Liga da Mulher Portuguesa distingue o Século de Joanesburgo com o título de Membro Honorário

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Liga da Mulher Portuguesa distingue o Século de Joanesburgo com o título de Membro Honorário

Na terça-feira, 5 de Abril, no salão nobre da Escola do Lusito – Associação de Pais e Amigos de Deficientes Mentais, decorreu o Congresso da Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul. A edição deste ano ficou marcada pela eleição da comendadora Manuela Rosa como a nova presidente do executivo da Liga, que substitui assim no cargo Valentina Gouveia, a residir actualmente em Portugal.

 De notar que neste Congresso, O Século de Joanesburgo foi homenageado ao ser feito Membro Honorário da Liga da Mulher Portuguesa, diploma que foi entregue à Presidente do Conselho de Administração do Grupo Século, comendadora Paula Caetano. Isto, no decorrer de anos de cobertura mediática dos eventos da Liga e o trabalho em prol da Comunidade Portuguesa, que desenvolve desde 1963.

 Cerca das 10h00, a presidente do Congresso, Mimi Jardim, deu as boas-vindas, leu a agenda e desejou que os trabalhos a decorrer ao longo do dia fossem frutíferos. Pediu em seguida que Ana e Brito Maneira, conselheira política da Embaixada de Portugal em Pretória, desse início formalmente aos trabalhos.

 Na sua intervenção, Ana Maneira afirmou que era “uma enorme honra abrir este Con-gresso da Liga da Mulher Portuguesa em representação do embaixador Ricoca Freire. Ele lamenta não poder estar presente, mas infelizmente tem de estar noutro local. Fui procurar informação para me preparar para participar neste Congresso e fiquei a saber que a Liga foi criada em 1988, no dia 8 de Dezembro (um dia cheio de simbologia para o nosso País…) em casa da comendadora Manuela Rosa, um exemplo de combatividade, dedicação e liderança! Desde esse dia que a Liga trabalha de forma dedicada em prol da comunidade portuguesa radicada na África do Sul. Com o seu mandato de enriquecimento cultural da mulher portuguesa, de luta pelos direitos humanos das mulheres, de promoção da língua e cultura portuguesas, a Liga tem contribuído para empoderar as mulheres portuguesas e, logo, para fortalecer a comunidade portuguesa.

 As actividades da Liga têm uma característica muito interessante – são baseadas no intercâmbio de experiências e conhecimentos. Cada pessoa traz consigo o que tem e partilha com as restantes num bonito gesto de solidariedade. Ontem folheei alguns números da revista a “Mulher no Mundo” e pude ver alguns dos trabalhos desenvolvidos pela Liga. Da poesia ao combate a doenças como cancro ou a fibromialgia, textos de direito, etiqueta, toxicodependência, literatura portuguesa, stress, fertilidade. Actividades na área da defesa pessoal. Foi igualmente interessante ver como o papel da mulher mudou, hoje com o contributo de todas e todos que têm combatido pela igualdade de género, podemos ser muito mais, ter um papel na sociedade que vai muito além do de mãe e de esposa.

 É também à acção de organizações como esta que devemos agradecer e agora contribuir para continuar a “empoderar” as mulheres para empoderar a Comunidade. Tenho acompanhado a acção da Liga através do seu bem conseguido projecto da Universidade da 3ª Idade. Trata-se de um projecto de grande valor comunitário que mereceu no ano passado o apoio do Governo Português.

 Como todas as instituições da Comunidade e não só, a acção da Liga é afectada por inúmeras dificuldades. Espero que os trabalhos do dia de hoje ajudem a revitalizar a organização e que o novo corpo dirigente consiga manter alta a bandeira da cultura, da língua e das tradições do nosso povo. Desejo a todas e a todos um proveitoso dia de trabalho e já sabem que podem sempre contar com o apoio da Embaixada e dos Consulados Gerais na prossecução dos vossos objectivos.”

 Ana e Brito Maneira terminou com uma citação de Maria de Jesus Barroso, que afirmou em 1994 sobre a Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul, “creio firmemente na vossa coragem, capacidade de luta e compreensão e na importância do apoio e ajuda que poderão dar a toda a Comunidade portuguesa”.

 Finda esta intervenção, a presidente do Congresso apresentou as presidentes das filiais da Liga nas várias cidades da África do Sul.

 Começou por Gina Brasier, da Cidade do Cabo. Esta afirmou que “quero, em primeiro lugar, agradecer o convite e quero enviar um enorme beijinho da Lígia que não pode estar presente devido a problemas com o voo.”

 Relatou aos presentes que o comité executivo no Cabo é constituído por quatro membros e que há neste momento 58 senhoras inscritas na Liga do Cabo.

 Falou também de algumas actividades que aquela filial leva a cabo e que foram feitas no decorrer de 2015 e algumas já neste ano corrente.

 Mimi Jardim passou depois a palavra sucessivamente a Aida Faria, presidente da Liga na cidade de Durban, a Ma-nuela Calado, de Pretória, e a Fátima Castro de Joanesburgo.

 Todas elas relataram os eventos de angariação de fundos, trabalhos de solidarie-dade social e intervenções junto ao sector feminino da Comunidade Portuguesa residente na África do Sul.

 Cerca das 11h30, a palavra foi dada ao comendador Estevão Rosa para falar sobre as actividades da Universidade Sénior, uma instituição vocacionada para a Terceira Idade a quem ensina informática, artes plásticas, aulas de Inglês e outras actividades culturais que são feitas pelos membros.

 Após a sua dissertação, passou uma apresentação digital várias fotografias dos membros em visitas de estudo, aulas e actividades várias da Universidade Sénior.

 A presidente do Congresso chamou ao microfone então Guida Vieira, directora do Lar de Nossa Senhora de Fátima em Benoni e membro do projecto “Mais Vida”, que depois de uma sucinta explicação do que consiste o projecto por parte da comendadora Rosa, Veira leu uma carta dirigida às congressistas pela embaixatriz Joana Miranda, criadora deste projecto na África do Sul.

 Pelas 11h45 foi feito um intervalo para café e uma pausa nos trabalhos. Pelas 12h00, Mimi Jardim convidou os presentes a retomarem os seus lugares e apresentou as candidatas ao lugar de presidente do executivo da Liga, Júlia de Sousa, de Durban, Ligia Fernandes, da Cidade do Cabo, comendadora Fátima Castro, de Joanesburgo, e comendadora Manuela Rosa de Pretória. Informou que a eleição seria feita após o almoço, isto enquanto estavam a ser distribuídos boletins de voto para que as congressistas escrevessem o nome da candidata da sua preferência.

 Ana e Brito Maneira, pelas 12h15 foi chamada novamente a intervir no Congresso, desta feita como oradora convidada. A diplomata falou sobre os Direitos Humanos, a história e percurso até se chegar à Declaração Universal dos Direitos Humanos, a sua relevância no que toca às mulheres e crianças e como as resoluções tomadas nas Nações Unidas são aplicadas de forma a cumprir com a Declaração.

 Esta área, a da especialidade de Maneira, sobre a qual falou apaixonadamente sobre o assunto envolvendo a audiência presente. Após uma forte salva de palmas, em apreciação à intervenção da diplomata, Mimi Jardim chamou ao “palco” Rui Azevedo, coordenador de Ensino de Português na África do Sul. Apenas a segunda intervenção masculina num evento fortemente liderado pelas mulheres. Rui Azevedo, em conjunto com a comendadora Manuela Rosa, declamou uma série de poemas de António Gedeão, António Lobo Antunes, Mário de Sá Carneiro e Gonçalo Cres-po. Um momento animado e fortemente apreciado pelas congressistas.

 Terminadas as declamações, Rui Azevedo sugeriu às dirigentes da Liga que façam periodicamente saraus onde se possam declamar poesias, cantar temas populares portugueses e debater temas culturais. Isto, mereceu um forte aplauso de todos.

 O Congresso fez a pausa de uma hora para almoço, com os trabalhos a serem suspensos pelas 13h.

 Pelas 14h, após o repasto, procedeu-se à contagem de votos e a comendadora Manuela Rosa foi eleita a nova presidente do executivo com a vice-presidente, a segunda mais votada, comendadora Fátima Castro.

 O executivo completo será nomeado no decorrer do mês de Abril.

 Mimi Jardim anunciou em seguida, que iriam ser entregues certificados de Membros Honorários, um dos quais teve como destinatário o Século de Joanesburgo. A comendadora Paula Caetano foi receber das mãos da comendadora Rosa o certificado, facto que mereceu de todas as congressistas uma sentida ovação.

 Outros membros honorários foram Júlia de Sousa e Ligia Fernandes. Receberam certificados de agradecimento a comedadora Fátima Castro, a comendadora Fátima Coelho e Mimi Jardim, pelo empenho, entrega e continuado trabalho em prol da Liga e da Comunidade Portuguesa.

 A segunda parte do congresso, após a entrega dos certificados, teve um cariz mais leve, com a actuação do grupo coral da Universidade Sénior “Boa Esperança”. Vários temas populares portugueses foram interpretados e pelas 14h30, Gorete Dória, a última oradora do dia, interveio.

 Dória falou sobre a sua experiência pessoal quando o seu pai tomou a sua própria vida e como lidou com o problema. Recorreu a um grupo de ajuda e conseguiu “superar a muito custo o trauma”, segundo afirmou Dória. Usou este exemplo para apelar às congressistas que formassem na Liga um grupo de apoio para fazer frente aos abusos domésticos, físicos, sexuais e mentais que as mulheres portuguesas sofrem.

 Encorajou a que “não há vergonhas nem há que ter medos, é a falar e a enfrentar os problemas que os resolvemos. Somos portuguesas e temos que ajudar as nossas compatriotas quando precisam”, conclui assim Dória a sua intervenção.

 O artista Roberto Adão tomou depois o centro das atenções de todas as congressistas, com temas musicais que interpretou dedicados às mulheres. Numa sessão musical envolvente, na qual as congressistas aplaudiram e acompanharam o cantor na letras dos temas.

 O Congresso foi encerrado com a intervenção, perto das 16h00, da cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Luísa Fragoso. A diplomata portuguesa afirmou sentir-se satisfeita e feliz por estar entre tantas mulheres portuguesas a levar a cabo tarefas de ajuda e bem-fazer no seio da sociedade sul-africana. Desejou as continuadas felicidades e motivações para que “os braços não esmoreçam e a Liga continue sempre forte”.

 O congresso foi oficialmente encerrado.