Main Standard Garage faz 50 anos de existência: um marco da comunidade portuguesas na economia de Joanesburgo

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  José João Abreu e Matilde Abreu são uma refe-rência não só na Comunidade portuguesa, mas da própria cidade de Joanesburgo. A Main Standard Garage situada na Main Street, em Rosettenville, é um ponto de referência, não só pelo serviço que presta, mas pela família Abreu que ali está desde 1969. Começou como bomba de gasolina da Shell e também um centro de venda de pneus, alinhamento de direcções e balanceamento de rodas. Há décadas como agente oficial da Dunlop – entre outras marcas de pneus – e a fazer pequenas reparações e serviços mecânicos. Foram dos pioneiros no sistema de venda de pneus a crédito.

   A Main Standard Garage faz este ano 50 anos de existência e o Século de Joanesburgo foi saber junto dos mesmos proprietários há cinco décadas como tudo começou, a evolução do bairro e o que vaticinam para o futuro. Nas instalações da garagem, isto foi o que nos disseram…

  Michael Gillbee – Dêem-nos um pouco do vosso historial. Nasceram na Ilha da Madeira. Com que idade é que vieram para a África do Sul?

  José João Abreu – Em 1966, directamente para a África do Sul.

  MG – E como é que começaram a trabalhar cá? Foi logo aqui na garagem?

  JJA – Não, não. Fui trabalhar para a firma de um inglês e trabalhei um ano lá. Depois, ele fechou a oficina e fui para a Grovenor Motors. Trabalhei lá dois anos e então é que me estabeleci aqui com um sócio, que já faleceu.

  MG – Mas era mecânico?

  JJA – Mecânico, sim. É o ofício que aprendi.

  MG – E vieram os dois casados de lá?

  Matilde Abreu – Já sim. Casámos em 1966, mas fiquei na Madeira e só vim em 1967. Quando cheguei aqui, fui trabalhar para o Truworths e, em 1969, quando o meu marido comprou a garagem então comecei a trabalhar com ele.

  MG – E o José João fazia a parte de mecânica, bomba da gasolina e os pneus. E a Matilde?

  MA – Eu trabalhava no escritório. Fazia as contas da gasolina e os pagamentos.

  JJA – Nessa altura, juntamente com um sócio.

  MA – Tinha uma senhora que era a esposa do sócio do meu marido. Era bom homem, muito trabalhador mas só gostava de trabalhar depois das quatro horas da tarde, por isso é que eles saíam sempre daqui às onze e meia, meia noite… era sempre assim.

  MG – Mas como é que surgiu a oportunidade de terem a garagem?

  JJA – Eu trabalhava juntamente com o meu sócio na Grovenor Motors e nós começámos a falar em nos estabelecermos.

  MG – O seu sócio também era português?

  JJA – Era português era! E, entretanto, apareceu esta garagem praticamente fechada. Estava na falência, mas altura que viemos para aqui foi na altura que a imigração também veio. Ora, nós abrimos isto e tivémos aqui um sucesso total. Tinha-se clientela que nem se sabia o que havia de fazer com tanto trabalho que tínhamos. E a gasolina foi uma coisa muito boa.

  MG – Houve uma altura de restrições que havia proibição de vender gasolina ao fim-de-semana. Como é que lidaram com isso?

  JJA – Não, não foi logo de princípio. Foi mais tarde, mais ou menos em 1974 com as sanções.

  MA – Fechava a venda de gasolina à sexta-feira…

  JJA – …e só abria à segunda-feira de manhã. Podia vender-se gasolina aos táxis ou a quem tivesse uma licença para comprar.

  MA – Por exemplo, se quisesse ir a Moçambique ou ao Botswana no fim-de-semana, ia à Polícia pedia uma licença para encher o carro e vinha aqui. Telefonavam lá para casa e nós vínhamos aqui encher o carro quando era um cliente, claro! De resto, fechava às seis horas da tarde de sexta-feira e só abria segunda-feira às seis da manhã.

  JJA – [exclama] Nunca houve falta de gasolina. Simplesmente, havia restrições.

  MG – E como é que lidavam com isso?

  JJA – [afirma] Olhe, foi o melhor tempo!

  MG – Porquê?

  JJA – Porque vendia-se gasolina na mesma…

  MA – Vendia-se na mesma e sábado e domingo passaram a ser dias de descanso. Eram em casa.

  JJA – Estávamos descansados. Foi um bom tempo, mas mesmo bom tempo!

  MG – E porque é que optaram pela Shell?

  MA – Era Shell porque já era o que estava.

  MG – Compraram a licença, ficaram com o espaço.

  MA – Não. Nós comprámos a gasolina que estava nos tanques. A garagem custou 5.000 randes, a chave. E no dia 25 à meia-noite, viémos aqui os três, o sócio, o meu marido e eu… e acho que a mulher do sócio também veio. Viémos aqui medir a gasolina que estava dentro dos tanques para pagar ao senhor que era dono da garagem. A gasolina era dele. E a chave, pagámos a chave, nessa altura foi muito dinheiro.

  JJA – Sim, mas ainda assim… ainda assim foi barato.

  MG – Mas o espaço estava para venda?

  MA – Não. O espaço não estava para venda porque a Shell não vendia. Isto era da Shell, o senhor antes de nós só alugou o espaço à Shell.

  JJA – E continuei a alugar. Mais tarde é que comprei a propriedade à Shell.

  MG – É exactamente aí onde quero chegar. Portanto, no início era só aluguer.

  MA – Pagávamos a renda à Shell e o resto era para nós.

  MG – E quando é que compraram o espaço para vocês?

  MA – [pondera] boa pergunta! Espere, deixe lá ver… foi nos anos 80.

  JJA – Quando é que foi o Campeonato do Mundo em Espanha?

  MG – Foi em 1982.

  JJA – Foi nessa altura. É uma referência que eu tenho.

  MA – Havia um caxeiro viajante que vinha sempre aqui e uma vez numa brincadeira o meu ma-rido perguntou-lhe: “olha lá, a Shell não quer vender o prédio?”. E ele disse “é um questão de nós falarmos com eles”. E ele falou e a Shell aceitou. Fizémos uma oferta e comprámos o prédio. Mas não foi uma coisa que fossemos à procura. Foi uma brincadeira. Pensámos, vamos perguntar ao Sidney se eles vendem o prédio.

  JJA – E foi barato. Foi barato! 120 mil randes naquela altura. E tem graça que ele perguntou “quanto é que tu queres dar?” E digo-lhe, “olha, eu dou 200 mil” e ele respondeu “não, vais dar 100. Vais oferecer 100 mil randes e depois dás mais 20, faz 120 mil randes”. O que eu tenho de referência é que eu paguei-lhe o bilhete para ele ir ver o Campeonato do Mundo em Espanha.

  MG – Portanto, em 1982 compram o espaço. A garagem passa a ser vossa e continuam a ter a garagem da Shell, os pneus e a parte da mecânica.

  MA – Sim, exactamente isso. E a Shell dava-nos 0,5 de comissão da gasolina que vendíamos. Por exemplo, se vendesse 200 mil litros, eles davam meio cêntimo por cada litro.

  MG – Foram vocês que começaram com a campanha de crédito. As pessoas podiam comprar um conjunto de pneus e ir pagando e à medida que estavam pagos eram colocados no carro.

  MA – Nós tínhamos aqui clientes muito bons.

  JJA – E a maior parte dessa gente foi toda para Portugal.

  MA – E houve clientes que eram do anterior arrendatário da garagem que ficaram connosco. Eles disseram que iam experimentar, se gostassem do serviço continuavam connosco. Porque naquela altura havia um depósito na gasolina. Eu tinha aqui um cliente que tinha R18 de depósito. Mas 18 randes naquela altura dava para meter gasolina o mês todo, num carro pequeno. Eu tinha um Mini que enchia com um rand e oitenta.

  Hoje R1.80 nem sequer é um litro! Nem anda o carro [risos].

  MG – E como é surgiu essa ideia do crédito?

  JJA – São coisas do tempo. Vieram necessidades. Mas nós fazíamos mais aos portugueses, dávamos crédito mais aos portugueses. Porque nessa altura a imigração era uma imigração honesta. Hoje é diferente. Mas nessa altura eram homens de trabalho, homens que vinham da província e boa gente. Gente honesta. Não engavam ninguém. Não digo que aparecesse um ou outro, mas na generalidade era boa gente.

  MA – Hoje é meio mundo a querer enganar outro meio.

  JJA – Hoje, quando alguém vem falar em crédito, [abre os braços e faz sinal não] está fora de questão! A não ser as pessoas que conhecemos muito bem, temos ainda contas abertas aqui. As pessoas mudaram completamente.

  MG – A certa altura deixaram de ter a bomba de gasolina. Porquê?

   MA – Dava muita dor de cabeça.

  JJA – Para já, para continuar na gasolina era um investimento muito grande. Tinha que se in-vestir muito dinheiro.

  É um bom negócio a gasolina! Mas, dá muita dor de cabeça. Porque não somos nós que re-cebemos o dinheiro, são os funcionários. Havia sempre falta de dinheiro. E pode-se ter o equipamento mais moderno, mas eles arranjam sempre maneira de faltar dinheiro. Então eu decidi fechar a gasolina e ficar só com os pneus, onde temos muito controlo.

  MG – Reformularam o espaço e ficaram só com os pneus

   JJA – Pneus, alinhamento da direcção, pequenas reparações e já não se fazem grandes repa-rações porque os carros modernos são muito mais difíceis de trabalhar e, em comparação, os carros são melhores!

  MG – Ficaram como representantes oficiais da Dunlop.

  MA – Da Dunlop. Nós já eramos da Dunlop, há mais de 20 anos. Já vendíamos pneus da Dunlop mas Dunlop, Dunlop mesmo há 22 dois anos. O espaço é igual, só fizémos coisas novas.

  JJA – Isto só está agora é situado num lugar mau. Mas tem tudo o que é de moderno.

  MG – Desde esse tempo, aqui 1969 até agora, 50 anos. Viram esta zona, este bairro todo e o quanto se degradou.

  MA – Naquele tempo não se arranjava uma loja aqui na Main Street para alugar. Era limpo e lin-do.

  JJA – Havia aqui botiques, tinha aqui lojas de toda a variedade.

  MA – Tinha tudo aqui na Main Street

  JJA – O primeiro Kentucky Fried Chicken (KFC) na África do Sul foi aqui.

  MA – [afirma] Foi este que abriu aqui na Main Street! O primeiro Nando’s.

  JJA – Vimos tudo!

  MG – Com que olhos é que vêem o que é agora?

  MA – Triste.

  JJA – Triste!

  MA – Eu às vezes penso que quem conheceu esta rua, como eu, e que vem agora a esta rua, pensa que o Mundo está para acabar. É incrível. É incrível a mudança. Não há palavras!

  JJA – Não há palavras!

  MA – É degradante. Roubam, estragam, vêm cá de noite partem.

  JJA – Neste momento, há negócios aqui… tem o Rio Douro, tem o SPAR, nós estamos aqui e tem a Suzuki lá em cima. De resto, desapareceu tudo. Todo o tipo de lojas.

  MA – Tinha advogados, tinha farmácia, tinha tudo e tudo acabou.

  MG – Olhando a transformação toda, sem querer ser pessimista, com que olhos vêem o futuro da África do Sul?

  JJA – Isso é uma pergunta um bocado difícil. Difícil. [fica em silêncio]

  MA – [suspira profundamente e baixa a cabeça ao fechar os olhos] Respondendo à pergunta… isso depende de cada um. Qual é a ideia de cada um. Eu não posso dizer o que vamos fazer porque não sabemos. As coisas na Europa também não estão às mil maravilhas. Eu vou mantendo. Que não está bom, não está! Agora, será que é melhor sair? Será que é melhor ficar? Será que lá fora vamos encontrar melhor?

  JJA – Por enquanto aqui, com o que temos aqui é difícil ir para Portugal e ter o que temos aqui! A qualidade de vida, uma parte da qualidade de vida. Eu estive agora dois meses e meio na Madeira, é difícil a nós integrarmo-nos lá da maneira como nos integrámos aqui.

 Por exemplo, quem tem Medical Aid aqui é melhor. Para quem não tem, a Madeira é melhor. Mas, lá, é uma gente muito fechada! Portugal é uma gente muito fechada. A Madeira é pior do que o continente, o continente é mais aberto.

  MG – Em Portugal não acham que por serem emigrantes e terem feito boa vida e sucesso…

  MA – [interrompe e pergunta] que eles não gostam de nós? Sim senhora! É verdade! Eles olham para nós com uma cara que parece que roubámos alguma coisa a eles.

  JJA – Eu vou ao lá tratamento e noto que sou tratado como emigrante.

  MA – [interrompe e afirma peremptoriamente] Mas isso é o meu marido, porque se fosse eu, eles não faziam isso. Eu não deixo! Eu não deixo que eles me tratem de forma diferente e como emigrante. Sabe porquê? Eu emigrei por uma ra-zão: para eles hoje estarem bem, muita gente teve que sair do país. Porque se tivéssemos todos lá, toda a gente vivia mal!

  JJA – Lembre-se de uma coisa, só em França deve de haver mais de um milhão de portugueses. E aqui já não há tantos, mas na Venezuela e noutros lados. Os Estados Unidos… só que a emigração para os Estados Unidos é diferente, as pessoas vão e ficam porque é um país estável. Aqui não é estável e está a sair muita gente daqui.

  MG – A família Abreu sempre foi muito ligada à Comunidade portuguesa, muito amiga de ajudar, de fazer o bem sem olhar a quem. O que é que os levou a ser assim?

  JJA – É preciso ver uma coisa, é uma necessidade. A gente quando está num país estrangeiro temos que ser solidários. É preciso ser solidário. Nós tivémos aqui tanta família, tivémos aqui pessoas que não tinham documentos que precisavam de apoio.

  MA – [suspira profundamente e explica de forma pausada] Desde arranjar vistos, desde dar cartas a esta gente que veio de Moçambique em 74, dar cartas de trabalho, ir ao Departamento de Imigração com eles. Abrir contas no banco, eu pedia para abrir uma conta àqueles homens e àquelas senhoras que não tinham residência nem tinham nada. Desde isso até ir à Imigração na baixa de Joanesburgo, eu ia. Porque eu fui criada com uma tia que tinha pena dos pobres.

  JJA – Tivémos um primo quase 10 anos a viver, a comer e a beber sem pagar nada.

  MA – Quando foi o problema de Angola, tivémos lá em casa o dr. Jaime Nogueira Pinto e a esposa que já faleceu e o filho, que estiveram hospedados na minha casa não sei quanto tempo.

 Quando veio aquela gente de Moçambique, quando vieram aqueles refugiados todos, nós íamos ali à Bree Street levar roupa, levar comida, cobertores.

  Tanta coisa. Mas isso é parte da minha pessoa, é aquilo que eu sou! Por isso é que eu digo, vocês não olhem para a roupa que eu visto nem para o meu penteado. Olhem para o meu coração, o meu coração é que manda!

  [graceja] Isto que eu tenho vestido é só para não vir nua! De resto é o meu coração que man-da.

  JJA – Sabe o que é um cêntimo? Nunca cobrámos às pessoas.

  MA – [declara em voz forte] Eu não fui à procura de nenhuma comenda! Eu quero que saibam isso. Eu trabalhei para ajudar os pobres.

  JJA – Era uma necessidade naquela altura.

  MA – Eu ainda hoje ajudo. Seja o que for que me peçam, se puder eu vou. Se eu não puder, eu não vou!

  MG – Com que olhos é que vêem a Comunidade portuguesa?

  JJA – Sabe uma coisa, nós trabalhamos com uma Comunidade do continente. A Comunidade do continente veio aqui à África do Sul para arranjar dinheiro para uma casa. E foi uma Comunidade de curto espaço de tempo e a maior parte dessa gente já foi toda embora.

  MA – 90% eram continentais.

  JJA – 90% eram continentais! O madeirense é mais agarrado aqui a isto. Porque há duas razões para isso: é que no continente há mais oportunidades, tanto que eles arranjavam uns tostões e havia mais oportunidades. Na Madeira não, é um meio muito pequenino, não há oportunidades. Não há indústria! Há um bocadinho de comércio, os serviços mas é mais turismo.

  No entanto, há ainda muito continental aqui, é preciso ver isso! O madeirense está espalhado. Havia aqui uns madeirenses mas poucos.

  MA – Uns, também já morreram, outros foram para a Madeira.

  MG – A garagem continua vossa?

  MA – Sim, nossa e bem nossa.

  MG – Mas quem está a gerir é o vosso sobrinho? O Gabriel.

  MA – É o meu sobrinho. Até que ele queira trabalhar, segue. No dia que me disser que não quer trabalhar mais, eu tenho um problema. Vou ter que vender o stock…

  JJA – E vender o prédio.

  MA – E vender o prédio! Que eu pensava que dava muito e agora não dá nada!

  JJA – E está tudo arranjado e equipado.

  MA – Não falta nada. Temos macacos e elevadores. Temos máquinas de alinhar a direcção. Stock.

  MG – Que conselhos é que dão aos jovens e a quem quer abrir um negócio?

  JJA – É uma pergunta muito difícil de responder. A situação como está e a política do governo sul-africano, para os jovens não tem futuro. A não ser altamente qualificados e que tenham emprego, estas multinacionais precisam desta gente altamente qualificada, de resto não estou a ver futuro para a juventude. Não podemos cortar a inteligência das pessoas e uma coisa importante num país é a tecnologia e isso é coisa com homens de cabeça. Estão a cortar isso tudo, seja como for as coisas precisam de levar uma volta. Ser agricultor, por exemplo. Hoje em dia é muito difícil por causa das alterações climáticas, é preciso acompanhar o que está a acontecer, preciso preparar para os maus tempos.

  MA – Eu, a minha ideia, se fosse jovem não ficava aqui. Eu ia à procura de um mundo melhor. Porque aqui o racismo não acabou nem nunca vai acabar. Não falo de branco contra negro, falo na xenofobia e racismo generalizado e isso nunca vai acabar. Esta disse-me o antigo cônsul-geral dr. Brito Câmara, que eu nunca mais me vou esquecer: “toda a gente merece ser respeitada. Até o homem que me tira o lixo de casa”. Porque ele próprio não sabia fazer aquele trabalho e tinha que respeitar quem faz coisas que nós não conseguimos nem sabemos fazer. Por isso, trabalhar arduamente, respeitar os outros e tentar ver as melhores oportunidades.

  O casal Abreu é pautado pela bondade, trabalho árduo e dedicação. Casados há décadas completam os pensamentos e frases um do outro em perfeita sintonia. José João Abreu é de estatura alta e elegante, tem sempre um sorriso nos lábios e um conselho para dar, fruto de décadas de experiência de vida. Fala de forma pausada e com profundidade de conhecimento de causa. Matilde Abreu é de estatura baixa e elegante e é caracterizada pelo sorriso sempre aberto e sentido de humor apurado e mordaz. Matilde Abreu tem sempre um conselho para oferecer ou uma palavra de conforto para com aqueles que necessitam. Ambos são conhecidos por ajudar, pelo trabalho de caridade em prol da Comunidade portuguesa e continuam iguais, mais velhos, com rugas fruto do trabalho de uma vida inteira, mas quem conheceu José João e Matilde Abreu há 50, reconhece-os hoje sem problemas. A família Abreu continuará a ser uma referência na cidade bem como a Main Standard Garage, um ponto de paragem “obrigatório” para pneus novos ou dois dedos de conversa.