Mariza a “Diva do Fado” actua na festa dos 50 anos da União Portuguesa

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MarizaA União Cultural, Recreativa e Desportiva Portuguesa celebra a data histórica de 50 anos de existência com um programa polivalente que inclui actividades desportivas já esta semana, nomeadamente na quinta-feira 3 de Março o Dia de Golfe, com início às 12 horas, no Reading Country Club, em Alberton; no próximo sábado, 5 de Março, dia dedicado ao futebol, com jogos entre a União Portuguesa e a equipa “B” da Wits, e entre as equipas principais.

  O ponto alto das comemorações será no próprio dia da fundação do clube, a 11 de Março, sexta-feira, com início às 20 horas e 30 minutos, no Big Top Arena de Carnival City, Noite de Fados com Mariza.
  No dia seguinte, sábado 12 de Março, espectáculo para a juventude em especial, com a banda de topo sul-africana “Prime Circle”, em concerto ao ar livre no recinto da sede da colectividade aniversariante, Esatwood Street, em Turffontein, com a participação, também, do conjunto musical “8th Avenue” e música do DJ Marco.

  Ambos os espectáculos estão a ser aguardados com grande entusiasmo, em especial a Noite de Fados com Mariza, a “Diva do Fado”.
  “Tu cantas diferente”, disseram-lhe em miúda. Achou que era mau e largou o fado até, diz, sentir que era onde tinha de estar e que, fosse a diferença boa ou má, tinha de ser – assim começa um texto da jornalista Fernanda Câncio.

  “Calhou à moçambicana Mariza estar em Moçambique, integrada na comitiva da visita oficial do primeiro-ministro na semana em que foi eleita pelos leitores do DN/Diário de Notícias (de Lisboa) como uma das cinco mulheres mais influentes de Portugal. Faz sentido: Mariza, a fadista africana, de pele mulata e cabelo louro branco, terá sido também escolhida pelo seu perfil simbólico, de fusão de tempos e culturas, de tradição e modernidade, como enviada especial ao mundo da cultura portuguesa. E ao contrário, ou não estivesse classificada nos escaparates como world music, um epíteto criado pelas discográficas para os catálogo etnográficos e cuja ironia – chamar mundo ao que é especifoicamente local – se esbate na tendência de fusão que neles se verifica. Uma fusão que mais não faz de resto que reencontrar as origens, reinventando-as – como faz Mariza ao integrar nelas as semelhanças e as ligações com a sua canção”.

  Mariza Reis Nunes nasceu a 16 de Dezembro de 1973 na antiga Lourenço Marques, capital de Moçambique, filha de pai português, José Brandão Nunes, e mãe moçambicana, Isabel Nunes.
  É interessante observar, na trajectória artística de Mariza, que, enquanto adolescente e até se assumir como fadista cantou diversos géneros musicais pop, gospel, soul e jazz.

  Foi na Lapa, uma das mais típicas casas de fado de Lisboa, o “Sr, Vinho”, propriedade de Maria da Fé, uma das mais conhecidas fadistas, e de José Luís Gordo, que Mariza começou a cantar profissionalmente. “Maria da Fé foi praticamente a professora dela aqui”, segundo Jsoé Luís Gordo, que chegou a escrever dois fados para a intérprete. A primeira música que cantou em público foi “Povo que lavas no rio”, a “música-ícone” do fado, poema de Pedro Homem de Mello. Recebendo cerca de 50 euros por noite, ali se manteve cerca de um ano.
  O director de animação da discoteca Rock City foi convencido a ir assistir ao Xafarix uma dita banda que fazia sucesso, os Vinyl. João Pedro Ruela (que viria a ser companheiro, mentor e empresário de Mariza) confessou que não gostou muito do grupo ao princípio, nem da sonoridade. Contudo, a sua inserção nas noites de Rock City foi um êxito, e João Pedro acabou por convidá-los a retornar a cantar no espaço. Mariza e João Pedro começaram a estreitar relações até que, em 1997, em conjunto formaram uma banda, os “Funkytown”.

  Cantou também no Café Café, propriedade de Herman José, o “Jay-Leno português” e nome maior do humor em Portugal. Inicia o namoro com Pedro Ruela, que mais tarde se tornaria ser esposo, manager e percussionista.
  Por estranho que pareça, antes da sua chegada ao grande público, Mariza já se estava a internacionalizar. Em 1998 tem a sua primeira internacionalização a convite da Caixa Económica Luso-Belga, para uma actuação em Bruxelas. Seguiu-se Amesterdão. Em entrevista à SIC, a cantora admitiu que tudo aquilo (um “tudo aquilo” que na altura representava salas pequeníssimas com cinquenta lugares sentados no máximo) lhes parecia estranho e alvo de desconfiança.

  Foi em 1999 que chege finalmente ao grande público pela mão de Filipe La Féria, que a integrou na lista de cantores que homenageariam Amália Rodrigues num espectáculo no Coliseu de Lisboa (e depois no Coliseu do Porto), transmitido em directo pela TVI. Entre as músicas que cantou estava “Oiça lá, ó Sr. Vinho”, malhão que se tornou um dos ritmos mais conhecidos de toda a sua discografia e que, mais tarde, viria a interpretar no programa Hermam SIC, apresentado pelo seu amigo Herman José.

  “Fado em Mim” – Primeiramente perspectivado para ser somente uma edição privada, feita por insistência de João Pedro Ruela, acabou por ser editada em 32 países. As editoras discográficas portuguesas rejeitaram a gravação dos álbuns de Mariza. No entanto, uma editora holandesa, a World Connection, decidiu apostar na fadista editando o seu primeiro disco em vários países.

  Num concerto em Bruxelas, Albert Niljmolen, presidente da World Connection, conheceu Mariza. Daí surgiu uma amizade e um contrato de edição de discos, o que se tornou igualmente proveitoso para a editora, até então, uma ilustre desconhecida. Actualmente, a editora tem contrato firmado também com Sara Tavares. Começando a realização do trabalho discográfico em 2001, no ano seguinte Mariza viu o seu primeiro álbum, “Fado em Mim” editado, CD que obteve quádrupla platina em Portugal.