, declarou.

“Há três anos que fazia hemodiálise, foi internado com uma pneumonia e o coração estava muito fraquinho, por isso suspeitamos que tenha sido um AVC [Acidente Vascular Cerebral], segundo disse o médico de manhã”, adiantou.

Matilde Abreu referiu que o marido esteve também isolado por 24 horas no centro hospitalar, após ter sido submetido ao teste da covid-19 que se revelou negativo.

“Não [foi do vírus], porque ele até fez o teste e não estava afectado, e o médico até o isolou por um dia num quarto, mas deu negativo”, salientou.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da doença respiratória covid-19, já infectou mais de mil pessoas na África do Sul e causou duas mortes na província do Cabo Ocidental, sudoeste do país, segundo as autoridades da Saúde.

O Governo sul-africano decretou um recolher obrigatório de 21 dias, em vigôr desde as 00:00 de sexta-feira, e adotou medidas excepcionais, incluindo o encerramento de fronteiras e a proibição de funerais com mais de 50 pessoas.

“Neste momento estou de pernas e mãos amarradas que nem sequer posso viajar para a Madeira”, salientou Matilde Abreu, acrescentando que a família realizará o funeral na África do Sul mediante as restrições decretadas pelas autoridades sul-africanas no âmbito do confinamento obrigatório em vigôr até 16 de Abril.

“Ele queria ser cremado aqui e que eu levasse as cinzas para a Madeira, para junto da mãe, Patrocínia de Jesus Abreu, que morreu em 25 de Abril de 1974, com 52 anos, em São Martinho do Funchal”, adiantou Matilde Abreu.

José João Abreu era proprietário da Main Standard Garage, em Rosetenville, sul de Joanesburgo, desde 1969, para onde imigrou em 26 de Agosto de 1966.

Nascido em 1942, na freguesia de Santo António do Funchal, na Região Autónoma da Madeira, o empresário deixa duas filhas, Sandra Abreu e Luísa Fernandes, e três netos, Joshua, Velentina e Giuliana, referiu a esposa.

No ano passado, José Abreu celebrou com o semanário Século de Joanesburgo os 50 anos da sua oficina na capital económica da África do Sul, onde ficou conhecido como um homem de “grande generosidade” que contribuiu de “forma imensa” em projetos de solidariedade da Comunidade Portuguesa neste país, sublinhou Carlos Silva, repórter fotográfico do Século de Joanesburgo.

“Era um homem muito bom, de grande coração que ajudava sempre e a mulher ainda hoje ajuda”, salientou.

A oficina de José Abreu, hoje sob a gestão do sobrinho Gabriel da Silva, é um marco da Comunidade Portuguesa na economia de Joanesburgo.

 

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