Liga da Mulher Portuguesa comemorou Dia da Mãe em Pretória Dia da Mãe

0
153

 Na tarde do penúltimo sábado, 25 de Maio, a Liga da Mulher Portuguesa, em colaboração com a Universidade Sénior Boa Esperança, promoveu na sua sede, aposentos da ACPP, um elegante convívio dedicado ao “Dia da Mãe”, nele participando um bom número de pessoas de Pretória, Joanesburgo e Krugersdorp, entre as quais a embaixatriz Joana de Carvalho, os comendadores Estevão e Manuela Rosa, e Mário Ferreira, a conselheira da Comunidade por Pretória, Helena Rodrigues, o coordenador do Dia de Portugal em Pretória, Carlos Calado, a encarregada do Lar de Idosos S. Francisco de Assis, Isabel dos Santos, e a pintora em porcelana, Cremilda Cardoso.

 A abrir o convívio usou em primeiro lugar da palavra a presidente da Liga promotora do evento, Nela Calado, para a todos saudar com amizade e agradecer a presença de cada um naquela tarde, com destaque para a embaixatriz Joana de Carvalho, a quem agradeceu a sua disponibilidade para ali apresentar a palestra sobre receitas em gastronomia e suas origens, englobando no seu reconhecimento o côro da USBE para ali actuar, as senhoras que contribuíram com o seu talento de culinária para a variedade de bolos ali expostos, que a juntar ao grande sortido de outras guloseimas, como rissóis, cavacas, pastéis de nata e de bacalhau, assim como de fritos e salgados, ali foram saboreados.

 Na descrição de receitas da nossa gastronomia, a embaixatriz, começando pelas alheiras de Mirandela, Trás-Os-Montes, ali implantadas pelos judeus que na sua permanência no nosso país residiram naquela cidade transmontana, em Castelo de Vide e em Belmonte; o Bacalhau à Gomes de Sá, receita criada no Porto por José Luís Gomes de Sá Júnior; Rojões à moda do Minho, normalmente acompanhadas por papas de sarrabulho; Ameijoas à Bulhão Pato, prato tradicional portuense, em tributo ao poeta português Raimundo de Bulhão Pato; Migas como prato típico alentejano; Carne de porco à alentejana, uma mistura de produtos do mar e da terra; e Cataplana, como receita algarvia muito utilizada pelos pescadores.

 Em doçaria, a embaixatriz, começando por destacar os doces conventuais que terão aparecido no nosso país, com mais expressão em fins do século XIV, como por exemplo e com mais fama o Toucinho do Céu, enumerou outros como Cavacas de Santa Clara; Morcela de Arouca; a Lampreia de ovos das Clarissas; a Palha de Abrantes; as fatias douradas de Tomar; o bolo de figo e amêndoa do Algarve; e os Pastéis de Belém, estes que terão surgido em 1834 no Mosteiro dos Jerónimos, e o pasteleiro vendeu a receita ao português vindo do Brasil, Domingos Rafael Alves.

 Em prosseguimento de confeitaria, Joana de Carvalho destacou o bolo de mel da Madeira, feito com melaço de cana de acúcar, que segundo a tradição não deve ser cortado com faca para não perder o sabor, mas antes partido à mão; o Quindim brasileiro, uma espécie de queijada de ovos, que de origem portuguesa significa encanto brasileiro; e por último no respeitante a iguarias, o bacalhau confeccionado nas diversas modalidades, após o que se referiu ao que deixámos e importámos  de vários países como:

 Da Ásia veio a ginjive, a pimenta, a canela, a nós mos-cada, o cravinho e a canela, a cana do acúcar, a banana, a manga, o chá e a laranja do-ce;

 Da América a abóbora, o amendoim, o milho, a batata e batata doce, o cacau, o cajú, o girassol, o feijão, o tomate, o pimento, o maracujá e a pa-paia, para no Japão introduzirmos a maior parte de árvores de fruto, assim como de animais domésticos, e onde ainda hoje se come a chamada tentura que em português são chamados “peixinhos da horta”, e deixámos os fios de ovos e o pão de ló, assim como na Tailândia os folhados e os fios de ovos, para na Índia, onde chegámos em 1498 e saímos de lá em 1961, introduzimos  as lítjas e o quiabo, para depois de enumerar o nome de alguns portugueses que se notabilizaram neste e outros temas, entre os quais  Fernando Pessoa que ia todos os dias tomar o seu café à Brasileira, em Lisboa, en-cerrar a sua intervenção, debaixo de fortes aplausos.

 Em prosseguimento das acti-vidades programadas para este dia, foi por Nela Calado ali destacada Sophia de Mello Breyner Andressen, um dos grandes nomes da poesia portuguesa do século XX, e como primeira mulher  a receber o prémio Camões em 1999, e por Carlos Calado, recitado o poema intitulado “O Mar dos Meus Olhos”, para de seguida a comendadora Manuela Rosa depois de declamar em poesia “A Paz Sem Vencedores e Sem Vencidos”,   elogiar o bom trabalho ali apresentado em gastronomia pela embaixatriz Joana de Carvalho, e destacar a dedicação de Manuela Calado e o restante elenco directivo que a acompanha, na promoção de actividades que como esta, muito prestigiam a instituição.

 Depois da actuação do coro da Universidade Sénior Boa Esperança, procedeu-se à entrega dos prémios atribuídos à confecção de bolos ali expostos, em que segundo a classificação do júri designado para o efeito, foi atribuído o primeiro prémio ao Bolo de Mel da Madeira; o segundo o Pão de Ló; o terceiro aos Sonhos de Abóbora; o quarto às Cavacas; e o quinto o Bolo-Rei, para no sorteio de rifas serem contempladas, com o primeiro prémio Maria Teixeira, com o segundo Maria Lídia Gonçalves, e com o terceiro Cristina Rosa, sendo por último e antes das pessoas se começarem a servir das variadas guloseimas ali expostas e à desçrição, entregues por Helena Rodrigues lembranças a todas as mães presentes, simbolizando o dia que se comemorava, tudo terminando em beleza.