Maria Ramos fez avaliação da economia sul-africana em sessão da SAPCC em Joanesburgo

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Maria Ramos fez avaliação da economia sul-africana em sessão da SAPCC em Joanesburgo

Na quinta-feira, 10 de Novembro, decorreu no Wanderers Club, em Illovo, numa iniciativa da SAPCC – South African Portuguese Chamber of Commerce – uma sessão com Maria Ramos, a actual administradora do banco ABSA da África do Sul.

 Na sua intervenção, Maria Ramos afirmou que a África do Sul tem feito um excelente trabalho, ao passar de uma situação de permanente crise em 1994, para uma de objectivos conseguidos e, até certo ponto, estabilidade.

 “A nossa Constituição, uma das mais progressistas – se não mesmo a mais progressista – do Mundo, tem-nos guiado durante anos e através das várias crises e “tempestades” que o país e o Mundo atravessaram.”

 Ramos afirmou também que as decisões que são tomadas hoje irão refecltir-se no futuro próximo e possibilitarão ou não, a realização dos sonhos e objectivos das mais jovens gerações de sul-africanos actuais.

 Falou na disciplina fiscal, na reestruturação das leis de crédito e do processo de atribuição de crédito, que levou a que, aquando da crise económica global de 2008, conhecida por “Global Credit Crunch”, a África do Sul tivesse resistido e conseguisse continuar com o seu investimento e crescimento.

 Neste ponto, aludiu ao Mundial de Futebol 2010 na África do Sul, com a construção de estádios e infraestruturas. O que em torno criou empregos e fomentou positivamente a economia, ao mesmo tempo que infundiu na população um positivismo que não se via desde as primeiras eleições democráticas e livres na África do Sul.

 Ainda segundo Ramos, este processo todo que culminou no Mundial 2010, possibilitou e deu ao país uma nova plataforma sobre a qual o país iria operar.

 Maria Ramos atestou ainda a que o Mundo, bem como a África do Sul, não recuperaram por completo dessa crise financeira e, no que se refere ao país, Ramos falou na falta de implementação de disciplina fiscal e na imposição de políticas e legislação que ajude à recuperação e ao crescimento económico.

 No último ano, a África do Sul perdeu trezentos e cinquenta mil empregos o que acarreta mais pressão e “peso” sobre a população que está empregada. Com isso, a consequência negativa que se vê na sociedade sul-africana, é o aumento do crédito malparado, devido às falhas de pagamentos por falta de recursos financeiros.

 Outras consequências negativas da frágil situação económica, é o aumento dos protestos violentos, mais recentemente nas Universidades em todo o país.

 “O Banco Central sul-africano previu para este ano um crescimento de 0% e para o ano, apenas 1,7%. Assim, a economia tem dificuldades em ganhar embalagem, o que não permite dar à população ajudas e regalias.” 

 Sobre o actual ministro das Finanças, Pravin Gordhan, Maria Ramos afirmou que “está a fazer e fez um excelente trabalho. Tem tentado arranjar um equilíbrio saudável entre o corte nas despesas do Estado e o investimento que este tem que fazer e todos estes esforços estão a ser levados em conta pelas agências de notação financeira”, declarou Ramos.

 “Estamos a desenvolver iniciativas para encurtar distâncias e ajudar aos financiamentos, para podermos alavancar a economia nacional, mas não é uma tarefa que é feita do dia para a noite”, afirmou a responsável do ABSA.

 O lado positivo, segundo Maria Ramos, é que o Governo tem dado passos para reduzir a burocracia e ajudar as pequenas e médias empresas, o sector privado, que é onde são gerados postos de trabalho e de onde provém o crescimento económico.

 Por fim, aludiu ainda à responsabilidade que o país tem perante o legado de Nelson Mandela, ao ter que oferecer à população uma liderança forte e capaz, que ajude a encontrar soluções concertadas para o investimento e crescimento. Referências sociais que não sejam manchadas por corrupção e falhas constantes.

 Quanto à economia mundial, afirmou que situações como o “Brexit”, a eleição de Donald Trump para a Casa Branca e factores como a desaceleração económica da China e India, levam a que sejam âncoras ao progresso e crescimento. Ressalvou, no entanto, que estão previstos períodos de forte crescimento e acredita Maria Ramos que a África do Sul se irá sair bem no futuro, a médio e longo prazo.

 A sessão terminou com algumas perguntas e respostas, às quais a administradora bancária respondeu amavel e informativamente.

 Foi-lhe entregue pelas mãos de Cláudia Moreira, membro da Direcção da South African Chamber of Commerce (SAPCC) uma lembrança pela sua contribuição naquele serão. Algo que não acontecia há mais de vinte anos, uma intervenção de Maria Ramos na Comunidade Portuguesa, tal como elucidou Tony de Gouveia, membro da Direcção da SAPCC que abriu a sessão.

 Finda a palestra, no exterior da sala, houve convívio e “networking” entre os presentes, ao sabor de bebidas e canapés.