Língua Portuguesa conquista jovens moçambicanos das áreas urbanas

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Moçambique

MoçambiqueMoçambique terá a partir de Agosto o primeiro curso de Mestrado internacional em tradução e interpretação de conferência em português, reflexo da “evolução positiva” da língua que tem conquistado maior número de falantes jovens nas áreas urbanas.

 O projecto resulta de dois protocolos assinados, no último ano, entre o Instituto Camões, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Universidade Pedagógica de Moçambique, disse à Lusa o responsável pelo Instituto Camões em Maputo, António Braga.
 Falando sobre o estado da língua portuguesa em Moçambique, país que logo após a independência, em 1975, adoptou o português como língua oficial da administração pública e da educação, António Braga qualificou de “positivo” o crescimento do português no país e apontou alguns projectos de expansão.

 A introdução de um Mestrado internacional em tradução e interpretação de conferência em português é também fruto dos “importantes passos” que a língua portuguesa tem vindo a registar em Moçambique, sobretudo na área de educação que, na última década, assinalou uma “grande evolução”, afirmou António Braga.
 Mas não é só a nível de Moçambique que o português tem vindo a estabelecer-se,
até porque há também um interesse crescente dos países da África Austral.

Aliás, o português é já língua de trabalho nas cimeiras da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, daí que, com o curso, “Moçambique vai poder acolher estudantes africanos interessados em se formar em tradução e interpretação de conferência em português”, referiu António Braga.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Moçambique indicam que o português é falado por 40 por cento da população moçambicana, estimada em 20,3 milhões, usado em casa por nove por cento e reconhecido como língua materna por 6,5 por cento.

Mas, na obra intitulada “Português de Moçambique: uma variedade em Formação”, a docente da Faculdade de Letras na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) Perpétua Gonçalves dá conta de que “90 por cento dos que têm a língua portuguesa como língua materna vivem em meio urbano”.
Segundo a docente da UEM, de Maputo, o número de falantes nas zonas rurais, onde reside 82 por cento da população moçambicana, “diminui consideravelmente”, aliás, nessas regiões, “há pouca motivação e poucas situações em que é necessário usar o português”.

Apesar da expansão aos 128 distritos de Moçambique, a implantação do português tem sido notória nas zonas urbanas, onde o Instituto Camões também tem desenvolvido ações de difusão cultural e promoção da língua, nomeadamente a abertura de rede de leitores e centros de língua.
De acordo com Conceição Siopa, autora do estudo sobre “A Competência em Português dos Estudantes Universitários em Moçambique”, os problemas notórios na utilização da língua portuguesa ao nível da produção escrita que os discentes universitários apresentam são “erros gramaticais e de ortografia”.

José Sócrates, que visita Moçambique na próxima semana, incluiu uma visita à Escola Portuguesa de Maputo, um dos estabelecimentos com mais qualidade a nível mundial.