Lone Star escolhe directora portuguesa do Lloyds para Conselho de Supervisão do Novo Banco

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 O maior accionista do Novo Banco, o fundo de investimento norte-americano Lone Star, escolheu a directora do banco britânico Lloyds Carla Antunes da Silva para o Conselho Geral e de Supervisão do Novo Banco.

 “(… )O Novo Banco informa que em assembleia-geral do banco se deliberou a nomea-ção de Carla Antunes da Silva como membro do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) para o mandato em curso”, lê-se na informação comunicada através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 A escolha de Carla Antunes da Silva, que é directora de estratégia do Lloyds desde 2015, partiu do Lone Star e com a sua designação o Conselho Geral e de Supervisão do Novo Banco fica completo com nove membros.

 A ex-directora do Lloyds, que já trabalhou nos bancos Credit Suisse, JP Morgan e Deutsche Bank, ainda espera autorização do Banco Central Europeu (BCE) para assumir funções.

 Segundo fonte oficial do Novo Banco, Carla Antunes da Silva será membro não executivo do Conselho Geral e de Supervisão do Novo Banco em acumulação com as fun-ções no Lloyds, liderado pelo português António Horta Osório.

 Carla Silva será o único português a integrar o Conselho Geral e de Supervisão do No-vo Banco, que é liderado pelo britânico Byron James Macbean Haynes. Os outros membros são Karl-Gerhard Eick, Donald John Quintin, Kambiz Nourbakhsh, Mark Andrew Coker, Benjamin Friedrich Dickgiesser, John Herbert e Robert A. Sherman.

 O Novo Banco tem António Ramalho como presidente da comissão executiva, que res-ponde perante o Conselho Geral e de Supervisão.

 O Novo Banco é detido, desde Outubro, em 75% pelo Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução bancário (entidade na esfera do Estado

financiada pelas contribuições dos bancos). Apesar disso, o fundo não tem qualquer representante no Conselho Geral e de Supervisão do banco.

 Há dias foi conhecida que a instituição que ficou com activos do ex-BES (alvo de medida de resolução em 2014) teve prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros em 2017, num ano em que constituiu mais de 2.000 milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais).

 Na sequência deste nível elevado de perdas, o banco acti-vou o mecanismo de capital contingente negociado com o Estado português, pelo qual o

Fundo de Resolução deverá capitalizar o Novo Banco num montante de 791,7 milhões de euros.

 Uma vez que o Fundo de Resolução não tem todo esse valor, o Estado deverá emprestar até 450 milhões de euros ao fundo para este capitalizar o Novo Banco.

 O acordo feito entre aquando da venda do Novo Banco prevê que o Fundo de Resolução possa injetar até 3,89 biliões de euros no Novo Banco em oito anos caso haja perdas num conjunto de activos que levem os rácios de capital abaixo de determinados níveis.

 O Lone Star não pagou qualquer preço pelo Novo Banco, tendo acordado injectar 1.000 milhões de euros no banco, o que já aconteceu.