Manifestações exigem a reforma do país, afirma ONG brasileira

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Manifestações exigem a reforma do país, afirma ONG brasileira

As recentes manifestações que tomaram conta das ruas de mais de 300 cidades brasileiras e mobilizaram um mi-lhão de pessoas é um movimento global que reclama a reforma do país, defendeu o presidente da ONG Rio de Paz.

 A meta final é a “reforma do Brasil, um movimento reformista que não quer subverter a ordem, mas fazer uma limpeza, sobretudo, moral”, disse à Lusa António Carlos Costa, dirigente da organização defensora de direitos humanos, que organizou uma acção pacífica nas areias da praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.

Os activistas espalharam 500 bolas de futebol pintadas com cruzes vermelhas, representando 500.000 homicídios ocorridos no Brasil nos últimos 10 anos.

 “Fizémos um acto silencioso para exigir das autoridades públicas a apresentação de políticas com um cronograma de implementação para elevar e melhorar a qualidade dos serviços públicos. As marchas já estão a acontecer e as pessoas a ir às ruas”, comentou António Carlos Costa.

 Segundo o presidente da ONG, o que motivou a população a protestar nas ruas foi a revolta causada pelas reformas e construção de estádios para o Campeonato das Confederações e o Mundial de 2014 em futebol.

 “Isso demonstrou muita vontade política e gasto de dinheiro público para fazer as construções no padrão FIFA. Enquanto as nossas escolas, segurança e hospitais não estão no padrão FIFA”, criticou.

 Costa afirma que movimento social que se espalhou pelas cidades teve um carácter “espontâneo e não orquestrado”.

 Por isso, as exigências não são “apenas contra os 20 cêntimos do aumento da tarifa dos transportes”, mas por

outros “nobres motivos”, afirmou.

 As exigências sociais “são muito amplas. Nos últimos anos, o poder público não levou o povo a sério. A reforma tributária, política, trabalhista, infraestrutura e fundiária deve ser discutida. Agora todos expressam que o Mundial de Futebol é inviável se o governo não investir no social também”, salientou.

 Para Costa, as autoridades subestimaram a consciência do povo que não dava sinais de ser capaz de mobilizar-se.

 O presidente da ONG defendeu ainda que o poder público se pronuncie e estabeleça um cronograma de ações.

 “O governo tem que dar uma reposta ao povo, mas tem feito isso com ações truculentas e de características terroristas”, lamentou.

 Os protestos começaram no início de junho em São Paulo, exclusivamente contra a subida das tarifas dos transportes públicos, mas estenderam-se a outras cidades no Brasil e de outros países.

 A repressão policial às manifestações motivou outras pessoas a protestarem pela paz e pelo direito de manifestação, bem como outras queixas, entre quais corrupção e a falta de transparência.

Em particular, as manifestações criticam os elevados gastos com a organização de eventos desportivos como o Mundial2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, em detrimento de outras áreas como a saúde e a educação.