Mais de 4.000 pessoas recorrem ao gabinete de apoio ao Sobre-endividado da DECO

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DECOMais de quatro mil pessoas já recorreram nos primeiros três meses deste ano ao Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da associação de consumidores DECO, com pedidos de ajuda para fazer face às dívidas.

 Segundo Natália Nunes, responsável do gabinete, destes quatro mil contactos foram desencadeados 1.015 processos de pessoas singulares que pretendem encontrar uma solução para o pagamento de dívidas contraídas através de créditos.
 Os 1.015 processos abertos, referiu, tinham viabilidade para o reequilíbrio das contas, os restantes tinham já processos em tribunal ou a situação era tão grave que já não tem resolução possível a não ser a declaração da insolvência individual.
 Este número, adiantou, ultrapassa os valores de 2010, ano em que foram abertos 832 processos nos primeiros três meses. No final de 2010 a DECO tinha 2.837 processos em mãos.
 Em 2009 foram abertos neste gabinete de apoio da DECO um total 814 processos no primeiro trimestre, mais do dobro do ano anterior que se ficou pelos 396.

 O desemprego e a deterioração das condições laborais são as principais causas do agravamento das condições financeiras destas famílias que recorreram aos serviços da DECO nos primeiros três meses deste ano.
 Em 29,8 por cento dos casos o desemprego foi a causa das dificuldades, seguido da deterioração das condições laborais (21 por cento), de situação de doença (16,5 por cento) e situação de divórcio (9 por cento)
 De acordo com Natália Nunes, nestas condições difíceis de incumprimento dos compromissos financeiros estão famílias com rendimentos médios mensais na ordem dos 1500 euros.
 No entanto, explicou, neste grupo estão pessoas com rendimentos mensais que vão desde os 500 aos cinco mil euros.
 Os dados estatísticos do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da DECO relativos ao primeiro trimestre deste ano dão ainda conta que em 5,5 por cento dos 1015 processos iniciados, as famílias tinham mais de 10 créditos.

 E a situação, explicou Natália Nunes, tende a agravar-se porque as famílias estão a ser confrontadas com o aumento do preço dos bens, com cortes salariais e ainda com o aumento das taxas Euribor que levarão a um acréscimo das prestações mensais do crédito à habitação.