Manoel de Oliveira, o mais velho realizador de cinema do Mundo no activo, faleceu

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Manoel de Oliveira, o mais velho realizador de cinema do Mundo no activo, faleceu na sua casa no Porto com 106 anos de idade

A morte do realizador português Manoel de Oliveira, que ocorreu quinta-feira no Porto aos 106 anos de idade, provocou reacções nos mais variados quadrantes da sociedade, com o Presidente da República a recordá-lo como símbolo maior e o Governo a decretar dois dias de luto nacional.

 Cavaco Silva disse ter sentido “profundo pesar” pela morte do realizador e recordou Manoel de Oliveira como o “símbolo maior do cinema português no mundo”, apontando que o cineasta é “um exemplo para as novas gerações”.

 O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, expressou, em seu nome pessoal e em nome do Governo, pesar pela morte do cineasta Manoel de Oliveira e considerou que a cultura portuguesa perdeu uma das suas figuras maiores.

 O Governo decretou dois dias de luto nacional pela morte do realizador e o chefe do Executivo esteve presente no funeral, que se realizou sexta-feira, na cidade do Porto.

 O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, por seu lado, lamentou a morte do cineasta, sublinhando que "Portugal perde um dos referenciais do século XX".

 Entretanto, o presidente honorário do Festival de Cannes, Gilles Jacob, amigo e admirador da arte de Manoel de Oliveira, afirmou o seu pesar e disse sentir-se "um órfão".

 Já o produtor Luís Urbano, o último a trabalhar com o reali-zador, afirmou à agência Lusa que o cinema dele merece ser visto pelos portugueses.

 A actriz Leonor Silveira, presença constante nos filmes do cineasta, apontou que o trabalho com Manoel de Oliveira lhe moldou a identidade e foi determinante no “rumo pessoal e profissional”.

 A morte de Manoel de Oliveira é, aliás, notícia em todo o mundo, com a imprensa internacional a prestar homenagem ao mais velho cineasta até agora no activo, com um ritmo de rodagem de um filme por ano.

 Desde o espanhol El País, passando pelos franceses Libération e Le Monde, os italia-nos La Republica e La Stampa, o belga La Libre.be, o checo Blesk, o holandês NU.nl, o sueco HD ou os alemães Augsburger Allgemeine e Die Presse, a morte do realizador português foi notícia não só por toda a Europa, mas também do outro lado do Atlântico através dos brasileiros Folha de São Paulo e Estadão e do canadiano La Presse.

 Em Portugal, o director-geral do festival de cinema Figueira Film Art, Luís Albuquerque, já anunciou que se mantém a homenagem ao realizador Manoel Oliveira, prevista para setembro.

 Quinta-feira à noite, no decorrer da cerimónia dos prémios Sophia, a Academia Portuguesa de Cinema evocou a vida e obra do realizador.

 A Câmara Municipal do Porto, cidade natal de Manoel de Oliveira, decretou três dias de luto municipal, de sexta-feira a domingo.

 A notícia levou também os principais partidos políticos a reagirem, com o PSD a apontar a “grande perda para Portugal” e o PS a lamentar a “perda irreparável”.

 Já o CDS-PP sublinhou o “orgulho” no legado de Manoel de Oliveira, enquanto o Partido Comunista lamentou profundamente a morte do realizador e lembrou-o como "uma figura ímpar da cultura portuguesa", ao mesmo tempo que o Bloco de Esquerda o evocou como “um grande cineasta europeu” e um exemplo de “energia, determinação, humor e grande vontade de viver”.

 Manoel Cândido Pinto de Oliveira, nascido a 11 de dezembro de 1908, no Porto, era o mais velho realizador do mundo em actividade e faleceu quinta-feira, em sua casa, no Porto.

 O último filme do cineasta foi a curta-metragem "O velho do Restelo", "uma reflexão sobre a Humanidade", estreada em dezembro passado, por ocasião do 106.º aniversário do cineasta.

 O funeral de Manoel de Oliveira realizou-se sexta-feira,  na Igreja de Cristo Rei, no Porto, tendo o corpo estado em velório no salão do Convento dos Padres Dominicanos.