Marcelo defende perante a ONU novo secretário-geral

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Marcelo defende perante a ONU novo secretário-geral

O Presidente português defendeu na terça-feira perante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) que o novo secretário-geral desta organização deve ser "um congregador de espíritos e de vontades", na linha de Gandhi e Mandela.

 Marcelo Rebelo de Sousa abordou este tema no final da sua intervenção na 71.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, sem nunca referir o nome do candidato apoiado oficialmente por Portugal, o antigo primeiro-ministro português António Guterres, ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

 "Estando em curso o processo de selecção do próximo secretário-geral das Nações Unidas, gostaria de exprimir os meus votos mais sinceros para que a pessoa que venha a ocupar este cargo tenha as qualidades humanas e profissionais à altura do desafio", disse.

 O chefe de Estado português acrescentou que deseja que o próximo secretário-geral da ONU "seja um congregador de espíritos e de vontades, que se guie pelo exemplo dos valores e da abordagem que Mahatma Gandhi e Nelson Mandela sempre aplicaram na vida: indo para além do seu grupo ou círculo, e assim unindo e representando todos e não uma parte".

 "Construindo pontes, sabendo ouvir, tendo a sabedoria e capacidade de liderança inactas que lhe permitam tomar decisões em que todos se revejam e se sintam incluídos", completou.

 Depois desta intervenção na 71.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Marcelo Rebelo de Sousa discursou numa Cimeira de chefes de Estado sobre Refugiados, promovida pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, a quem agradeceu pela iniciativa.

 Neste segundo discurso, o Presidente da República voltou a defender a importância do acesso dos refugiados à educação e falou das medidas adoptadas por Portugal.

 "No quadro da resposta comum da União Europeia, o meu país, um pequeno país, aceitou acolher imediatamente 4.486 pessoas", salientou, referindo que centenas já che-garam.

 "Expressámos o desejo de acolher um número adicional de 5.800 pessoas, como sinal de solidariedade para com os nossos parceiros mais afectados pelo afluxo de migrantes", acrescentou.

 

* Marcelo defende reforço da  capacidade preventiva das Nações Unidas

 

 O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu um reforço da capacidade preventiva das Nações Unidas, na sua estreia numa sessão da Assem-bleia Geral desta organização internacional.

 "Adoptemos, pois, uma cultura de prevenção também na manutenção da paz e segurança, promovendo o desenvolvimento sustentável, o respeito pelos direitos humanos, salvaguardando a dignidade humana, aliviando o sofrimento e combatendo a pobreza", apelou.

 O Presidente da República afirmou logo no início do seu discurso que a ONU "é cada vez mais insubstituível para todos os Estados-membros" e reiterou "o compromisso firme e permanente de Portugal para com as Nações Unidas, a Carta, os seus princípios e valores, bem como com o mais estrito respeito pelo direito internacional".

 Depois, considerou que os "acordos históricos" assinados em 2015 e 2016 sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável e as alterações climáticas, a cimeira humani-tária e a sessão especial sobre drogas representam "representam momentos altos do multilateralismo efectivo centrado nas Nações Unidas".

 Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, com a sessão especial sobre drogas, em Abril, a ONU deu "um notável passo em frente da comunidade internacional, de acordo com uma visão integrada e humanista", que "Portugal há mais de uma década" e que "tem dado provas de sucesso".

 "Neste como noutros domínios, temos de fazer um esforço adicional e concentrar sobretudo a prioridade na prevenção", considerou.

 No início do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que em breve deixará o cargo, para lhe expressar "o reconhecimento de Portugal pela sua capacidade de diálogo, visão de futuro e empenho na promoção de umas Nações Unidas mais eficientes".

 O Presidente da República dedicou parte desta intervenção ao tema da economia do mar, prometendo "dar continuidade aos esforços de mobilização global para a conservação e exploração sustentável dos oceanos".

 No final, salientou o facto de ter feito questão de falar em português, uma língua "partilhada por 260 milhões de falantes e pelos nove Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que celebra os seus 20 anos", e citou o escritor Vergílio Ferreira: "Da minha língua vê-se o mar".