Madeirenses tiram menos férias e operadores locais sobrevivem graças aos estrangeiros

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Madeirenses tiram menos férias e operadores locais sobrevivem graças aos estrangeiros

A crise está a reduzir a procura dos madeirenses pelo turismo dentro de portas, revelaram vários operadores turísticos da região, que cada vez sobrevivem mais graças aos turistas estrangeiros.

 Daniel Côrte, da Madeira Rural – Associação de Turismo em Espaço Rural da Região Autónoma da Madeira, que representa cerca de 80 por cento das unidades de turismo em espaço rural da Madeira e Porto Santo, disse que “tem tido uma maior procura pelos serviços por parte do cliente regional mas, apesar disso, essa procura não se tem traduzido na aquisição efetiva de serviços”.
 O dirigente desta Associação revelou, contudo, que “em re-lação ao período de verão a taxa de ocupação das unidades de alojamento representada pela Madeira Rural so-freu um aumento de quatro por cento relativamente a igual período transato” mas para esse aumento “contribuíram as estadias de clientes de nacionalidade estrangeira, as estadias por parte de clientes regionais sofreram um decréscimo”.
 Outras unidades hoteleiras sem ligações à Madeira Rural e localizadas fora da cidade do Funchal, nomeadamente na costa norte e oeste da ilha transmitiram também que, devido às dificuldades económico-financeiras atuais como o aumento dos impostos e o desemprego, a procura regista igualmente uma quebra, embora não a quantifiquem estatisticamente.
 “Não sei ao certo a percentagem, mas nota-se a diferença”, afirmou Márcia Silva, da residencial Salgueiro, no Porto Moniz. Para esta profissional de hotelaria, “comparativamente a outros anos, a procura não tem sido muita”.
 “As reservas que têm aparecido são de última hora e não são prolongadas, são por períodos muito curtos, um ou dois dias no máximo e verificam-se mais aos fins-de-se-mana”, acrescentou.
 Tânia Pacheco, do Hotel Colmo de São Jorge, comunga também que a “procura está mais ou menos, não é muito mais do que em anos anteriores e verifica-se mais aos fins-de-semana ou nos feriados ou quando se verifica uma “ponte, porque durante a semana é raro”.
 José Manuel Teixeira, do Hotel Euromoniz, no Porto Moniz, admitiu que “agosto não está mau, há sempre uma procura” mas lembra que é um mês de festas, quer na localidade, quer nos concelhos limítrofes, sobretudo em São Vicente.
 Joana Andrade, da Estalagem da Encumeada, revelou que “a unidade tem tido algumas reservas de pessoas de cá e alguns chegam aqui e acabam por decidir ficar uma ou duas noites” mas recordou que os incêndios florestais de final de Julho “trouxeram também muitas consequências para o hotel”.
 O Hotel Estalagem do Mar e o Monte Mar Palace Hotel, situados na Baia dos Juncos e na Ponta Delgada, no concelho nortenho de São Vicente, apesar de receberem alguns pedidos de informação “não estão a trabalhar com madeirenses”, referiu Maria da Fé.
 Estes dois hotéis, outrora também procurados por madeirenses, trabalham, ago-ra, sobretudo com turistas franceses e polacos.
 O Calheta Beach, na Calheta, na costa oeste da Madeira, também deixou de ter programas dirigidos ao mercado regional: “estamos sempre cheios com grupos da Ale-manha, França e Eslovénia e, por isso, praticamente não recebemos madeirenses”, explicou Jésica Canha.