Mais de 118 mil alunos entram este ano em cursos superiores em Portugal

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cursos superioresO ministro português do Ensino Superior acredita que as previsões de aumento de mais 20 mil alunos no ensino superior se venha a revelar inferior à realidade, já que existem instituições que fizeram as estimativas por baixo.

 O primeiro apuramento realizado pelo Gabinete de Planeamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior estima que este ano entrem mais de 118 mil alunos em cursos superiores. Comparando com os dados do ano passado, as previsões apontam para um aumento de “mais 20 mil alunos”.
 Em conferência de imprensa a propósito da divulgação dos resultados da primeira fase de ingresso às instituições de en-sino superior público, o ministro Mariano Gago admitiu que este número ainda possa vir a aumentar, já que “algumas instituições apresenta-ram estimativas por defeito”.
 Entre as novas realidades reveladas através dos números, o ministro salientou o “aumento de alunos nas instituições politécnicas”, resultado de uma “enorme procura de ensino superior por parte de uma vastíssima camada da população que antes não tinha acesso”.

 Neste grupo, encontram-se os “jovens casais adultos” que vêem nos cursos de especialização tecnológica uma oportunidade de aumentar os seus conhecimentos. “Estes cursos são mais curtos e estão mais acessíveis às famílias de me-nores recursos”, lembrou o ministro.
 As estimativas divulgadas indicam que as entradas nos cursos de especialização tecnológica “atingem já quase seis mil novos estudantes”.

* Pessoas mais velhas regressam à escola

 Outra “realidade nova” é o aumento de pessoas mais velhas que regressam à escola: uns vão terminar os estudos superiores, outros decidem tirar pela primeira vez um curso superior, revelou o ministro do Ensino Superior.
 “O que se nota é que muitas pessoas na casa dos 30, 40 e 50 anos voltam à escola e frequentam o ensino superior. É uma realidade nova”, disse.
 O documento do Ministério sobre os resultados da primei-ra fase de ingresso sublinha precisamente que “em universidades e politécnicos é ainda patente o aumento de estudantes adultos através do re-gime especial para maiores de 23”. No entanto, para o mi-nistro, a taxa de trabalhadores que ingressam no ensino superior ainda “é relativamente baixa”.

 Segundo Mariano Gago, “há uma procura muito significativa de pós-graduações” nas instituições que se começaram a adaptar aos horários destes alunos, que durante o dia estão nos seus empregos: “as instituições agora traba-lham à noite e ao fim de semana”, disse.

* Cursos com vagas totalmente preenchidas

 Mais de metade dos cursos das universidades e institutos politécnicos públicos ficaram com as vagas totalmente preenchidas na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, enquanto 19 cursos não registaram qualquer colocação.
 De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior relativos ao concurso nacional de acesso, dos 1152 cursos, 718 esgotaram os lugares na primeira fase, o que representa 62,3 por cento.

 Dos 1152 cursos, dezanove não registaram qualquer colocação.
 Com menos de vinte alunos colocados ficaram 303 cursos, o que põe em causa o seu financiamento por parte do Estado, caso também não consigam preencher aquele número de lugares no final da segunda fase de acesso. Com menos de dez alunos colocados ficaram 170 cursos.
 O curso de Direito na Universidade de Lisboa mantém-se, mais uma vez, como o recordista das colocações, recebendo 450 novos alunos, seguido do mesmo curso na Universidade de Coimbra, que registou 330 entradas.
 A média mais alta registada este ano foi, à semelhança de 2008 e 2009, o curso de Medicina na Universidade do Porto, com o último aluno co-locado a apresentar uma mé-dia de 18,52 valores (numa escala de zero a 20).
 Por oposição, dezassete cursos registaram a nota de entrada mais baixa, de 9,5 valores, a nota mínima definida em 2005 para a entrada no ensino superior público. Destes, nove são de institutos politécnicos.

 A Universidade do Porto foi a instituição que registou a mais elevada taxa de colocação, com 100 por cento, conseguindo preencher na primeira fase todas as vagas disponibilizadas. Na mesma situação, estão também as Escolas Su-periores de Enfermagem de Coimbra, Lisboa e Porto.
 Com a percentagem de colocação mais baixa (40 por cento), surge o Instituto Poli-técnico de Tomar, seguido da congénere da Guarda (46 por cento) e da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (46 por cento).
 Na primeira fase do concurso foram colocados 45.592 alunos, o que representa 88 por cento dos candidatos.

* Medicina continua a exigir médias altas
          
  A nota mínima de entrada nas licenciaturas de Medicina, habitualmente as mais disputadas pelos alunos, manteve-se igual em relação ao ano passado, tendo o último aluno entrado com 17,82 valores.
 Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, nenhum aluno acedeu ao curso com menos de 17,82 valores (numa escala de zero a vinte), a média registada no ciclo básico de Medicina da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, e no da Universidade da Madei-ra, onde se registou a nota de entrada mais baixa das nove licenciaturas existentes em Portugal.

 A nota mais alta do último colocado este ano foi de 18,52 valores, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, enquanto em 2009 foi de 18,37, na mesma instituição.
 Na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior foram colocados 45 592 alunos, o que representa 88 por cento dos candidatos.
 Para os alunos que não conseguiram entrar, resta a possibilidade de concorrerem à segunda fase, que se realiza entre segunda e sexta feira des-ta semana, estando disponíveis 7853 vagas, às quais se irão juntar as deixadas pelos alunos que não concretizarem a matrícula.