Manda Wessels viveu alguns anos em Portugal, onde o marido foi embaixador de África do Sul

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viveu alguns anos em Portugal, onde o marido foi embaixador de África do Sul e nunca mais esqueceu o nosso País

Foi no Rundu, fronteira do então South West África com Angola, que entre 1970/71 Manda Wessels contactou pela primeira vez com pessoas portuguesas, mal sabendo nessa altura, que como veio a acontecer, o futuro lhe reservava uma convivência tal com a nossa gente, que a marcou no bom sentido da palavra, face às grandes amizades e gratas recordações, para o resto da sua vida.

 Nessa altura, em que a sua permanência no South West tinha apenas como finalidade acompanhar seu marido Carel Wessels, naquela altura director do Departamento de Informação da África do Sul, e dadas as boas relações com as tropas portuguesas aquarteladas no sul de Angola, foi Manda Wessels, como praticante e grande entusiasta do ténis, convidada pelo militar Nuno de Bivar, então ao que constava campeão da modalidade em Portugal, para disputar uma partida de ténis em Mapupa, aldeia fronteiriça onde estava aquartelado o destacamento militar que ao que parece aquele oficial chefiava.

 Tudo a postos e a convidada já ali para essa disputa amigável de ténis, uma sexta-feira, foi dado o alerta estar eminente um ataque a esse aquartelamento que Nuno de Bivar comandava, daí a Manda e quem a acompanhava serem de imediato evacuados num pequeno avião para o Rundu, pelo que face a esse improviso e com tropas e autoridades de ambos os lados apostados numa boa relação, o Club de Ténis do Rundu convidou a seguir os portugueses que naquela povoação fronteiriça angolana jogavam ténis, para um torneio amigável a disputar nessa localidade do South West, competição essa que decorreu durante todo o dia de um sábado, do lado de Angola civis e alguns militares, e do lado do Rundu membros desse clube organizador, Manda e alguns praticantes desse desporto em aldeias vizinhas.

 Com o Rundu nessa ocasião já bastante conhecido em toda a área fronteiriça angola-na, dado possuir o melhor hospital do Norte do South West, dotado de uma equipa de médicos qualificados, entre os quais o dr. Werner Kuschke, então considerado o melhor do mundo em malária, para onde de emergência chegaram a ser evacuados alguns feridos graves em combate no sul de Angola, assim, começando a amizade de Nuno de Bivar com a família Wessels, ao ponto desse oficial do exército português visitar em 1972 os pais de Manda, na propriedade agrícola que possuíam no Free State, entre Bloemfontein e Kimberley.

 Nessa altura não passava pela cabeça de Manda Wessels vir um dia a residir e a conhecer Portugal de forma tão gratificante, muito menos precisar da ajuda de Nuno de Bivar, só que em meados desse mesmo ano de 1972, por ironia do destino, foi Carel Wessels, nessa altura ligado ao Departamento de Informação sul-africano, chefiado pelo ministro Connie Mulder, colocado como adido de Informação na embaixada da África do Sul, em Lisboa, para onde o casal seguiu em princípios do ano seguinte, e se manteve nessas funções até 1978, sendo para Manda Wessels a primeira vez que saía do seu país e contactava o mundo exterior.

 

* CRIAR AMIZADES EM  PORTUGAL E CONHECER RECANTOS TURÍSTICOS

 

 Uma vez em Portugal, o casal Wessels, que nessa altura só tinha a primeira filha Mandi, passou a criar algumas ami-zades, a conhecer recantos turísticos não só de Lisboa, como doutros pontos do país, a visitar o casino Estoril, e a frequentar casas de fados, em que Manda destaca a Adega Machado, onde conheceu os fadistas António dos Santos, Maria Teresa de Noronha, Teresa Silva carvalho e Natália dos Anjos, dos quais guarda e de vez em quando ouve para matar saudades, os discos autografados, intitulados, Minha Alma de Amor Cedente, Fado Antigo, Ó Rama ó que Linda Rama, e Album de Recordações, chegando também a ouvir cantar a grande fadista Amália Rodrigues, em casa de fados de Alfama.

 Nessa convivência, Manda Wessels começava a admirar o povo português e a apreciar a sua hospitalidade, que cada vez mais a deixava entusiasmada, ganhando nos vários contactos uma admiração tal que nunca mais vai esquecer.

Como menina prendada do Free State, onde o “afrikaan-se” era o mais utilizado em todas os contactos e conversações da região no dia-a-dia, chegada a Portugal, Manda deparando com a barreira da língua, tanto em compras nas feiras e lojas comerciais, como no dia-a-dia com a própria governanta Maria Helena Gouveia, não lhe restando outra alternativa, senão tentar a todo o custo aprender um pouco de português, até aí usando certos gestos, ou indicar com os dedos das mãos o que necessitava nas compras que fazia, e hoje expressa-se razoavelmente na nossa língua, considerando-se talvez a única no mundo a falar português sem a conjugação de verbos.

 Uma das coisas que a deixara chocada, foi um dia no mercado de Algés, ao deparar com coelhos vivos, pretender comprar o que sua filha Mandi, que a acompanhava, queria para animal de estimação, e qual não foi o seu espanto ao ver a vendedora pendurá-lo pelas patas traseiras e matá-lo com as pancadas que lhe dava com uma das mãos nas orelhas. Procurando-lhe para que fizera isso, uma vez que o queria vivo, a vendedora não a compreendendo, respondeu-lhe que para o comer tinha que o matar, só aí, pensando ser o coelho um animal doméstico como o cão e o gato, ficou a saber servir o mesmo para alimentação.

 Como em Portugal vinha mantendo contactos com Nuno de Bivar, foram por ele avisados na tarde de 24 de Abril de 1974, que se estava a preparar uma revolução para essa noite, e iria começar à meia-noite, e como tal para terem cuidado porque não se sabia o que iria acontecer, aconselhando-os a escutarem na rádio “ O Grândola Vila Morena”, a ser cantada pela primeira vez às 23h30, e depois repetida em cada dez minutos, a última das quais às 23h55, para de seguida ser iniciada a revolução, aconselhando-os a evitar sair de casa, deparando na manhã do dia seguinte, 25 de Abril, com as ruas de Lisboa cheias de militares armados e a cantarem a canção que intitulavam de liberdade.

 “A filha Tanja nasceu em Lisboa dias seguintes à revolução dos cravos, e os pais fizeram questão de a registar como cidadã portuguesa”.

 Como em todas as coisas, nem tudo é sempre um mar de rosas, também durante os anos em que permaneceu em Portugal, o casal Wessels passou por alguns momentos algo desagradáveis, mas que para si não superam as boas recordações que guarda com grande saudade, e ao recordá-las lhe trazem à mente a alegria com que na altura as viveu e jamais esquecerá, descrevendo a propósito no negativo: 

 No dia 1 de Maio seguinte, Manda Wessels teve de ir para o hospital da Cruz Vermelha, para dar à luz no dia seguinte a segunda filha, a quem foi posto o nome de “Tanja” e por nesse dia em que em Portugal se festejava o “Dia do Trabalhador”, e nes-sa euforia ser perigoso as pessoas andarem pela rua, vendo-se por todos os lados tropas armados e com os cravos vermelhos, teve de ir acompanhada por militares, cada vez essa situação a deixava mais intrigada e receosa, com o que no futuro poderia enfrentar.

Passados dias, o casal Wessels foi convidado a jogar golfe numa aldeia perto de Setúbal, e quando regressavam a Lisboa, a ponte que de Salazar passara a 25 de Abril, estava bloqueada, com o controlo efectuado por jovens, alguns ainda adolescentes, que ao fazerem paragem obrigavam os condutores a abrirem a bagageira dos carros para basculharem o que os mesmos transportavam, no seu caso espalharem tudo pelo chão, até as bolas de golfe atiraram para longe, sem respeito por ninguém, nem tão-pouco a imunidade diplomática, pois como diziam esses controladores, a liberdade lhes dava poderes para agirem à sua vontade.

 Naquela instabilidade, e a viverem em Algés, assistiram em certo dia, por essa altura algo conturbada, à troca de disparos entre a marinha dos seus barcos fundeados no estuário do Rio Tejo, e a Força Aérea aquartelada no alto de Algés. Como viviam na baixa de Algés, portanto debaixo do fogo cruzado, receosos do pior e com medo de poderem ser atingidos pelos projécteis nos disparos, o casal chegou a meter-se com as filhas debaixo da cama, drama que embora não lhes retire qualquer conceito favorável e amor ao nosso país, nunca mais poderão esquecer, fa-zendo quanto a Manda Wessels, Portugal parte da sua vida, e nem com essas dificuldades deixou de gostar de Portugal, das suas gentes, cultura e tradições, que guarda na sua mente com muito carinho, conhecendo também entre as pessoas que lhe são queridas, Homem de Gouveia, então chefe da casa militar do Presidente da República Portuguesa.

 Com a primeira eleição, como se dizia em democracia, Manda Wessels assistiu ao regresso de muitos portugueses provenientes de Angola e Moçambique, devido ao período de instabilidade que se instalou nessas ex-pocessões ultramarinas portuguesas, muitas delas menores, sem saberem para onde ir, incluindo crianças sem saberem parte dos seus pais, e no aeroporto de Lisboa dormiam no chão de uma sala sem o mínimo de condições, esta sul-africana fazendo parte do comité de mulheres de diplomatas, colectou com outras pessoas, cobertores, roupas, leite para bebés, e outros artigos considerados de primeira necessidade, que lhes levavam, para que o sofrimento desses inocentes fosse mais suavizado.

 Mais tarde Manda volta a Portugal onde o marido foi colocado como embaixador.

 Sempre a acompanhar seu marido nas funções para que ia sendo designado na sua carreira diplomática, o casal esteve de 1978 a 1982 na América do Norte (conselheiro dos Negócios Estrangeiros), levando então consigo para Washington a dita governanta Maria Helena Gouveia que sempre tiveram em Lisboa, por lhes merecer inteira confiança, e ainda hoje é recordada com muita amizade; nos dois anos seguintes 1982 a 1984 na África do Sul (coordenador de informação com a imprensa), voltando a seguir ao estrangeiro onde de 1984 a 1986 foi embaixador em Montevideu, Uruguai; de 1986 a 1990 (embaixador em Portugal), voltando em 1990 à África do Sul para, sob proposta do então ministro dos negócios estrangeiros, Pik Botha, exercer o cargo de director-chefe do Departamento para Assuntos com os Países ao Sul de África, funções que exerceu até 1993.

 A partir daqui, isto em fins de 1993, Manda Wessels já não acompanhou o marido Carel ao Brasil, onde fora colocado como embaixador para mais uma missão de serviço no estrangeiro, pelo facto do casal se ter separado judicialmente, divórcio ocorrido no mês de Dezembro desse mesmo ano, passando a partir daqui cada qual a seguir sozinho o seu destino.

 

* No Union Buildings como oficial  de protocolo governamental

 

 Assim e quanto a Manda Wessels, formada em Educa-ção Física pela universidade do Free State, que frequentou de 1968 a 1970, passou em 1994 a trabalhar no Union Buildings como oficial de protocolo governamental, cargo que exerceu até 1996, tendo durante esse período organizado a recepção à Rainha Elizabeth ll, na visita que esta monarca fizera à África do Sul, assim como na recepção a presidentes de países estrangeiros que se deslocaram a Pretória, para assistirem à cerimónia de investidura de Nelson Mandela como chefe do governo da África do Sul.

 Passando em 1995 a trabalhar, primeiro como “marke-ting”, e depois como relações públicas na Suzanne Weil Associates, em Joanesburgo, tendo no exercício desse cargo, feito parte da organização para a celebração do 80º aniversário de Nelson Mandela, no Gallagar Estate, em Midrand, estadista que na noite anterior havia casado com Graça Machel, Manda Wessels aceitou em 1999 o convite para trabalhar na National Property Company, em Sandton, de Joanesburgo, onde ainda se mantém como consultante em “property Brokers”, para celebração de contratos no aluguer ou aquisição de propriedades entre firmas sul-africanas e empresários ou grandes companhias estrangeiras interessadas em investir na África do Sul.

 

* BOA OPORTUNIDADE PARA COLECCIONADORES

 

 Como suas filhas, Mandi ca-sada, a viver com o marido e filhos em Hong-Kong, onde é “vice-chair” do “Board of Directors da Film Aid”, e a mais nova Tanja, solteira e natural de Lisboa, onde estudou no ensino primário, secundário e universitário, chegando a  repórter de televisão estrangeira, e presentemente a desenvolver a sua actividade profissional em Macau, como sénior repórter da revista “Macau Closer” – esta que como filha de pais sul-africanos o seu afecto a Portugal é tão grande que além de o considerar com toda a lógica como seu, a ele se desloca sempre que lhe é possível, ou para tal tem oportunidade, tentando ao máximo nessas estadias, matar saudades, reviver tempos de infância e amizades que ali deixou nesse maravilhoso país que não esquece, muito adora e nele se revê nos variadíssimos aspectos, desde a sua beleza à graciosidade, amabilidade e generosidade da sua gente, que desde muito nova aprendeu a admirar, respeitar e amar -, as quais visita sempre que lhe é possível, como ainda em Agosto último aconteceu, pretende Manda Wessels, com o avançar da idade, deixar a ampla habitação de dois pi-sos, onde há cerca de 12 anos reside em Pretória, e mudar-se para vivenda mais pequena e certamente sem espaço para acomodar o mí-nimo do que actualmente possui, tanto em mobiliário, como relíquias, umas oferecidas e outras adquiridas nos países por onde andou. 

 

* Oferecer livros  escolares  a instituição

de estudantes  portugueses

 

 Assim, é sua intenção oferecer em literatura os livros escolares a instituição de estudantes portugueses, e embora lhe custe muito, dado a estima que tem em recordação dos restantes, vender a colecionadores as boas marcas de vinhos portugueses; a grande colecção de medalhas e medalhões de aldeias históricas, academias e outras organizações de países por onde passou; a grande variedade de livros de grandes autores, incluindo enciclopédias e dicionários, mapas, lindíssima louça de Vista Alegre, porcelanas e valiosos cristais da mais variada espécie, artigos em prata, jóias, toalhas de mesa e bordados, uma especialista em croché, até aprendendo a fazer em Portugal tapetes de Arraiolos, um que ofereceu a sua filha Mandy e dois que guarda consigo, devendo os interessados na aquisição de qualquer destes objectos, contactá-la pelo te-lemóvel 082 803 0078.