Lusodescendente Victor Gomes é o Melhor Árbitro de Futebol da temporada na África do Sul

0
147

O lusodescendente Victor Gomes nasceu em Joanesburgo a 15 de Dezembro de 1982.

 Aos 35 anos foi distinguido pela segunda vez  como o Melhor Árbitro da África do Sul da época 2017/18.

 Na temporada de 2012/13 recebeu o  primeiro troféu.

 O Século de Joanesburgo aproveitou a oportunidade para trocar impressões com o árbitro Víctor Gomes.

 Como se sente por ter sido nomeado o Melhor Árbitro da África do Sul na temporada 2017/18?

 “Sinto-me feliz e bastante or-gulhoso por receber este troféu pela segunda vez, que serve para premiar toda  a minha dedicação à arbitragem.

 Ostento o galardão em nome de todos os árbitros que militam no futebol sul-africano, porque a arbitragem não é um evento individual, pois tem muito a ver com o trabalho colectivo de toda a equipa.

 O prémio de certo modo  vai criar ainda mais responsabilidade  na minha carreira como árbitro”.

 Os críticos de futebol consideram-no um árbitro mui-to severo no ponto de vista disciplinar.

 “Sou como sou e sinto-me feliz com as decisões toma-das no campo.

 Eu analiso os lances e decido  na altura aquilo que faço.

 Não vou para um jogo com ideias premeditadas, sobre o historial de uma equipa ou de um jogador.

 As decisões são tomadas na altura. Procuro ter uma boa vi-são do lance, que sigo com toda a minúcia e conto sempre com a preciosa ajuda dos outros elementos da equipa de arbitragem.

 Sei que sou conhecido  como o “Mr. Red Card” – mas se expulso jogadores faço-o porque é essa a minha percepção e não pactuo com a violência no futebol, principamente o jogo sujo”.

 Não tem o receio de exagerar e de cometer erros?

 “Sou humano e admito que posso cometer erros. No final de cada jogo, procuro dialogar com os meus assistentes para analisar os lances principais e as decisões tomadas.

 Se o jogo tiver transmissão televisiva,  mais tarde  procuro visionar a gravação e analisar as jogadas em pormenor.

 É um processo, que serve para me aperfeiçoar e evitar cometer os mesmos erros no próximo encontro”.

 Que conselho procura transmitir aos mais jovens que estão a iniciar a carreira na arbitragem?

 “Procurem manter uma personalidade vincada e encarar jogo a jogo bem como jogada a jogada.

  Ter uma visão precisa do lance que estão  a ajuizar e actuar de pronto no momento exacto”

 Experiência como árbitro?

 “Devo mencionar que entrei para a arbitragem  em  1998. Fui ganhando experiência durante anos. Em 2008 fui nomeado árbitro profissional  da PSL e três anos mais tarde, em 2011, ganhei as insígnias da FIFA.

 Na temporada de 2012/13 fui escolhido como o Melhor Árbitro da África do Sul.

 Posso afirmar orgulhosamente que neste ano, 2018, sou um dos cinco árbitros  sul-africanos com estatuto de árbitro da FIFA contando com a companhia de Daniel Bennett‚ Chris Harrison‚ Victor Hlungwani and Thando Ndzandzeka.

 Eventos desportivos internacionais em que participou?

 “Sou um árbitro previlegiado, pois fiz parte do painel de árbitros do Campeonato das Nações Africanas deste ano que se disputou em Marrocos no mês de Janeiro.

 É uma prova de que a (CAF) a Confederação Africana de Futebol acredita no meu po-tencial. Fui árbitro no CHAN-2014  que se realizou na  África do Sul.  No continente afri-cano só me falta apitar jogos em  seis países.

 A CAF tem procurado os meus serviços pois faço parte do Painel da Elite da arbitra-gem africana.

 Aspira um dia ser chamado pela FIFA para apitar na fase final dum Mundial?

 “Está claro que é um dos meus objectivos e, posso afirmar que é um sonho que tento realizar. Fiz parte da lista dos árbitros  africanos, escolhidos para o Mundial da Rússia mas fui preterido, pois achavam que ainda era muito novo e tinha falta de experiência.

 Mas posso afirmar que estou confiante de vir a ser nomeado para o Mundial-2022 no Qatar e possivelmente para o Campeonato Mundial de Júniores do próximo ano”.

 E a presença da Selecção de Portugal no Mundial?

 “O futebol é um desporto emocionante e  não existe o preconceito de equipas poderosas e outras mais fracas.  Todas as selecções são candidatas ao título que terão e discutir dentro do campo.

 Portugal é um candidato a lutar pelo título.

 Podem surgir surpresas é o que torna o futebol um des-porto aliciante”.

 E as possibilidades das cinco selecções africanas que participam no Mundial?

 “Qualificaram-se com mérito e desfrutam da possibilidade de alcançarem uma boa classificação. Terão que provar o seu valor dentro do campo” Como analisa o momento actual do futebol sul-africano?

 “A Primeira Liga sul-africana está bem cotada a nível mundial. A selecção nacional sul-africana terá de procurar alcançar os seus objectivos – ou seja a qualificação para o próximo Mundial”.