Mariza actua nas celebrações dos 50 anos da União Portuguesa em Joanesburgo

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Mariza

MarizaMariza “a Diva do Fado” é o ponto alto das comemorações do 50.º Aniversário da União Cultural, Recreativa e Desportiva Portuguesa. A efeméride tem um programa polivalente que abre na primeira quinta-feira de Março com a realização do Dia de Golfe, às 12 horas no Reading Country Club, em Alberton.

 No sábado 6 de Março as celebrações prosseguem com um dia dedicado ao futebol, jogando às 13 horas a União Portuguesa contra a Wits (equipa B) e às 15 horas  União Portuguesa contra a equipa principal da Wits para a disputa do “Troféu 50.º Aniversário”.
 Às 16 horas haverá entrega de prémios, divertimentos diversos, petiscos e bebidas.

 Na sexta-feira 11 de Março (data da fundação da União Portuguesa) a consagrada artista Marisa brindará o público com uma Noite de Fados no Big Top Arena no casino de Carnival City, espectáculo com início às 20 horas e 30 minutos.
 Para mais informações contactar a Secretaria da União Portuguesa pelo telefone 011 434 1897. Entretanto regista-se que, oportunamente, a União irá informar quando o Computicket irá ter à venda os ingressos para a Noite de Fados com Mariza.
 As comemorações do meio século de existência unionista prosseguem no dia seguinte, sábado 12 de Março, com uma Noite para a Juventude no pavilhão da colectiividade em Turffontein. O espectáculo começa às 20 horas com o conjunto musical 8th Avenue. Às 21 horas actuará uma das bandas de topo sul-africanas “Prime Circle”.

 Às 22 horas e 45 minutos exibição da dupla campeã mundial de dança Victor e Katia.
 A noite da juventude terá música de discoteca para dançar a partir das 23 ho-ras, com o DJ Marco.
O encerramento dos festejos será no sábado 19 de Março, às 20 horas, com o Jantar de Gala no Salão Nobre Fernando Pessoa, com entrega de certificados aos sócios que mais se distinguiram ao serviço da colectividade.

NATURAL DE MOÇAMBIQUE

 De seu nome completo Mariza Reis Nunes, nasceu a 16 de Dezembro de 1973 em Lourenço Marques (actual Maputo, Moçambique), de pai português, José Brandão Nunes, e mãe moçambicana, Isabel Nunes. Nasceu prematura, de seis meses e meio sem qualquer justificação clínica aparente, e, segundo declarações da cantora à televisão SIC, o pai considerava-a o bebé mais feio que alguma vez vira. “Ainda tinha as orelhas coladas e os olhos por abrir” e o próprio pai pensou que não soobreviveria. Mas tal não aconteceu.

 Ao colo da mãe, com três anos, chegou ao Aeroporto da Portela em Lisboa, pela primeira vez em 1977. Na capital moçambicana, o pai conservara por vários anos o confortável emprego de chefe de armazém numa empresa de electrodomésticos portuguesa. O pai, com a família mais chegada, teve de deixar Moçambique, com a eclosão da guerra, tendo escolhido Lisboa para recomeçar uma nova vida. Instalaram-se em Corroios e, mais tarde no n.º 22 da Travessa dos Lagares. Reabriu em 1979 o restaurante Zalala no bairro típico de Lisboa, Mouraria, onde morou a Severa, a primeira fadista reinventada na voz de Mariza já com a sua imaginativa versão de “Há Festa na Mouraria”. Zalala, hoje fechado, o restaurante on-de Mariza cresceu, homenageia uma famosa praia moçambicana do litoral da Província da Zambézia.

 A par da tradição fadista, o pai de Mariza resolveu re-alizar semanalmente umas tardes de fado no restaurante, já que também adorava o género musical. Foi precisamente a figura do pai que determinou o gosto da cantora pelo fado. Se-gundo ela, o pai estava “sempre a ouvir fado e, na hora das refeições, nunca se via televisão, ouvia-se discos, sempre de fado”.

 É interessante referir que os fadistas Fernando Farinha, Fernando Maurício, Amália Rodrigues eram os artistas predilectos do seu pai, e foram os que mais influenciaram a forma de cantar de Mariza. Aos cinco anos de idade recebeu o seu primeiro xaile e começou então a moldar a voz que a tornou famosa. Sobre o estabelecimento onde aprendeu a cantar o fado e onde actuou pela primeira vez aos cinco anos, Mariza referiu:
 “Foi aqui que toda a his-tória começou. Se calhar é aqui que vai acabar. Tudo pode acontecer de repente, tal como começou, e eu volto à minha Mouraria e à taberninha dos meus pais para serviir dobradinhas e copos de vinho que não me chateia nada!”

 Recorda-se que o primeiro fado que interpretou no Zalala foi “Os Putos”. José Nunes ensinou a letra da canção à filha fazendo desenhos em toalhetes de papel. Ainda a menina não sabia ler, e era a forma de decorar os fados preferidos pelo pai, assim como “Cheira bem, cheira a Lisboa” e “A menina das tranças pretas”.
 Aos sete anos, convidada por Alfredo Marceneiro Júnior, filho de Alfredo Mar-ceneiro, actua no palco do restaurante Adega Machado, sendo esta a sua es-treia numa casa de fados. A casa viria a significar bastante para a aprendizagem de Mariza, que contou nesse processo com fadistas como Maria Amélia Proença e outros.

 Enquanto adolescente e até se assumir como fadista cantou diversos géneros musicais como pop, gospel, soul e jazz.
 Marisa cantava regularmente num bar da Madra-goa, o “Berimbar”, cuja proprietária é a mãe do seu companheiro, João Pedro Ruela. O “Berimbar” nasceu em 1985. Ainda hoje o bar “Berimbar” é um espa-ço calmo com música escolhida pela sua proprie-tária, Maria Cristina Alves, em sintonia com o ambiente do bar. No final do concerto no Pavilhão Atlântico (Novembro de 2007), foi nesse bar que Mariza reuniu os seus melhores amigos para uma agradável ceia organizada pela sua “sogrinha”, que é como carinhosamente trata a mãe do seu companheiro, mentor e empresário João Pedro Ruela. Ali se pode apreciar um dos discos de ouro que Mariza ganhou nos primeiros anos da sua carreira artística.

 Assinala-se que Mariza é a única fadista portuguesa até hoje a integrar os concertos do Live 8 e a primeira a ser nomeada para um Grammy Latino, o qual perdeu para Los Gaiteros de S. Jacinto, da Colômbia.

 O seu concerto para milhares de pessoas no Royal Allbert Hall consagrou-a como cantora, e tornou-se uma das vozes portuguesas mais internacionais, presença regular em palcos como o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, o Lobero Theater, em Santa Barbara, a Salle Pleyel, em Paris, ou a Ópera de Sidney. Para o jornal britânico “The Guardian” a fadista é “uma diva da música do mundo”. Mariza tem prestado com a sua arte relevantes serviços a Portugal.