Manifestação contra o terrorismo em Barcelona juntou cerca de 500 mil pessoas

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Manifestação contra o terrorismo em Barcelona juntou cerca de 500 mil pessoas

Cerca de 500 mil pessoas desfilaram sábado no centro de Barcelona numa grande manifestação contra o terrorismo, depois dos atentados da semana anterior, numa iniciativa onde, pela primeira vez, participou um rei espanhol.

 Os números foram avançados, em comunicado, pela polícia de Barcelona, através das redes sociais, que garantiu que “meio milhão de pessoas saiu à rua esta tarde na manifestação ‘No tinc por’ [Não tenho medo] de Barcelona”.

 Além da presença de vários milhares de pessoas, a manifestação contou igualmente com a presença do Rei Felipe VI, tendo sido a primeira vez em que um Chefe de Estado espanhol participou numa manifestação.

 Com este acto histórico, o Rei quis dar o máximo destaque para a rejeição de Espanha aos atentados jihadistas do passado dia 17 de agosto em Barcelona e Cambrils, que mataram 16 pessoas e feriram mais de 120.

 A manifestação terminou na Praça da Catalunha, com uma acção que durou cerca de 10 minutos e durante a qual se ouviu música de Pau Casals e

foram lidos textos de Frederico García Lorca e de Josep Maria de Sagarra. O momento terminou com os manifestantes a cantarem a frase “No tinc por”.

 O acto foi conduzido pela actriz Rosa Maria Sardà e pela porta—voz da Fundação Ibn Battuta, Míriam Hatibi, que leram um manifesto onde reiteravam “Não temos medo”.

 “Os que hoje estamos aqui viemos para gritar bem alto e a uma só voz: Não tenho medo”, constava no manifesto lido em catalão e castelhano.

 Dessa forma, o manifesto deixou claro que Barcelona “não tem medo de expressar [a sua] dor pelas vítimas, pêsames e solidariedade com as famílias, amigos e todas as pessoas afetadas por este acto tão cobarde”.

 “Não temos medo de condenar estes crimes que só pretendem provocar o terror através da morte e da devastação para tentar romper o nosso modelo de convivência”, constava no manifesto.

 De seguida, disseram que a cidade não sente medo porque está protegida pelas forças de segurança, sentindo-se orgulhosa da rápida resposta das equipas de emergência, bombeiros, pessoal médico e hospitais, serviços sociais, funcionários públicos, uma referência que foi acolhida por um forte aplauso.

 “Não conseguirão dividir-nos porque não estamos sozinhos. Somos muitos milhões de pessoas que condenam a violência e defendem a convivência em Manchester e em Nairobi, em Paris ou Bagdade, em Bruxelas e Nova Iorque, em Berlim ou Cabul”, leram.

 O momento, idealizado com a colaboração do director do Teatro Lliure, Lluís Pasqual, prosseguiu com uma actuação dos violoncelistas Peter Thiemman e Guillem Gràcia, que interpretaram “O canto dos pássaros”, uma canção popular catalã da autoria de Pau Casals, enquanto eram projetadas imagens de como a cidade viveu nos dias anteriores ao ataque.

 O cenário foi decorado com flores, precisamente um dos símbolos históricos das Ramblas e que foram uma das protagonistas deste momento final, em que dezenas de voluntários distribuíram entre os

manifestantes milhares de flores vermelhas, amarelas e brancas, em representação das cores da cidade de Barcelona.

 A manifestação foi organizada pela Câmara Municipal de Barcelona e pelo governo regional da Catalunha, liderados por Ada Colau e Carles Puigdemont, respetivamente, e foi secundada por concentrações noutras cidades, como Madrid, Valência, Alicante, Castelló e Vigo, sob o mesmo lema.

 

* Marcelo acredita que luta contra o terrorismo se vence no plano cultural

 

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse no sábado esperar que a manifestação contra o terrorismo, que decorreu em Barcelona, Espanha, tenha sido "esmagadora", adiantando acreditar que a luta contra o terrorismo se vence no plano cultural.

 "Espero que seja uma manifestação esmagadora, porque é uma manifestação pela paz, pela concórdia, pela justiça, pela dignidade da pessoa humana, pelos direitos das pessoas. E, portanto, contra tudo aquilo, em particular o terrorismo, que destrói esses valores", declarou o Presidente da República.

 O chefe de Estado falava aos jornalistas em Vilar Formoso, Almeida, no distrito da Guarda, à margem da inauguração do Polo Museológico "Vilar Formoso Fronteira da Paz – Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes", construído junto da estação de caminho-de-ferro de Vilar Formoso.

 "E o ser uma manifestação gigantesca, e ser de gente de todas as religiões e sem re-ligião, de todos os partidos e sem partido, de todas as maneiras de viver a vida, acho que isso é uma grande força",

acrescentou.

 O Presidente da República disse, ainda, que é "um defensor de que se ganha essa guerra [contra o terrorismo] no plano cultural".

 "A segurança é muito importante, mas não se ganha só com a segurança, ganha-se com a afirmação dos nossos valores e a manifestação de hoje é uma forma de afirmação dos nossos valores. E nós não nos podemos demitir da afirmação dos nossos valores", concluiu Marcelo Rebelo de Sousa.