Mais uma Academia do Bacalhau em África

0
160

Numa das salas de reunião do centro de conferências do casino Emperors Palace, em Joanesburgo, decorreu na manhã de sábado, 20 de Outubro, a reunião de trabalhos do 47º Congresso Mundial das Academias do Bacalhau.

 O presidente José Contente deu as boas-vindas a todos os presentes e passou a palavra ao presidente da mesa e moderador da reunião, o compadre Rodolfo Gallego.

 O compadre Rudy deu as boas-vindas a todos e apelou a uma discussão séria, uma reflexão comedida, para o melhor futuro das Academias do Bacalhau. Foi depois feito um minuto de silêncio, em memória do fundador do movimento e presidente honorário de todas as Academias, compadre Durval Marques, e de todos os compadres e comadres que deixaram o mundo dos vivos durante este ano.

 A palavra foi depois dada ao compadre Manuel de Carvalho, embaixador de Portugal na África do Sul, para que este abrisse oficialmente a sessão de trabalhos.

 “Bom dia a todos, caros compadres e comadres presidentes e representantes das várias Academias”, começou por afirmar o compadre. “Fora da porta, sou embaixador, aqui dentro, sou compadre e somos todos iguais. Essa fraternidade, igualdade e a maneira de celebrar os valores da Academia é isso que tornam este movimento tão rico. Que, surgiu num gesto de amizade há 50 anos em Joanesburgo, um gesto que se alargou e prolongou e que nos leva a estar todos juntos aqui hoje.

 Aqui temos o Mundo num país, para parafrasear um slogan turístico, a comunidade das Academias é multicontinental. Está em todos os continentes. Todas elas celebram a amizade a solidariedade e a portugalidade.

 Desejo que tenham uns bons trabalhos e que tudo corra pelo melhor neste congresso.”

 O compadre Manuel de Carvalho entregou depois à Academia-Mãe uma peça artística, um bacalhau, alusivo ao 50.º aniversário desta tertúlia. Pela mesma razão, entregou uma peça igual à Academia de Pretória.

 Pela ordem de agenda, os presidentes das várias tertúlias intervieram. Apresentaram o seu relatório de actividades os presidentes e representantes das Academias do Bacalhau de Durban, Pietermaritzburg, Luanda, Bruxelas, Paris, Bordéus, Lyon, Luxemburgo, Mbabane, Nova Jersey, Porto, Cidade do Cabo, Minho, Ilha Faial, Long Island, Pretoria, Maputo, Namíbia, Lisboa, Manzini, Beira em Moçambique, Viseu, Costa do Estoril, Nelspruit e, por fim, da Academia de Joanesburgo.

 O compadre Contente registou a presença de José Cesário, deputado pela emigração na bancada parlamentar do partido do PSD.

 Foi depois feita uma pausa para um lanche com café e sumos, com sandes e bolos vários, após a qual, os trabalhos foram retomados.

 O compadre José Cesário abriu a segunda parte da sessão de trabalhos. “Este é um movimento que significa solidariedade levada ao extremo. É claro que nestes momentos revemos amigos e amigas como o Paulo Pereira Coelho, antigo deputado do PSD e meu colega parlamentar.”

 “Sobretudo podemos assinalar a força externa do movimento, que se internacionalizou a partir  de Joanesburgo e levou os valores de ser português e emigrante além-fronteiras, numa nova leva de globalização portuguesa.

 Não posso deixar de recordar o compadre Durval Marques. Um dos fundadores do movimento e que este ano partiu e temos aqui a Carol Marques, a quem estendo uma palavra terna de apreço.”

 O compadre José Cesário entregou em nome do Parlamento português, como reconhecimento do trabalho e valor das Academias do Bacalhau, uma salva de prata alusiva aos 50 anos da Academia-Mãe do Bacalhau.

 A comadre Carol Marques também dirigiu umas palavras aos presentes. “Bom dia, gostaria de agradecer a todos a presença, ao presidente Contente pelo convite, um convite que deu para pensar e revolvi aceitar.

 Por muito incrível que pareça, a Academia tem 50 anos, sempre estive envolvida, desde o princípio com os meus pais e mais tarde quando casei com o Durval.

 Casada 43 anos com o Durval, é a primeira vez que estou numa reunião de trabalhos. Gosto imenso, acho que fazem um trabalho incrível e de louvar.

 Muitos me vieram já dizer que sentem muito a falta dele, porque o Durval era uma pessoa apaziguadora, todos sentimos falta dele e continuem a lembrar o Durval com carinho”, afirmou bastante emocionada.

 “A Academia começou com uma “brincadeira” em torno de uma mesa com quatro amigos. Ninguém sabia que iria tomar as proporções que tem hoje. Estou aqui a honrar a memória dele e espero que a Academia cresça mais e se torne cada vez maior. Desejo a todos as maiores felicidades e somos todos uma grande família, sinto-me em família, acolhida aqui por vós, recebida com tanto carinho e com tanta preocupação. Obrigada.

 É também muito triste, o facto do nosso compadre e amigo Adriano Leão não estar presente hoje, por motivos de saúde. Ele que também está há décadas na Academia e vive e viveu sempre intensamente estes congressos. Rezamos pelas suas melhoras.

 Espero que Deus vos abençoe a todos e desejo-vos as maiores felicidades e tudo do melhor”, concluiu a comadre Carol Marques.

 Foi lhe dada, por esta intervenção, uma ovação de pé.

 A Acta do anterior congresso, realizado em Outubro do ano passado na Ilha Terceira, Açores,  foi aprovada, proposta pelo compadre Oliveira presidente da Academia de Luanda e secundada pelo compadre honorário João Carreira de Joanesburgo.

 O compadre Manuel Coelho, presidente da Academia da Namíbia, propôs o título de comadre honorária de todas as Academias do Bacalhau à comadre Carol Marques. Algo que foi aceite e aplaudido de pé.

 Depois, na agenda de trabalhos, foram levadas a discussão propostas das várias tertúlias.

 A Academia de Maputo propôs criar uma rede social de todo o mundo onde se encontram as Academias, cada tertúlia com duas pastas, uma pública e outra privada. Com a finalidade de dar maior proximidade e maior troca de informações. Organizada por continentes e cada continente por países, onde as Academias podem trocar ficheiros e facilmente aceder a informações de outras Academias. A proposta foi unanimemente aceite por todos.

 Foi em seguida proposta, de forma bastante emotiva, a oficialização da Academia do Bacalhau de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, antigo Zaire. Faz convívios há já mais de 11 meses, com médias de 40 pessoas por convívio e foi proposta pela Academia de Lisboa. A Academia foi aceite, embora com o registo de várias observações, sendo que a Academia proponente a de Lisboa não deveria ser a proponente, segundo as normas da Academia, já que a mais próxima é a de Luanda, sendo, por conseguinte, a que deveria apadrinhar a nova tertúlia.

 A Academia-Mãe também esteve em falha, pois deveria ter corrigido o problema atempadamente. Mas, atendendo ao apelo emocionado e pelas dificuldades logísticas de vistos de entrada e saída do Congo, todos no congresso aprovaram por unanimidade  a oficialização da nova tertúlia, que será a 60.ª do movimento.

 A Academia de Luanda retirou a proposta da candidatura da Academia de São Tomé e Príncipe, por esta não reunir ainda as condições descritas nas normas.

 A Academia de Maputo propôs um voto de louvor ao compadre presidente honorário de todas as Academias, o compadre Durval Marques.

 A proposta submetida pela Academia do Porto para a oficialização da Academia do Bacalhau de Madrid não foi aceite devido à ausência dos candidatos, que segundo ditam as normas, devem estar presentes. O caso ficou adiado para o próximo Congresso no Porto.

 O compadre Manuel Sam-paio, em nome da Academia do Bacalhau de Perth, propôs para 2020 a oficialização da Academia do Bacalhau de Sidney. Esta foi do acordo de todos e a discussão será feita no congresso do Porto, em 2019.

 Foi proposto em honra do compadre presidente honorário da Academia-Mãe, Adriano Leão, um aplauso forte e um pensamento e aplauso fraterno para com os compadres das Academias da Venezuela, que sofrem agora privações e tormentos sociais, devido às condições políticas e económicas do país. Algo que foi prontamente atendido.

 O compadre Francisco Aquilino Pereira informou de que a Academia do Bacalhau da Ilha Terceira foi nomeada como instituição de utilidade pública. O compadre presidente informou que em Portugal está aberto o precedente e que se outras tertúlias quiserem utilizar a Academia da Terceira como exemplo e argumento, podem fazê-lo e que ele está disponível para ajudar.

 O compadre José Nascimento, sob a ordem de trabalhos “geral”, apresentou a proposta de nomear o compadre Ramiro das Neves Jorge como honorário. Após ter feito uma exposição onde explicava achar contraditório com o espírito da Academia de não distinção, achava mal existir a distinção de presidente honorário e compadre honorário. A proposta não foi aceite e gerou um momento de discussão acesa nos trabalhos do congresso, inclusivamente com o compadre Nascimento a sugerir que não havia jovens a participar. Perante esta afirmação, levantaram-se quatro compadres com idades entre os 20 e os 35 anos.

 O presidente da mesa, o compadre Rudy Gallego, apelou à calma e voltou a trazer a ordem aos trabalhos.

 O compadre Gilberto Martins fez também uma intervenção sentimental, ao apelar à me-mória de Nelson Mandela, que tal como as Academias fazem, trabalhava em prol dos mais necessitados.

 A fechar a agenda de trabalhos, a Academia do Porto fez apresentação do programa do próximo congresso mundial das Academias do Bacalhau. Um programa extremamente apelativo e de luxo, que despertou a curiosidade dos presentes.

 Por fim, o último ponto da agenda foi o nome do Congresso, que ficou estipulado como “Congresso Compadre Presidente Honorário Durval Marques”.

 Os trabalhos foram encerrados, aos quais seguiu-se um almoço convívio e resto de tarde livre, antes do jantar de gala naquela noite.