Madeira vai receber mais de um bilião de euros para obras de reconstrução

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Madeira Quase metade do valor da verba para fazer face aos danos do temporal de 20 de Fevereiro na Madeira será canalizada para área da hidrologia, devido aos estragos nas ribeiras, anunciou o Governo Regional.

O primeiro ministro, José Sócrates, anunciou segunda- feira, no Funchal, que a comissão paritária constituída por elementos dos governos central e regional estimou os prejuízos da intempérie em 1080 milhões de euros.

 De acordo com o levantamento efectuado, depois dos danos provocados nas zonas das ribeiras do Funchal, Ribeira Brava e Santa Cruz, cujas obras ascenderão a 488 milhões de euros, a maior fatia das verbas vai para a reparação de estradas, cujas obras deverão custar 236 milhões de euros.
 Na lista divulgada no Funchal dos montantes a destinar a intervenções nas áreas danificadas, segue-se 127 milhões de euros para iniciativas necessárias nos portos e na zona litoral.

 As obras nas redes de abas-tecimento de água, saneamento, eletricidade, edifícios e equipamentos públicos, protecção civil e socorro foram avaliadas em 71 milhões, havendo que somar ainda 36 milhões para as acções na área de habitação.

 Para fazer face a estes prejuízos, o Governo da República vai apoiar com 740 milhões, o executivo da Madeira custeará 309 milhões, estando prevista a reafectação do PIDDAC em 25 milhões e a candidatura ao Fundo de Solidariedade da União Europeia para os restantes 31 milhões de euros.
 O projecto de reconstrução da Madeira apontado por José Sócrates é para três anos.

 O temporal que assolou a Madeira e que fez precisamente dois meses provocou 43 mortos, oito desaparecidos e 600 desalojados.

* jardim diz que postura do primeiro-ministro constituiu “uma lição do que é definir o interesse nacional e de ética política”

 O primeiro ministro, José Sócrates, afirmou que a obra de reconstrução da Madeira é um símbolo daquilo que une o país.
 “Há momentos em que perante a tragédia o dever da controvérsia politica é calar-se para que falem os sentimentos nobres de humanidade, de solidariedade e do dever que temos para com os nossos compatriotas”, afirmou.

 Para o chefe do Governo “são esses laços de amor ao país, esse patriotismo que a todos nos une e a todos nos aproxima”.
 Sócrates sustentou ainda que “perante o trabalho, esforço e a dedicação que todos os portugueses puderam ver aqui na Região Autónoma da Madeira ao longo destas duas últimas semanas, o dever da política é falar com respeito e com consideração desse trabalho”.

 “Estes são os motivos que me levaram a aqui vir, para assinalar a vontade de todos os portugueses para cooperar convosco para que esta obra de reconstrução da Madeira fique como símbolo daquilo que nos une, que é o sentimento de amor à Pátria”, concluiu.

 Por seu turno, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, disse que a postura adoptada por José Sócrates na sequência da tragédia que assolou a Madeira constituiu “uma lição do que é definir o interesse nacional e de ética política”.

 “Ao terminar oficialmente esta sua visita, quero dizer muito obrigado, dizer que o povo da Madeira sabe ser reconhecido perante as pessoas que nos ajudam e pode contar também com a lealdade e a amizade, sem prejuízo dos valores que cada um teimosamente continuará a seguir ao longo da vida”.
 Sobre os valores dos prejuízos do temporal apurados pela comissão paritária, na ordem dos 1080 milhões de euros, Jardim frisou “estar absolutamente convergente nas decisões do primeiro ministro”.

 Depois de um almoço privado numa unidade hoteleira duma das zonas afectadas pelo temporal, José Sócrates terminou a sua quarta visita à região, a segunda desde a catástrofe que marcou um novo ciclo no relacionamento institucional entre os Governos da Madeira e da República.

 A Festa da Flor, evento escolhido para assinalar oficialmente a reposição da normalidade do destino turístico Madeira foi o motivo para esta deslocação de dois dias de José Sócrates à Madeira, onde assistiu ao cortejo alegórico.