Liga dos Campeões: golos tardios do Real Madrid evitaram dar realidade ao sonho

0
111
Liga dos Campeões: golos tardios do Real Madrid evitaram dar realidade ao sonho

A remontada morreu em dois falhanços imperdoáveis nos 15 primeiros minutos, ressuscitou perto do fim e acabou com o Santiago Bernabeu em lágrimas. Os golos tardios de Benzema e Sérgio Ramos foram insuficientes para o Real Madrid e para José Mourinho.

 Higuain, primeiro, e Ozil, logo depois, tiveram o Borussia com a cabeça no cepo logo à partida. Os alemães pareciam em pânico. Falharam, um e outro, o golo ajuramen-tado.

 Depois disso, a noite foi totalmente amarela e os golos de Benzema e Sérgio Ramos, nos dez minutos finais, chegaram já demasiado tarde.

 O Borussia está na final da Liga dos Campeões, 16 anos depois do brilharete contra a Juventus.

 As esperanças do Real Madrid esbarraram na sofreguidão, na ansiedade, nos lapsos técnicos. A tal avalanche inicial sugeriu que o jogo teria golos, muitos golos, mas a barreira de inteligência erguida por Jurgen Klopp desarmou com uma facilidade im-pressionante as armadilhas idealizadas por Mourinho.

 Excepção feita ao tal assomo de pertinácia e orgulho inicial, o Real Madrid nunca demonstrou capacidade, qualidade e força (física e mental) para estorvar os planos do Borussia.

 O peso dos 4-1 da primeira-mão revelou-se insustentável para uma equipa apenas hu-mana.

 Mourinho preferiu Modric a Khedira, preferiu Essien a Pepe, quis dar mobilidade e criatividade, mas a teoria raramente saltou do papel para o relvado. A frieza ger-mânica impressionou tudo e todos, o gelo do futebol dos homens de Klopp merece claramente a final.

 Cristiano Ronaldo, por todos os motivos e mais algum, era o homem em que todos acreditavam. Foi ele, também por isso, a grande desilusão. O que fez não teve relevância no jogo, nem sequer nas bolas paradas.

 Quando se viu um suposto “Tomahawk” a esvoaçar o espaço aéreo do Borussia e a explodir na cobertura do estádio, percebeu-se que a noite não era de CR7. Nem dele, nem do precipitado Higuain, nem do incompreensível Di María. A dada altura, de resto, foi o Borussia que passou a ter as melhores oportunidades de golo.

 Lewandowski enviou uma bola à barra, Diego Lopez fez uma defesa extraordinária a remate de Gundogan e o Real Madrid parecia irremediavelmente perdido.

 Mas o futebol é o mais belo desporto do mundo por algum motivo. Quando já nada o fazia prever, o Real Madrid fez dois golos e deixou a eliminatória no limbo. Diego Lopez até à área do Borussia subiu, mas o marcador já não se mexeu mais.

 O Real Madrid demorou uma eternidade a encontrar o caminho do golo e acabou a chorar lágrimas que ecoarão eternamente.