Marcelo diz que é preciso proporcionar aos jovens condições para serem o futuro do País

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O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa defendeu no sábado que é preciso proporcionar aos jovens portugueses condições para serem o futuro do País, sobretudo aos que são diferentes, mas têm direito a construir o seu futuro à sua maneira.

 “Passamos a vida a dizer que o futuro deste País são os jovens, mas isso tem que se traduzir nos vários aspectos da vida portuguesa”, como em “proporcionar aos jovens portugueses condições para serem o futuro”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no concelho de Castro Verde, no distrito de Beja, no Alentejo.

 O Chefe do Estado falava após ter visitado a Casa de Acolhimento Residencial Especializada – GPS (Gerar, Percorrer e Socializar), que acolhe 24 adolescentes dos 12 aos 18 anos de famílias desfavorecidas, e a comunidade terapêutica da Quinta Horta da Nora, da ART – Associação de Respostas Terapêuticas, que acolhe 51 adolescente dos 15 aos 18 anos com problemas de dependências de substâncias ilícitas e/ou comportamentos de inadaptação social.

 “Não há dois jovens iguais, os que são os problemas de uns não são os problemas de outros” e naquelas duas respostas sociais “temos como lidar com situações diferentes abrindo caminhos para que o futuro” daqueles adolescentes “seja melhor”, porque “eles são o futuro”, frisou.

 Lembrando que há poucos dias visitou escolas, o Presidente da República disse que não quer “só percorrer os caminhos mais óbvios, mais evidentes de motivação dos mais jovens para o futuro”, mas também “outros caminhos” como os permitidos por aquelas duas respostas sociais situadas “no meio do Alentejo” e “onde há experiências diferentes”.

 Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que “cada pessoa é diferente das outras”, mas todas “têm direito ao mesmo futuro” e os adolescentes que estão naquelas duas respostas sociais “estão a construir o seu futuro à sua maneira” e “também precisam de um empurrão para isso”, defendeu.

 “É preciso persistirem, darem a volta e depois perceberem que valeu a pena”, defendeu, referindo que, através desta visita, quis passar uma mensagem “muito simples” de apoio ao voluntariado e de que é preciso “fazer novo e diferente”.

 Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, é “fundamental haver um certo grau de profissionalismo”, mas naquelas duas respostas sociais há “uma dedicação enorme de pessoas de várias idades, que acompanham, apoiam, organizam, estruturam” as instituições.

 Por outro lado, frisou, é preciso “a preocupação de fazer novo e diferente”, como se faz na Quinta Horta da Nora, que é “um caso único no país”, onde “um grupo [de adolescentes] da mesma idade for-ma uma comunidade terapêutica” e, “normalmente”, misturam-se idades de mais velhos e mais novos”.

 Marcelo Rebelo de Sousa disse que também quis passar aos adolescentes “uma mensagem de certeza”, que “começa por ser de esperança, mas à medida que eles vão ganhando terreno e vão fazendo caminho converte-se numa certeza”.

 

* Presidente quer analisar Orçamento de Estado até ao Natal

 

 O Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, desejou na sexta-feira que o próximo ano seja “descontaminado” do “clima eleitoral” de 2019 e espera poder começar a analisar o Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) antes do Natal.

 O Presidente da República admitiu ainda que, “em princípio”, a tradicional mensagem de Ano Novo, em declaração ao País, vai ocorrer numa localidade do centro de Portugal, fustigado pelos violentos e trágicos fogos florestais de junho e outubro – zonas onde Rebelo de Sousa vai passar o período das “Festas”, em co-munhão com as populações e homenageando as vítimas.

 “Relativamente ao ano que vem, que não é eleitoral – ano eleitoral é 2019. O problema é diferente, é o orçamento para 2019, que vai ser discutido no final do ano que vem. Até que ponto é ou não contaminado pelo ambiente eleitoral de 2019. O que desejaria é que fosse descontaminado desse clima eleitoral”, afirmou, à margem de uma visita a uma das três residências que acolhem jovens mães solteiras e crianças da instituição particular de solidariedade social “Ajuda de Mãe”, em Oeiras.

 Rebelo de Sousa fora questionado, mais especificamente, sobre eventuais tensões entre o Governo socialista e os outros partidos da maioria (BE, PCP e “Os Verdes”), dada a tomada de posse em janeiro do ministro das Finanças, Mário Centeno, como presidente do Eurogrupo.

 “O clima [eleitoral] já vai ser muito longo. Vai começar praticamente no início do ano [de 2019]. Penso que todos ganharíamos com que o ano de 2018 fosse de acalmia eleitoral. Portanto, que o OE2019 não fosse um campo de luta pré-eleitoral. Naquilo que depender do PR, no seu magistério de influência junto dos partidos políticos, tudo farei”, garantiu, referindo-se às eleições europeias, em maio de 2019, e legislativas, presumivelmente em setembro/outubro de 2019.

 As previsíveis negociações do OE2019 vão decorrer entre a maioria até à data indicativa de 15 de outubro de 2018, seguindo-se a fase de debate e discussão na generalidade e especialidade, em novembro, até à votação final global em sessão plenária no Parlamento.

 Segundo o Presidente da República, “os portugueses estão nessa onda, apreciam a estabilidade política, social, laboral, fiscal, sentem-se bem com elas” e, “havendo crescimento económico e criação de emprego, sentem-se bem com isso, portanto, a última coisa que quererão é que, num ano em que não há eleições, haja clima eleitoral”.

 “A questão é saber como é que a Europa e o mundo irão economicamente para o ano. Espero que continuem bem. Espero que não haja medidas proteccionistas do outro lado do Atlântico (EUA) e a Europa continue a crescer e, formados os governos que estão a acabar de ser formados (Alemanha, por exemplo), seja possível tomar uma série de decisões urgentes e, portanto, Portugal possa ter um clima de crescimento económico e de criação de emprego que facilite o OE2019”, reforçou.

 Rebelo de Sousa revelou ainda que vai ter acesso, entre 14 e 15 de dezembro, a “uma primeira versão já muito próxima da redacção final do OE 2018”, antevendo “seis/sete dias de trabalho intensivo”, o que lhe “permitiria ir para o Natal com esse problema resolvido”.

 “Se fosse possível ter uma decisão antes do fim de semana de 23 e 24 de dezembro, melhor”, afirmou o Chefe de Estado.