Marcelo ficará “mais aliviado” quando o Orçamento para 2017 for aprovado no Parlamento

0
42
Marcelo ficará "mais aliviado" quando o Orçamento para 2017 for aprovado no Parlamento

O Presidente da República disse na quarta-feira que vai ficar “mais aliviado nas suas preocupações”, relativamente à economia e finanças do país, quando o Orçamento do Estado para 2017 estiver concluído e aprovado na Assembleia da República.

 “Quando estiver pronto o Orçamento para 2017 e passar no Parlamento, o Presidente fica mais aliviado nas suas preocupações relativamente à economia e às finanças do país e em relação ao que tem de fazer de empenhamento até externo em relação ao Governo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

 O Chefe de Estado proferiu estas declarações num balanço da segunda ‘edição’ da iniciativa “Portugal Próximo”, que decorreu em Trás-os-Montes, a bordo de um barco, em viagem pelo rio Douro, junto ao Pocinho, no distrito da Guarda.

 Durante três dias, Marcelo Rebelo de Sousa visitou três distritos, instituições de investigação e de ensino superior, museus, equipamentos desportivos, culturais e empresas. Numa fábrica fez uma analogia entre o cogumelo grande e o pequeno, o Presidente da República e o Governo e a solidariedade institucional para “aguentar o Governo por uns tempos”.

 Questionado sobre o que queria dizer com esta analogia, respondeu que aproveitou para falar sobre a solidariedade institucional “porque havia um cogumelo grande e outro um bocadinho mais pequeno, mas também importante e ali o cogumelo grande é que servia de apoio ao mais pequeno [o Governo]”.

 “Ocorreu-me como é importante a posição do Presidente relativamente ao Governo quando tem que enfrentar dificuldades”, referiu.

 E porquê por “uns tempos”? “Eu espero que não se justifique em termos económicos e financeiros haver estas dificuldades e estes debates que tem havido nos últimos tempos sobre as consequências dos défice de 2015, o ano de 2016, a preparação para 2017”, referiu.

 O Presidente da República referiu ainda que “esta é uma situação que exige o acompanhamento atento”.

 “Mas não é que eu esteja especialmente angustiado”, acrescentou.

 Até porque, salientou que os “factos que têm ocorrido, têm ocorrido todos da maneira como se tinha pensado” e a “angústia surge quando há factos inesperados”.

 Marcelo brincou com os microfones dos jornalistas para explicar que o “Presidente está rigorosamente ao centro”.

 “Vejam que o Presidente tão depressa é recebido por pre-sidentes da câmara de direita como de esquerda e tão depressa está atento àquilo que faz o Governo como àquilo que diz a oposição e a preocupação é estar rigorosamente no centro da vida política portuguesa”, frisou

 Em três dias de “Portugal Próximo”, Marcelo Rebelo de Sousa passou pelos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda, por 11 concelhos e participou em 15 iniciativas.

 

* Passos Coelho não vê fundamento para que CGD precise de quatro mil milhões de euros

 

 Passos Coelho disse ontem, em Ansião, distrito de Leiria, que não vê "fundamento nenhum" para que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) precise de uma injecção de quatro mil milhões ou cinco mil milhões de euros.

 O antigo primeiro-ministro frisou que sabe "razoavelmente o que se passa" nas instituições financeiras, não vendo por isso "nenhum fundamento para que a Caixa Geral de Depósitos" precise de um reforço de "quatro ou cinco mil milhões de euros".

 Passos Coelho alertou para os receios, por parte da população, de que "alguma coisa não esteja bem na Caixa", a que levam as notícias em torno da necessidade de injecção de capital no banco público, assim como para a possibilidade de levantar suspeitas, de que, se a CGD precisa de quatro mil milhões, então o sistema financeiro "há de precisar de 15, 20 ou 25" mil milhões de euros.

 "Não vejo nenhum fundamento para que se inspirem receios nas pessoas", sublinhou o líder social-democrata, questionando também o facto de o Governo não desmentir as notícias sobre a necessidade de reforço na CGD.

 Pedro Passos Coelho acusou ainda o Governo de atribuir "culpa" ao anterior executivo, ao lançar a "bomba" de que houve um desvio de três mil milhões de euros na Caixa, relativamente ao seu plano de negócios.

 "Esta maneira de fazer política revolta-me", criticou, enfatizando que o Governo está a "induzir as pessoas em erro", usando os seus lugares para "salvar a sua pele", sem pensar na estabilidade financeira do país.

 De acordo com o antigo primeiro-ministro, o actual Governo procura "denegrir tudo e todos", como uma forma de disfarce de uma "má política".

 Pedro Passos Coelho discursava no final do jantar concelhio do PSD/Ansião, no distrito de Leiria.

 Na sexta-feira, o PSD acusou o primeiro-ministro de "faltar ao respeito" ao Parlamento e aos portugueses ao dar uma "não resposta" às 30 perguntas feitas pelos sociais-de-mocratas em junho sobre a Caixa Geral de Depósitos.

 "Esta não resposta do primeiro-ministro às perguntas feitas pelo PSD demonstram um padrão de comportamento (…) de falta de respostas ao parlamento e portugueses so-bre o sistema financeiro", de-clarou à agência Lusa Hugo Soares, vice-presidente da bancada do PSD e coordenador do partido na comissão parlamentar de inquérito à Caixa.

 Em causa estão 30 perguntas endereçadas a 14 de junho ao primeiro-ministro sobre a CGD e o seu processo de recapitalização, tendo o partido recebido na quinta-feira uma missiva do gabinete de António Costa, texto a que a agência Lusa teve acesso, e no qual é reiterado pelo chefe do Governo que no actual momento de negociação a nível internacional "é extemporâneo comentar especulações mediáticas e, consequentemente, condicionar a capacidade negocial do accionista".

 "Isto demonstra de facto um padrão de falta de respeito pelo Parlamento e diria também pelos portugueses, que merecem e exigem estas respostas. Este comportamento justifica cada vez mais a comissão de inquérito", disse Hugo Soares.