Maputo recupera posição de pólo comercial para África Austral

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Maputo recupera posição de pólo comercial para África Austral

O porto de Maputo está a recuperar o seu papel histórico de pólo no comércio da região da África Austral, graças a investimentos em infraestruturas portuárias e de transportes, que também impulsionam o crescimento económico.

 O desenvolvimento do porto de Maputo e das linhas ferroviárias que fazem a ligação a esta infraestrutura, usada por empresas da África do Sul ou Zimbabué, serão “grandes propulsionadores do crescimento em 2014-18”, afirma a Economist Intelligence Unit no seu último relatório sobre Moçambique.

 No ano passado, a construção registou um crescimento de actividade na ordem de 11,3 por cento, enquanto os transportes subiram 16,1 por cento, diversificando os “motores” da actividade económica para além da extracção de carvão, que com a entrada em funcionamento de novas minas tem permitido um crescimento substancial nos portos da Beira (centro) e Nacala (norte).

 “O porto de Maputo está gradualmente a recuperar o seu papel com grande ponto de trânsito para a região da África Austral”, afirmam os analistas da EIU, que frisam que no início da década de 1970 a capital de Moçambique era um grande entreposto comercial regional.

 A carga total transitada no porto de Maputo em 2013 – 17 milhões de toneladas – bateu o anterior recorde, de 1973.

 Os trabalhos actualmente em curso, avaliados pela empresa gestora em 2 mil milhões de dólares, incluem dragagens que vão permitir melhorar o acesso ao porto, bem como a construção de um novo terminal.

 Em 2020, o total de cargas manuseadas no maior porto moçambicano deverá atingir as 40 milhões de toneladas, mais do dobro do alcançado no ano passado, segundo as autoridades.

 O consórcio gestor do porto (MPDC) inclui a Dubai Ports World (24,7 por cento), Grindrod (24,7 por cento), CFM – Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (49 por cento) e Moçambique Gestores (1,6 por cento), uma empresa de que o presidente moçambicano é accionista.

 Os investimentos anunciados pela CFM e pelo governo incluem também o corredor ferroviário que liga a capital à África do Sul, Suazilândia e Zimbabwé.

 A descoberta de importantes reservas de minérios e de gás natural tornaram Moçambique num dos maiores focos de investimento estrangeiro no mundo nos últimos anos, com grande interesse da parte de empresas de países asiáticos.

 O investimento em curso da China, Brasil, Índia e Austrália, afirma a EIU, “vai fortalecer os laços com estes países”, mantendo Portugal e África do Sul relações próximas com Moçambique. A atracção de investimento para infra-estruturas, recursos naturais e serviços “serão prioridades chave” nos próximos anos para as autoridades moçambicanas, adianta.

 A EIU prevê que o crescimento económico médio em Moçambique ronde, no período 2014-18, os 7,7 por cento ao ano.