Mais alunos no Ensino Superior só com Acção Social melhorada

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Ensino Superior

Ensino SuperiorO presidente do Conselho de Reitores, Seabra Santos, alerta que só com um efectivo reforço das dotações para a Acção Social será possível aumentar o número de estudantes no ensino superior.

 No dia em que o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas escolhe o seu novo presidente, Fernando Seabra Santos defende que a Acção Social deve ser assumida como “um grande desígnio nacional”.
 Confrontado com o reforço, este ano, de 16 milhões de euros para as bolsas da acção social escolar no ensino superior, o reitor da Universidade de Coimbra considera o aumento insuficiente.

 “Vai nesse sentido (o reforço de 16 milhões de euros), mas não chega. É preciso olhar para isto como um grande desígnio nacional – talvez ainda mais importante do que a compra de submarinos – e perceber que é preciso injectar, fazer investimentos muito fortes nesta matéria”, disse.
 O catedrático insiste tratar-se “do futuro de Portugal”, daí que seja “preciso ser mais exigente e ambicioso” do que se tem sido até agora.
 Avança que o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, “mostrou preocupação com os problemas da Acção Social, convidando os reitores para uma reunião”, com data ainda não anunciada.

 Já durante a celebração do “Contrato de Confiança”, entre as universidades e o Governo, a 11 de Janeiro, Seabra Santos chamara a atenção para a “particular importância da Acção Social”.

 “O ensino superior está massificado, a elitização é uma palavra que hoje em Portugal não tem sentido. O que se deve discutir hoje é até que ponto deve ir a massificação, se estamos contentes com o nível actual ou se queremos continuar a massificar e generalizar”, disse Seabra Santos.
 O catedrático tem assumido posições críticas das políticas do Governo para o sector, nomeadamente enquanto reitor da Universidade de Coimbra.
 “O balanço que faço do mandato como presidente do CRUP não é propriamente a confrontação com o ministro nem nada que passe por isso”, afirma Seabra Santos, acrescentando que “nunca houve qualquer tipo de menor apreço, mas, com frequência, momentos de crítica em relação a posições, opiniões, decisões”.

 Seabra Santos refere que nunca sentiu que a militância que mantém no PCP tenha de alguma forma prejudicado o relacionamento com o ministro da tutela.

 “Se lhe dissesse isso, tinha de admitir que a nossa democracia não funciona e que continua a haver fantasmas nas cabeças dos nossos cidadãos e quero acreditar que 30 e tal anos depois do 25 de Abril essas coisas já não existem”, afirmou.

 O seu sucessor, que formalmente deverá assumirá o cargo na reunião do CRUP seguinte à da eleição, terá, no entanto, a tarefa mais facilitada, depois do Contrato de Confiança celebrado com o Governo e da “abertura que vários Ministérios têm manifestado em relação ao ensino superior”, considerou.

O novo presidente do CRUP será eleito entre os 16 reitores, sendo todos “potenciais candidatos”. Se nenhum obtiver maioria absoluta, a escolha recairá, numa segunda volta, sobre os dois mais votados.