Líderes do BRICS oficializaram na Rússia, a criação do novo Banco de Desenvolvimento

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Líderes do BRICS oficializaram na Rússia, a criação do novo Banco de Desenvolvimento

Líderes do Brasil, da Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) assinaram na passada quinta-feira em Ufa, na Rússia, o memorando de criação do novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ou Banco do Brics, que terá sede em Xangai, na China, com capital inicial de 50 biliões de dólares. A expectativa é que a instituição financeira comece a operar a partir do próximo ano, financiando projectos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável para os países do bloco e, posteriormente, para outros países em desenvolvimento que apresentarem interesse.

 O presidente russo, Vladimir Putin, fez um discurso em nome dos líderes presentes. Ele afirmou que durante a sétima cimeira, que começou na quarta-feira, a situação da economia global foi discutida em detalhes. “Estamos preocupados com a instabilidade dos mercados, com a alta volatilidade do preço do petróleo e das matérias-primas, com o acumular da dívida soberana de uma série de grandes países. Todos esses desequilíbrios estruturais têm impacto directamente na dinâmica de crescimento das nossas economias. Nessas condições os países do Brics pretendem usar activamente seus próprios recursos para o desenvolvimento interno,” disse.

Putin também falou sobre o Tratado do Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês), no valor de 100 biliões de dólares. “Uma das nossas mais importantes conquistas é o lançamento do Arranjo Contingente de Reservas que nos dará a oportunidade de reagir a movimentos dos mercados financeiros de maneira ágil e adequada.” Do total de recursos do CRA, 41 biliões de dólares virão da China. O Brasil, a Rússia e Índia contribuirão com 18 biliões cada e a África do Sul aportará 5 biliões.

 A presidente brasileira Dilma Rousseff citou a nova agenda do Desenvolvimento Sustentável (ODS) pós-2015, da Organização das Nações Unidas, e pontuou que as iniciativas lançadas pelo Brics contribuirão de modo construtivo para o novo momento das relações internacionais, mais focado no desenvolvimento sustentável.

 Mais cedo, durante encontro com o Conselho Empresarial do Brics, ela enfatizou a importância do bloco – formado por Brasil, Rússia, Índia, Chi-na e África do Sul – no cenário mundial. “Os países do Brics foram responsáveis por 40% do crescimento mundial e pela intensificação dos fluxos económicos entre os países.”

 Dilma observou que, até 2020, os países em desenvolvimento precisarão de um volume de investimento em infraestrutura superior a um trilião de dólares por ano. “Atingir essa cifra não será tarefa simples. O investimento externo mundial caiu quase 50% nos últimos cinco anos. É nesse cenário que o novo banco de desenvolvimento terá um papel importante, na intermediação de recursos para projectos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos nossos países e, posteriormente, em outros países em desenvolvimento”.

 A presidente acrescentou que desde a última cimeira do Brics, em Fortaleza, no ano passado, todos os acordos constitutivos para a criação do banco do Brics e do Arranjo Contingente de Reservas foram ratificados.

 Ela informou que relatório do Conselho Empresarial do Brics trouxe mais de 40 projectos de interesse dos países-membros em áreas como indústria, energia, transporte, logística e tecnologia da informação. “É um acervo importante de iniciativas que serão analisadas com toda a seriedade pelos nossos governos e que contarão com o apoio do Novo Banco de Desenvolvimento.”

 O NBD será presidido pelo banqueiro indiano K. V. Kamath, tendo como vice o economista brasileiro Paulo No-gueira Batista Junior. Com o banco os países-membros do Brics esperam reduzir o domínio do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial sobre o sistema fi-nanceiro global e criar espaço para outras moedas, além do dólar americano, no comércio internacional.

Durante a cimeira Dilma também participou em encontros bilaterais com os demais che-fes de governo dos países-membros do bloco, além de reuniões com líderes de ou-tros países convidados.