Maior produtor português de azeite regista a maior produção de sempre

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Maior produtor português de azeite regista a maior produção de sempre

O maior produtor português de azeite, a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB), no Alentejo, registou “a maior produção de sempre” na última campanha, tendo recebido 37,5 mil toneladas de azeitona e produzido 7000 toneladas de azeite.

 “Foi a maior produção de sempre da cooperativa”, que “é o maior produtor de azeite de Portugal”, já que, até à última campanha olivícola, “nenhum outro lagar” do país “recebeu os volumes de azeitona e produziu a quantidade de azeite que recebemos e produzimos”, disse sábado à agência Lusa João Ribeiro, da CAMB.
 Segundo o responsável, a CAMB, que, na secção de olivicultura, tem 1.200 associados, espalhadas pelos concelhos de Moura e Barrancos, produz “cerca de 10 por cento” da produção nacional de azeite, que ronda “as 70 mil toneladas”.
 Na última campanha olivícola de 2011/2012, a cooperativa recebeu 37.500 toneladas de azeitona, mais 6.500 toneladas e o equivalente a um aumento de 17 por cento em relação à anterior campanha de 2010/2011, precisou.
 A azeitona recebida permitiu produzir 7000 toneladas de azeite, mais quase duas mil toneladas do que as 5.100 toneladas produzidas na campanha de 2010/2011, indicou.

 Na área de influência da CAMB, em termos de volumes de azeitona apanhada e azeite produzido, foi “uma excelente campanha, bateram-se recordes”, mas “há outros recordes ao contrário e que têm a ver com o grande problema do sector”, ou seja, “o preço do azeite, que está historicamente muito baixo”, lamentou.
 Neste momento, “o preço do azeite está a bater recordes pela negativa”, o que “origina uma fraca rentabilidade dos olivais”, disse.
 Segundo João Ribeiro, 90 por cento do azeite produzido pela cooperativa na última campanha é virgem extra, ou seja, tem um teor de acidez abaixo dos 0,8 por cento.
 “Ao contrário de outros novos lagares e olivais que têm surgido no Alentejo e têm por base plantações de variedades espanholas”, o azeite da CAMB é produzido a partir de olivais cuja “grande maioria” das oliveiras é de variedades de azeitona “genuinamente portuguesas”, frisou.
 A seca também está a “preocupar” a cooperativa, porque, “se não chover entretanto”, haverá consequências para a “grande maioria” dos olivais dos associados, que são tradicionais e de sequeiro.

 As oliveiras “estiveram num período de dormência e, a partir de agora, com a primavera e as temperaturas mais altas, é que vão começar a crescer novamente e necessitar de mais água”, explicou.
 “Se chover entretanto, a seca poderá não ter uma influência tão direta no olival, como já está a ter noutras culturas da região”, como pastagens e cereais, admitiu.
 Os efeitos da seca também se farão sentir nos olivais de regadio, mas “em termos de aumento dos custos com rega”, já que, nesta altura, há agricultores a regar e “não era suposto”.

* Produção do Alentejo aumenta 19 por cento e atinge 33 mil toneladas

 Os lagares do Alentejo, a região portuguesa que mais azeite produz, produziram 33 mil toneladas na última campanha olivícola, o que representa um aumento de 19 por cento em relação à anterior.
 Na campanha de 2011/ 2012, segundo “dados provisórios”, foram apanhadas “cerca de 210 mil toneladas” de azeitona nos 165 mil hectares de olival da região, adiantou Henrique Herculano, do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo.
 Trata-se de uma quantidade “ligeiramente superior” à registada na anterior campanha de 2010/2011, quando tinham sido apanhadas “cerca de 200 mil toneladas” de azeitona, disse. A partir da azeitona apanhada, precisou, os cerca de 60 lagares do Alentejo produziram “33 mil toneladas de azeite, um aumento de 19 por cento” em relação à campanha de 2010/2011.
 “Em termos de produção, foi uma boa campanha, com boa produtividade”, frisou, referindo que no início da campanha, em outubro, a qualidade da azeitona era “boa”, mas, “a partir das chuvas de novembro, desceu”.
 Segundo Henrique Herculano, a actual situação de seca “com certeza que irá afectar” a produção de azeitona na próxima campanha de 2012/2013, mas “também poderá afectar” a seguinte de 2013/2014.
 “O grau em que a seca irá afectar a produção” de azeitona na próxima campanha “vai depender muito se chover ou não nas próximas semanas”, mas irão registar-se “quebras” de produção “sem qualquer dúvida”, disse.
 No entanto, “a extensão das quebras de produção” à campanha de 2013/2014 “dependerá muito da chuva que cair nos próximos meses”, frisou.
 “Os ramos que frutificam são ramos com um ano, portanto, se faltar água a taxa de crescimento vegetativo vai ser mais baixa, o que irá levar a que existam menos ramos com hipótese de frutificar no ano seguinte”, explicou.