Magusto 2018 no Lar Rainha Santa Isabel

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Decorreu no fim-de-semana de 24 e 25 de Novembro, no Lar da Rainha Santa Isabel em Albertskroon, Joanesburgo, o festival anual do Magusto daquela instituição.

 Com o intuito de angariação de fundos para o Lar de Idosos, a Sociedade Portuguesa de Beneficência (SPB) organiza anualmente o festival da castanha em celebração do S. Martinho e da tradição tipicamente portuguesa desta altura do ano.

 

* Sábado, 24 de Novembro

 

 Durante o primeiro dia de Magusto, o sábado 24 de Novembro, o dia foi taciturno, com as pesadas e baixas nuvens carregadas de chuva, habituais nesta época do ano a entrar no Verão em Joanesburgo. A chuva abateu-se sobre o recinto do Lar e o número de festivaleiros não se aproximou ao do ano anterior, pese embora, a tenda esti-vesse composta.

 Devido à forte chuva e a um problema no gerador, não houve possibilidade de sistema de som para haver música, o que levou a que o rancho folclórico Terras do Norte optasse, devido ao adiantado da hora, por não actuar. Mas, o problema foi resolvido por Dominic Pais, que conseguiu um segundo gerador a tempo do novo rancho da Associação Portuguesa de Vanderbijlpark poder actuar. Um grupo folclórico revelação, que é composto maioritariamente por jovens portugueses apaixonados pelo folclore.

 Quanto ao torneio da sueca, os vencedores da jornada do Magusto 2018 foi a dupla “Mafiosos” composta por Serginho e Eddie. Em segundo lugar ficou a dupla “Núcleo 1” composta por Jonny e Augusto e em terceior lugar a dupla de irmãos Ricky e Roger Infante.

 Os prémios foram entregues por Rui Policarpo. O dia foi concluído com alguns festivaleiros a permanecer no interior da tenda e a degustarem os vários pratos típicos portugueses em oferta, como sardinhas assadas, espetadas, frango grelhado na brasa, espetada, entre outros grelhados no carvão.

 

* Domingo, 25 de Novembro

 

 O último dia do Magusto 2018 começou cedo pelas 8 horas da manhã, com um passeio a pé com ciclistas do Luso Cycling, motards portugueses, residentes do Lar e membros da organização do evento e da Direcção da instituição. Ao todo, foi um total de 70 pessoas que se juntaram e fizeram uma caminhada para an-gariarem no primeiro ano, cerca de 5 mil randes para o Lar Santa Isabel.

 A manhã continuou com animação ao som de músicas portuguesas e com as pessoas a chegarem aos poucos para preencherem os espaços. Um número consideravelmente maior do que no dia anterior, mas nem de perto os números do ano anterior, agora certificado como o maior e melhor Magusto da SPB de sempre.

 A forte chuva de Verão, intermitente na forma de fortes aguaceiros de dez a quinze minutos, impediu os espaços de ficarem completamente repletos.

 O exterior do recinto do Magusto estava pouco ocupado, no entanto, o interior da tenda estava repleto e não havia lugar para sentar a uma mesa. As pessoas abrigaram-se do tempo e o convívio foi feito na maioria no interior da tenda. As pessoas saiam rapidamente para irem buscar ou farturas à casinha das farturas da Beneficência ou para ir à banca das castanhas, cuja chefia esteve a cargo do comendador José Valentim, que com visível experiência estava na supervisão dos assadores, a assar castanhas, a fazer e a manter os fogareiros e a vender também as próprias castanhas.

 O estalar das castanhas foi um grande atractivo para todos, que a dada altura da tarde – como é habitual todos os anos – formava fila para as “quentes e boas” que estavam uma primazia.

 A castanha, este ano vinda novamente de Portugal, assou na perfeição, despiu a camisa por completo e apesar de não ser muito doce, tinha um sabor equilibrado e estavam todas elas assadas na perfeição.

 Muitos foram os comentários positivos dentro e fora da tenda de “as melhores castanhas de sempre”, “muito boas, fartei-me de comer e ainda não encontrei uma má”. Uma prova do excelente trabalho feito pelo executivo da Beneficência para manter as tradições lusas e esmerarem o atractivo da festa, a castanha.

 O preço é que não foi muito do agrado dos festivaleiros, mas que compreendem o câmbio do rande em relação ao euro e os elevados custos de importação. Foi, no entanto, o ponto alto de todo o fim-de-semana, a castanha portuguesa. Que também se encontrava à venda em pacotes de um quilo.

 A tarde, com almoço composto dos vários pratos típicos portugueses, foi pontuada pela entrega de um certificado de compadre honorário da Academia do Bacalhau de Joanesburgo ao comendador Salvador Pais Pereira. Este, que doou também mais 20 mil randes à Academia-Mãe do Bacalhau e licitou um cachecol do F.C. Porto assinado pelo presidente do clube, Pinto da Costa, pelo valor de 15 mil randes.

 No envento interveio o cônsul-geral de Portugal em Joa-nesburgo, Francisco-Xavier de Meireles. Apesar do muito barulho, o diplomata afirmou “gostava de lembrar a todos que hoje faço dois anos de serviço à Comunidade portuguesa em Joanesburgo. Cheguei cá a 25 de Novembro de 2016 e fiz um compromisso que o meu mandato seria ao serviço da Comunidade.

 Como sabem, as novas instalações do Consulado-geral de Portugal além de serem modernas e airosas têm também um ar do Portugal moderno. Foi o compromisso assumido e feito também de continuarmos em Bruma. Mudamo-nos da 11 Ernest Oppenheimer Avenue para o número 15 da mesma avenida. Ora, isto reflecte-se em números, aumentámos o número de actos consulares em 30% em menos de um ano com as mesmas funcionárias consulares. Ali, nas novas instalações, já fizemos um concerto, um festival de cinema, reuniões das associações e da câmara de comércio e ainda a inauguração do próprio Consulado-Geral com a presença do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

 Tenho também orgulho que os sul-africanos tenham redescoberto Portugal, com um aumento de 300% de visitas a Portugal. Continuo empenhado hoje, como estava no dia que cheguei. Bem hajam por participar, contem comigo hoje e sempre”, concluiu o diplomata.

 A seguir, foi a vez do embaixador de Portugal, Manuel de Carvalho, intervir.  “Boa tarde, não irei tomar muito do vosso tempo. Tenho a honra e o prazer de estar aqui, quero pedir uma grande salva de palmas para a Academia do Bacalhau e para todos os patrocinadores que angariaram um milhão e duzentos mil randes para esta grande instituição.” O embaixador de Portugal apelou à continuação da festa, pois todo o gasto reverte para os fundos da Beneficência.

 Contou a todos o prazer de estar na África do Sul e do prazer que tem em servir os portugueses neste país residentes. Deu os parabéns a todos pela festa e fez votos de Boas Festas.

 A tarde foi de animação musical com a actuação do rancho folclórico da Casa dos Poveiros, Miguel Pregueiro, Chopper, o rancho folclórico Troyeville/NAC, Roberto Adão e de Jabulani com as suas marionetas dançantes, bem como do acordeonista Cláudio Alho. A festa continuou até ao serão com muito convívio e música.