Marcelo salienta Portugal país resistente às crises, aos erros e às fragilidades e sem complexos na sua História

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O Presidente da República salientou na segunda-feira que Portugal está a menos de três décadas de comemorar 900 anos como nação independente e defendeu que os portugueses são resistentes e não têm complexos em relação ao seu passado.

 Esta mensagem foi transmitida por Marcelo Rebelo de Sousa nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Portalegre, perante os titulares dos diferentes órgãos de soberania nacionais, entre eles o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, mas que também foi escutada pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca.

 Antes de partir para Cabo Verde, onde prosseguiram as comemorações do 10 de Junho, o Presidente da República lembrou que “faltam menos de três décadas” para Portugal completar 900 anos de existência.

 “Não há muitas nações do mundo assim. Resistimos à perda da independência, re-sistimos às crises económicas, financeiras, políticas e sociais, resistimos aos erros e fragilidades – e não só sobrevivemos como queremos apostar no futuro”, sustentou o Presidente da República.

 De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, os portugueses recordam o seu passado sem qualquer atitude complexada – aqui, num recado para algumas correntes internas mais críticas ao nível da interpretação histórica, designadamente no que respeita ao período colonial.

 “Não temos complexos quanto ao nosso passado – todo ele, o melhor ou o pior. Todo ele foi Portugal e honramo-nos daquele passado – e foi muito, e foi essencial, e foi decisivo, mais dignificando a nossa História”, disse.

 No seu discurso, o Presidente da República retomou a ideia de “território espiritual” ao referir-se aos portugueses que vivem fora das fronteiras físicas do país e deixou um apelo para futuro: “sermos cada vez mais uma comunidade de pertença, de inclusão, que permita a realização da felicidade de cada um”.

 “Nessa medida, [que sejamos] uma plataforma entre culturas, civilizações, oceanos e continentes. Que esse futuro preserve a nossa identidade nacional, a nossa abertura ecuménica aos outros, mas também nos obrigue a uma maior capacidade para anteciparmos as mudanças, para reforçarmos o orgulho de sermos portugueses – a começar nas crianças, a continuar nos jovens e a terminar em todos os portugueses, que têm direito a um futuro melhor”, declarou.

 O chefe de Estado manifestou então a esperança de que esse futuro de Portugal seja “muito mais justo, muito mais solidário, muito mais humano do que o passado que honramos e o presente que construímos”.

 “E vai sê-lo, tenho a certeza, porque acredito, porque nós acreditamos em Portugal”, completou.

 Outra ideia frisada por Marcelo Rebelo de Sousa foi a de “uma só pátria na diversidade dos portugais que a formam cá dentro”.

 “Uma só pátria na riqueza dos portugais que as nossas comunidades criam lá fora. Uma pátria irmã de muitas outras pátrias que, connosco, partilham uma comunidade de língua e de pessoas. Uma só pátria na diversidade dos portugais que a formam cá dentro”, acentuou, antes de elogiar a cidade de Portalegre.

 No entanto, neste capítulo, o Presidente da República voltou a deixar um alerta sobre “os portugais esquecidos” e defendeu um compromisso “em relação aos portugueses e portuguesas que resistem à distância física e política”.

 “São cidadãos que não renunciam a ser cidadãos de primeira, tão de primeira como aqueles que nasceram, viveram e morreram nas metrópoles onde mais depressa têm a sua sede os poderes públicos. Um 10 de Junho em Portalegre não acaba no dia 10 de junho, tem de ser mais do que um rito de passagem, mais do que uma conveniência de ocasião. Tem de ser um compromisso de futuro para com esta terra e para com esta gente”, acrescentou.

 

* PR considerou “excepcional” comemoração em Portalegre

 

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou “excepcional” a comemoração do Dia de Portugal, em Portalegre, sublinhando que se “sente” que os habitantes daquela região alentejana querem ficar mais próximos dos “outros ‘portugais’”.

 “Foi excepcional, porque se sente que os portalegrenses e as portalegrenses querem ficar mais próximo dos outros ‘portugais’ e o 10 de Junho não pode acabar por hoje. Foi muito caloroso”, disse.

 O chefe de Estado, que falava aos jornalistas em Portalegre, antes de partir para Cabo Verde, onde prosseguiram as comemorações do 10 de Junho, enalteceu ainda o discurso “irreverente” do presidente das Comemorações do Dia de Portugal em 2019, João Miguel Tavares

 “Foi muito bom, foi aquilo que eu previa, foi para isso que foi convidado. É uma voz nova, é uma nova geração e uma geração irreverente, uma voz irreverente, é isso que precisamos”, defendeu.

 

* Marcelo, Costa e Jorge Carlos Fonseca chegam juntos no mesmo avião a Cabo Verde

 

 

 O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, chegaram juntos, no mesmo avião, a Cabo Verde, para prosseguir as comemorações do Dia de Portugal.

 “A partir deste momento, as comemorações são em Cabo Verde”, declarou Jorge Carlos Fonseca, à chegada à Cidade da Praia, considerando “uma grande honra” que o Estado português tenha decidido co-memorar o seu dia nacional em território cabo-verdiano.

 O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, também no mesmo Falcon da Força Aérea Portuguesa, que aterrou segunda-feira no Aeroporto Internacional Nelson Mandela perto das 17:40 locais (19:40 em Lisboa).

 Num outro avião Falcon, que chegou praticamente à mesma hora, viajaram outros integrantes da comitiva oficial destas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Cabo Verde, que decorreram entre segunda e terça-feira, divididas entre as ilhas de Santiago e de São Vicente.

 As comemorações do 10 de Junho tiveram início em Portalegre, onde Jorge Carlos Fonseca também esteve, na manhã de segunda-feira, a assistir à cerimónia militar, na qual, simbolicamente, houve uma representação das Forças Armadas de Cabo Verde.

 Em breves declarações no aeroporto, com Marcelo Rebelo de Sousa ao seu lado, o Presidente de Cabo Verde falou numa “grande cumplicidade entre os dois países”, acrescentando: “O relacionamento é excelente. Há uma grande sintonia quanto a valores essenciais, a visão que temos do mundo, entre responsáveis políticos portugueses e cabo-verdianos”.

 Em seguida, o Presidente português concordou que existe “convergência que, sendo de princípios, de valores, como foi dito, é antes do mais de pessoas”.

 “Nós gostamos muito uns dos outros, nós damo-nos muito bem. Muito obrigado, senhor Presidente, por nos receber aqui”, afirmou, dirigindo-se para o seu homólogo cabo-verdiano.

 Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, as comemorações do 10 de Junho em Cabo Verde representam “um duplo encontro, um encontro de Portugal com as portuguesas e os portugueses da diáspora” na “pátria irmã de Cabo Verde” – que são, no total, cerca de 21 mil, espalhados por várias ilhas – “e, ao mesmo tempo, um encontro entre Cabo Verde e Portugal”.

 “Estamos espalhados pelo mundo em diásporas que quase se sobrepõem: onde existe um cabo-verdiano existe um português, onde existe um português, existe um cabo-verdiano. E é assim há muito, muito tempo”, referiu.

 Em Cabo Verde, além do Presidente da República e do primeiro-ministro, estiveram os ministros da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e os deputados Feliciano Barreiras Duarte, do PSD, Carlos Pereira, do PS, Maria Manuel Rola, do BE, Pedro Mota Soares, do CDS-PP, e João Dias, do PCP.

 Em 2016, ano em que tomou posse como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa lançou um modelo inédito de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, acertado com o primeiro-ministro, em que as celebrações começam em território nacional e se estendem a um país estrangeiro com comunidades emigrantes.

 Nesse ano, o Dia de Portugal foi celebrado entre Lisboa e Paris. Em 2017 as comemorações foram no Porto e nas cidades brasileiras do Rio de Janeiro e São Paulo. E em 2018 dividiram-se entre Ponta Delgada, nos Açores, e as cidades de Boston, Providence e New Bedford, na Costa Leste dos Estados Unidos da América. Neste ano, decorreram em Portalegre e em Cabo Verde.