Lusodescendentes querem que Portugal pare de dizer “diáspora”

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  Historiadores, linguistas, políticos e jornalistas juntaram-se, na terça-feira, em Lisboa, para discutir o termo “diáspora”, numa iniciativa da Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD), que quer banir o seu uso quando associado às comunidades portuguesas.

  De acordo com a organização, “os lusodescendentes não gostam do termo ‘diáspora’ aplicado às comunidades portuguesas” e por isso, o colóquio “Pare de dizer Diáspora!”, propôs-se explicar o porquê e apresentar alternativas.

  “É comum ouvir a palavra ‘diáspora’ da boca de políticos, jornalistas e académicos. No entanto, essa palavra tem uma conotação claramente negativa aos ouvidos dos próprios lusodescendentes”, sublinhou a organização.

  A AILD disse, por isso, que o colóquio “serviu de ponto de partida para boas e frutíferas discussões sobre os portugueses no mundo”.

  “Se o termo e conceito em si mesmo já transportavam uma conotação negativa à nossa emigração, hoje, com o fenómeno da globalização e da crescente mobilidade das pessoas, ainda faz menos sentido o uso deste vocábulo para nos referirmos aos nossos emigrantes e lusodescendentes. Se queremos defender a portugalidade, temos de abandonar o termo ‘diáspora’ no nosso discurso, é um contrassenso”, defende Philippe Fernandes, presidente da AILD.

   O colóquio foi organizado em colaboração com o departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

  Para Marco Neves, professor deste departamento, “além da história da palavra ‘diáspora’, o colóquio permitiu dar a conhecer alternativas e debater o discurso sobre os lusodescendentes no seio da comunidade nacional”.

  O colóquio contou com a presença de especialistas em história, terminologia, linguística, tradução, cultura e política, destacando-se a participação da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Fernandes, e do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

  Devido às medidas relacionadas com a pandemia, o evento teve um número reduzido de presenças na plateia.