Luís Amado quer debate sobre o Egipto no seio da EU para mudar posições incoerentes e inconsistente

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Luís Amado

Luís Amado O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, reclamou em Bruxelas debates profundos sobre o que está a ocorrer no Egito e noutros países do mundo árabe, por considerar ser tempo de a União Europeia abandonar posições “incoerentes e inconsistentes”.

 Falando aos jornalistas no final de uma reunião dos chefes de diplomacia da UE, Amado revelou que pediu à Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, a realização de um debate “o mais rapidamente possível” sobre os fenómenos a que se tem assistido, entre outras iniciativas, incluindo um convite aos seus parceiros do sul da Europa (o chamado “grupo oliva”) para um debate em Portugal.
 Explicando que “estas iniciativas visam aprofundar o debate que não pode deixar de ser aprofundado pela UE relativamente às várias situações de crise e de conflito”, Luís Amado defendeu que é altura de a UE passar a lidar de outra forma com estes fenómenos, não se limitando a responder de forma “atomizada” ao que vai acontecendo.

 “Estamos num momento muito crítico, muito decisivo do que se irá passar neste espaço geopolítico nas próximas décadas, e, por isso, a UE não pode, do meu ponto de vista, lidar com estas questões de forma atomizada, desligada, inconsistente e incoerente como tem vindo a fazer ao longo da última década”, afirmou.

 Amado disse ter pedido a Catherine Ashton que “pudesse promover, numa agenda do Conselho ou fora do Conselho, um debate mais profundo e mais aberto sobre esta situação”, pois os problemas, “sendo diferentes, evidenciam dificuldades” com que a prazo a Europa se irá confrontar “no relacionamento estratégico com o mundo árabe, com o mundo islâmico e com formas de radicalismo que se tem vindo a afirmar em muitos desses teatros de conflito”.

 “Portugal quer contribuir para esse debate de uma forma positiva, construtiva, descomplexada e sem preconceitos porque entendemos que o momento que estamos a viver é um momento em que a História nos convoca para abordar todos estes problemas de uma forma determinada e de uma forma que nos permita agir sobre a realidade, e não ser rebocados pela realidade, e é nesse sentido que interviemos neste conselho”, afirmou.
 O chefe da diplomacia portuguesa indicou que também tenciona convidar os seus “colegas do sul da Europa, que constituem o chamado «grupo oliva», os países vizinhos do mediterrâneo, para um debate em Portugal no âmbito desse grupo, um grupo que está institucionalizado no seio da União sobre toda a problemática das relações no espaço do Mediterrâneo”, até porque, apontou, “a União para o Mediterrâneo está também paralisada”.
 O “grupo oliva” é formado pela Bulgária, Chipre, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Itália, Malta, Portugal e Roménia, tendo sido criado com o objectivo de manter o mediterrâneo na “agenda” da UE.

 Amado acrescentou que Portugal também entende conveniente uma reunião, o mais rapidamente possível, do chamado grupo “5+5”, apontando que o seu colega italiano, Franco Frattini, anunciou igualmente a intenção de realizar uma reunião em Nápoles deste grupo “informal mas construtivo”, que compreende cinco países da UE, entre os quais Portugal, e cinco países da outra margem do Mediterrâneo.