Máfia da construção civil ataca outros sectores de actividade económica na África do Sul

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 Vários grupos criminosos, localmente conhecidos por “máfia da construção”, embora prefiram ser apelidados de “forum de negócios”, estão a alargar as suas alegadas actividades de extorsão a nível nacional, tendo agora como alvo vários sectores de actividade económica no país.

 Segundo a imprensa sul-africana, estes “gangs armados” começaram por invadir várias obras em construção na província do KwaZulu-Natal (KZN), para exigir 30% do trabalho contratual da obra, e movimentam-se agora para outras partes do país exigindo “a contratação de pessoal local em vez de profissionais de

fora da área [do projecto]”.

 “Tudo isto deriva de nova legislação em torno do Quadro Legal de Compras Preferenciais, que permite a alocação de 30% do valor total contratual dos contratos de obras públicas [do Estado] a determinados grupos designados, nomeadamente SME’s (Pequenas e Médias Empresas) de propriedade de empresários negros”, escreve o diário Citizen na sua edição de quarta-feira.

 Todavia, adianta o jornal, os regulamentos “não se aplicam aos contratos do sector privado da construção civil, mas ainda assim não dissuadiu os

chamados “foruns” locais”.

“Está a acontecer por todo o país e em vários sectores da economia. Por exemplo, no Cabo Oriental, lidei com um caso na semana passada em que um importante projecto estatal foi paralizado durante um mês por grupos locais exigindo emprego naquele projecto”, afirmou o advogado Peter Barnard ao jornal sul-africano.

 Segundo Barnard, “as comunidades locais, que beneficiariam do hospital, são a principal vítima”.

 “Existem quatro grupos envolvidos, entre os quais as associações de veteranos MK, [do ANC, partido no poder], associações de taxis, foruns de negócios e comunidades”, explicou o advogado.

 “A solução passa pelo reforço da actuação policial e por uma maior clarificação por parte do parlamento da legislação em torno da alocação de 30% para as SME’s”, salientou Barnard.

 Na penúltima semana, num congresso de construtores civis, realizado em Joanesburgo, representantes do sector acusaram a polícia de impassividade na resolução das acções criminosas contra os projectos de construção civil.

 Por seu lado, Gregory Mofokeng, responsável do Black Business Council, uma organização pró-ANC, disse que “as empresas de construção precisam de absorver o maior número possível de sul-africanos, caso contrário, a juventude irá criar caos”.