Mais de 40 mortos no dilúvio da Madeira

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dilúvio da Madeira

dilúvio da MadeiraVárias casas e carros continuam soterrados na Madeira, numa altura em que as autoridades admitem um aumento do número de vítimas mortais com o avançar das operações de busca e salvamento e remoção dos destroços provocados pelas cheias diluvianas de sábado.

 O último balanço do Governo regional, feito ao meio-dia de ontem, dava conta de 40 mortes, 120 feridos, um número ainda indeterminado de desaparecidos e cerca de 240 desalojados.
“Existem 40 vítimas mortais já identificadas, esperemos que este número não aumente, mas provavelmente aumentará dadas as circunstâncias em que aconteceu este dilúvio”, disse o secretário dos Assuntos Sociais da Madeira, Francisco Ramos, em conferência de imprensa.

 Francisco Ramos acrescentou que os números de desaparecidos “neste momento não são fiáveis porque há pessoas que são dadas como desaparecidas mas que estão incontactáveis”, dadas as “grandes dificuldades de comunicação, nomeadamente com a rede da TMN”.
 O serviço regional de Protecção Civil e Bombeiros e equipas de empresas de construção civil estão no terreno a remover os entulhos, para permitir que chegue aos locais o apoio necessário.

 Francisco Ramos realçou o trabalho de toda a equipa do serviço de Saúde da região no combate a esta catástrofe.
 Várias localidades continuam isoladas sem água nem luz no Funchal e na Ribeira Brava.
 Muitas casas e carros destruídos, estradas interditas ao trânsito e um rasto de lama são alguns dos sinais materiais visíveis do temporal que assolou sábado a Madeira.

 De acordo com o Governo Regional as zonas mais problemáticas são os sítios da Furna, Pomar da Serra, Espigão, São João, Curral das Freiras, Madalena, Paul do Mar e Jardim da Serra
 No Funchal, os bombeiros municipais recolheram até ao momento 17 cadáveres, mas este número pode subir pois muitas casas e carros estão soterrados e a circulação automóvel no centro da cidade continua a ser impossível, adiantou o presidente da câmara funchalense, Miguel Albuquerque.
 No aeroporto do Funchal, o movimento decorre com normalidade, já aterraram alguns aviões e o quadro de informações confirma os vários voos sem qualquer indicação de atraso e ou cancelamento.

 Uma equipa de mergulhadores da Força Especial de Bombeiros “Canarinhos”, uma equipa cinotécnica da GNR e uma equipa do Instituto Nacional de Medicina Legal já chegaram à Madeira a bordo de um avião C-130 da Força Aérea Portuguesa para apoiar as operações de socorro no arquipélago.
 A fragata Côrte-Real rumou no sábado à noite para a Madeira, levando a bordo as equipas e diversos meios das Forças Armadas, para dar resposta aos efeitos do temporal.

 A tempestade que assolou no sábado a Madeira deixou um rasto de destruição em alguns concelhos, o que já levou o presidente do Governo Regional a pedir ajuda a Lisboa e a Bruxelas.

Sócrates oferece todo o apoio do Governo da República

 O primeiro-ministro, José Sócrates, ofereceu no sábado “toda a ajuda que o Governo Regional necessitar para que a Madeira possa iniciar imediatamente os trabalhos de recuperação”.
 “A conclusão a que chegá-mos é que o Governo Regional da Madeira está a controlar muito bem a situação e a tratar já dos trabalhos de recuperação”, disse José Sócrates, após uma reunião com Alberto João Jardim e o seu governo.

 “Nós oferecemos ao senhor presidente do Governo Regional da Madeira toda a ajuda de que necessitar para que a Madeira possa iniciar imediatamente esses trabalhos”, declarou.
 “O presidente do Governo Regional fez uma exposição da situação no que diz respeito às necessidades de re-construção e também às necessidades que existem para responder às situações mais críticas”, referiu o primeiro-ministro.

 “Combinámos entre o Governo Regional e o Governo da República duas coisas, aquilo em que podemos já dar uma ajuda para responder às situações de emergência e manter um diálogo entre o Governo Regional e o Governo da República por forma a que se possa definir um quadro geral de ajuda à Região para responder à situação”, acrescentou.

 “Estão todos os serviços do Governo Regional, do Governo da República empenhados para responder a esta situação”, realçou o chefe de governo.
 O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, revelou que o Governo da República enviará duas equipas da GNR com cães “para ajudar na procura de eventuais pessoas desaparecidas” assim como três equipas num total de seis elementos “de mergulhadores da força especial de bombeiros para procurar corpos que se possam encontrar no mar”.

 “Vamos enviar igualmente cinco médicos do Instituto de Medicina Legal para realizar o mais rapidamente possível as autópsias para que as famílias possam fazer o seu luto”, acrescentou.
 Rui Pereira revelou ainda que estão já na Madeira dois elementos da Protecção Civil que “vão fazer um inventário de quaisquer necessidades, sempre em cooperação com o Governo Regional, em relação ao futuro do que seja necessário fazer”.
 O ministro da Administração Interna anunciou ainda o envio de pontes militares e de uma equipa de 15 elementos das Forças Armadas “para ajudar a montar essas pontes”.

 “Está combinado que haverá um contacto permanente entre o Governo da República e o Governo Regional da Madeira para fazer um inventário das necessidades e nos próximos tempos vamos ajudar a instruir um pedido de apoio por parte da União Europeia para acorrer a esta situação”, indicou
 “O apoio será da República, do Governo da República através dos incentivos considerados necessários e adequados mas também da Uni-ão Europeia que dispõe de fundos para ajudar a construir infraestruturas que tenham sido afetadas por esta situação”, adiantou.
 O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, mostrou-se satisfeito com a visita do primeiro-ministro: “quero agradecer publicamente a solidariedade do senhor primeiro-ministro e também o maior interesse do ministro da Administração Interna e do senhor secretário de Estado que desenvolveram em relação a esta calamidade”.

 Jardim pediu “cuidado com as dramatizações”.

 “Não se pode esquecer que a nossa economia depende muito do exterior e vamos re-solver os problemas internamente, não dramatizar muito lá para fora porque neste momento o canal próprio, através do Governo da República, junto à União Europeia, está organizado e, portanto, vamos agora deixar as instituições funcionar”, prosseguiu.

 À despedida, Alberto João Jardim agradeceu a solidariedade de José Sócrates.
 “Talvez seja esta uma boa altura para nos entendermos”, respondeu o primeiro-ministro.