Luso-canadiano Charles Sousa garante estar pronto para ser PM do Ontário, Canadá

0
72
Comunidades

O político e ex-ministro luso-canadiano Charles Sousa, candidato à liderança do Partido Liberal, assegurou ter a experiência e estar pronto para ser o primeiro-ministro provincial.

 A eleição realiza-se nos próximos dias 25 a 27 durante a convenção desta força partidária em Toronto, evento que este ano assume a caraterística especial de dar imediato acesso ao cargo de primeiro-ministro do Ontário.

 Isto por ter sido motivada pela demissão do líder Dalton McGuinty, que assim interrompeu o seu terceiro mandato de chefe do Governo na província, pelo que o seu sucessor retomará a governação.

 Deputado no Ontário desde 2007, eleito pelo distrito eleitoral de Mississauga-Sul, Charles Sousa foi ministro do Trabalho na província, de 2010 a 2011, e a partir desse ano ministro provincial da Cidadania e da Imigração e mi-nistro responsável pelos XVII Jogos Pan-Americanos e V Jogos Parapan-Americanos que vão realizar-se em 2015 no Ontário.

 Em entrevista à Lusa, este lu-sodescendente, nascido no Ontário, enumerou as vantagens da sua candidatura face aos cinco adversários e enalteceu o seu orgulho em Portu-gal.

 “Esta corrida vai escolher o líder [do Partido Liberal do Ontário] e depois o primeiro-mi-nistro [da província], mas pode ser por pouco tempo. Pode haver uma eleição [geral] em Abril, no Verão… As pessoas têm de reconhecer quem vai ser o candidato que vai ganhar nas eleições gerais. Isso é que é a parte mais importante, não é esta”, vincou.

 Nesse sentido, disse: “Eu nunca pensava ser candidato a líder do Partido Liberal ou a PM da província se não tivesse o apoio de muita gente”, acrescentando que a sua carreira de 20 anos na banca, mais os últimos cincos anos no governo, o prepararam para assumir a direcção de um governo no Ontário.

 Charles Sousa quer ser o “Premier dos empregos”, apresentando um programa eleitoral que dá prioridade à economia.

 Conhecido da comunidade portuguesa em Toronto e assíduo em eventos ligados a Portugal, não esquece as raízes.

 “Eu tenho muito orgulho em ser português. O meu pai veio para o Canadá em 1953 à procura de mais oportunidades. A PIDE [Polícia Interna-cional e de Defesa do Estado, do regime salazarista] até estava à procura dele e ele achou nelhor vir para o Canadá”, contou, adiantando ter-se inspirado nos ensinamentos do pai “de ajudar os outros” para ingressar na política.

 As suas expectativas viram-se agora para a convenção.

 Para já, na contagem dos 1.800 delegados eleitos, o português ficou em quinto e muito aquém do que pretendia, atingindo perto de duas centenas quando desejava o triplo, mas diz-se todavia ciente de que os passos determinantes ficarão reservados para o palco da convenção, onde muitas negociações de bastidores irão ter lugar.

 Segundo os dados divulgados pelo partido na segunda-feira, duas mulheres – Sandra Pupattelo e Kathleen Wynne, surgem à frente no número de delegados eleitos, seguindo-se Gerard Kennedy, Harinder Takhar, Charles Sousa e Eric Hoskins.

 Esta convenção extraordinária do Partido Liberal do Ontário, que se inicia dia 25, decor-re da surpreendente demissão, decidida em Outubro passado, do líder e actual chefe do governo do Ontário, Dalton McGuinty, que alegou razões familiares, num mo-mento em que vários escândalos políticos estavam ao ru-bro.

 Instado a comentar o abandono da política de Dalton McGuinty, Charles elogiou o percurso de 16 anos do chefe liberal e os seus nove anos à frente do governo provincial.

 Quanto às polémicas em que McGuinty se viu envolvido nos últimos meses, designadamente os elevados custos relacionamentos com o cancelamento dos projectos de construção de duas centrais eléctricas a gás, uma das quais em Mississauga, região de onde Charles é oriundo, este foi perentório: “Eu estava já contra essa central antes de ser candidato, estive contra antes de eleito deputado provincial e estive contra já quando fui ministro”, porque ficaria a metros de zonas residenciais.

 

* Candidatura de Charles Sousa conta com apoio de liberais luso-canadianos

 

 Três membros do Partido Liberal, no Canadá, contactados pela agência Lusa, defenderam que o luso-canadiano Charles de Sousa, candidato à liderança do partido no Ontário, tem “hipóteses de ganhar”, tornando-se automaticamente no primeiro-ministro da província.

 Esta eleição, o foco das atenções na convenção do partido marcada para os dias 25 a 27 deste mês, foi precipitada pela demissão de Dalton McGuinty, actual chefe de go-verno na província, ainda no início do seu terceiro mandato, o que abre lugar a que o seu sucessor na liderança do partido se torne primeiro-ministro provincial.

 O luso-canadiano Charles Sousa é uma das seis pessoas que se mantêm na corrida juntamente com Sandra Pupattelo, Kathleen Wynne, Gerard Kennedy, Harinder Takhar e Eric Hoskins.

 Para a portuguesa Cristina Martins, filiada do partido e uma das delegadas à conven-ção, Charles Sousa tem o perfil indicado para assumir o cargo.

 “É uma pessoa em quem as pessoas podem confiar, é honesto, bom ouvinte, competente e apresenta uma plataForma sólida, baseada nos valores liberais e com ideias inovadoras”, resumiu Cristina Martins.

 Além do mais, como acrescentou, “Charles partilha com milhares de pessoas no Ontário, não apenas os portugueses, a história de ser imigrante”.

 A candidatura do luso-canadiano à liderança do partido provincial “tem entusiasmado os portugueses”, o que motivou a adesão de alguns milhares como novos membros, afirmou.

 “A sua eleição seria histórica para a comunidade portuguesa aqui e aconteceria logo este ano em que a emigração oficial portuguesa para o Canadá celebra 60 anos”, comentou, por outro lado, a empresária e actual presidente da Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos (FPCBP).

 Outra das delegadas confirmadas à próxima convenção liberal, eleita, é a luso-canadiana Ana Bailão, vereadora da Câmara de Toronto desde Outubro de 2003 e que nos últimos dias tem participado activamente na campanha do luso-canadiano.

 “Charles Sousa seria um bom PM do Ontário, porque tem já uma experiência [governativa] valiosa, é uma pessoa conciliadora e íntegra. A sua eleição daria uma maior projecção à comunidade e seria um bom exemplo para nós, portugueses, no sentido em que temos já dado um contributo a esta sociedade, mas podemos igualmente assumir cargos públicos ao mais alto nível”, enfatizou a vereadora de Toronto.

 Sobre esta eleição em si, que é um processo partidário interno, Bailão asseverou que “Charles de Sousa tem hipóteses de ganhar, porque tem muitos apoios”.

 “Mesmo que não tenha muitos delegados à partida, ele pode ganhar. O próprio Dalton McGuinty [atual primeiro-ministro do Ontário e líder cessante] partiu em quinto na convenção e acabou por ganhar a liderança”, lembrou.

 Uma eventual eleição de Charles Sousa, a par da situação particular de dar directamente a chefia do governo no Ontário, significaria a ascensão de mais políticos portugueses a cargos cimeiros a nível partidário, como o que já acontece na província vizinha do Quebeque, onde a portuguesa Alexandra Mendes preside ao Partido Liberal do Ca-nadá.

 Deputada federal de 2008 a 2011, Alexandra teve a experiência recente de ser candidata a duas eleições, à presidência do Partido Liberal do Canadá (em Agosto de 2011) e à presidência do Partido Liberal do Canadá no Quebeque (em Junho passado, a qual venceu).

 Questionada, Alexandra Mendes afirmou estar saber da candidatura do Charles de Sousa no Ontário, retorquindo que, embora não a conheça em detalhe, “é um português” e deseja-lhe “o máximo da sorte”.

 Perto de 2.300 delegados, eleitos a partir do universo de 44 mil membros do Partido Liberal do Ontário, irão eleger o novo líder na convenção que se inicia dia 25 em plena baixa de Toronto, no edifício do antigo recinto desportivo do Maple Leafs Garden.