Lar Rainha Santa Isabel: honrar a Padroeira com obra feita no 5.º Centenário da sua Beatificação

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Lar Rainha Santa Isabel: honrar a Padroeira com obra feita no 5.º Centenário da sua Beatificação

O sonho tornou-se realidade e o Lar de Idosos da Sociedade Portuguesa de Beneficência tem uma enfermaria nova. No sábado houve festa. Foi a cerimónia de inauguração oficial daquela Unidade de Cuidados Continuados, com que a SPB presta um grande serviço à comunidade e às famíias que a ela recorrem, sendo desta forma possível manter os idosos acamados clinicamente assistidos num ambiente comunitário de elevado carinho.

  Os actuais dirigentes da Beneficência quiseram, com a realização do convívio nas instalações em Albertskroon, que os benfeitores da instituição testemunhassem o resultado da boa aplicação de donativos, associado a muito trabalho voluntário e forte dedicação à causa, num exemplo vivo da congregação de boas vontades.

  Foi este feliz conjunto de factores que permitiu, sem recurso a empréstimos bancários ou a reservas financeiras, a concretização do projecto onde foram investidos cinco milhões de randes e que acrescenta uma enorme mais-valia ao Lar. Nunca antes, tantos deram tanto.

  Venceu a força de acreditar, quando anos atrás, numa gestão mais fechada, menos batalhadora e com critérios mais economicistas, a enfermaria esteve condenada ao encerramento só porque era deficitária.

  A força de acreditar contou com a benção da Rainha Santa Isabel e o agradecimento dessa benção teve da parte da Direcção da Sociedade Portuguesa de Beneficência da África do Sul o gesto de integrar a festa da inauguração da nova enfermaria no âmbito do jubileu do 5.º centenário da beatificação da padroeira do Lar.

  A rainha dos pobres, que se tornou célebre com o Milagre das Rosas, foi elevada aos altares pelo Papa Leão X em 1516.

  O povo considerou-a santa logo após a sua morte, tal era a fama das virtudes que a acompanhava. O Rei D. Manuel tinha por ela grande devoção e foi ele que iniciou junto do Pontífice o processo do reconhecimento das virtudes heróicas de sua santa avó, que jaz no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.

Os primeiros milagres manifestaram-se ainda o seu féretro não tinha sido colocado no túmulo que ela mandara fazer. Desde então foram muitas as gerações que lhe devotaram extre-mosa veneração, não só em Coimbra, mas em muitas terras bem mais longínquas, aonde chegava a fama da santidade e dos milagres de D. Isabel de Aragão.

  Quando “O Bem-Aventurado” subiu ao trono, em 1495, herdando o trono do seu primo direito D. João II, “muitos haviam sido os milagres registados ao longo dos anos por notários, com as devidas testemunhas”, conforme recorda o presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel.

  Era apenas necessário dar o primeiro passo e D. Manuel, que tinha boas relações com a Cúria romana, interveio nesse sentido junto do Papa, que anuiu e veio a reconhecer a mulher do Rei D. Dinis “como digna de veneração”, 180 anos após a sua morte.

  Há 500 anos, Leão X determinou que, nas igrejas, mosteiros e lugares da cidade e da Diocese de Coimbra os respectivos fiéis possam, uma vez por ano, celebrar e mandar ce-lebrar a comemoração ou o ofício litúrgico em honra de Isabel de Aragão, a quem o povo já chamava Rainha Santa.

  Autorizou também que, na cidade e Diocese de Coimbra, mandassem pintar a sua imagem e a colocassem entre as dos outros santos venerados, nas igrejas e nas casas particulares.

  A partir de 1516, o povo da Diocese de Coimbra passou a poder tributar culto público à bem-aventurada rainha.

   No âmbito do quinto centenário da decisão papal, a Confraria da Rainha Santa Isabel decidiu que a veneranda imagem da sua padroeira seria transportada até à Sé Nova, na Alta de Coimbra, em Julho, para aí ser celebrada festivamente por toda a Diocese.

  Como Isabel se notabilizou pela prática do amor ao próximo nas mais variadas formas em cada uma das obras de misericórdia, a sua imagem foi transportada da Igreja de Santa Cruz para a Sé Nova numa procissão jubilar da misericórdia, com a participação de todas as instituições de apoio social da Diocese que se quiseram associar.

  Está a ser assim em Coimbra, onde as cerimónias do jubileu se prolongam até ao pró-ximo dia 15 de Julho, e foi já em Joanesburgo, com a missa celebrada no penúltimo domingo na Capela do Lar Rainha Santa Isabel, seguida de almoço de convívio de dirigentes, residentes e familiares, e no passado sábado com a festa da inauguração da nova Enfermaria – a dos Cuidados Continuados, este ano e, se a Santa continuar a derramar as suas benções sobre a Sociedade Portuguesa de Beneficência da África do Sul, a dos Cuidados Intermédios no próximo ano. Tudo, para nossa alegria, a favor do bem estar dos mais idosos.

  Através da Voz das Misericórdias – órgão da instituição Santa Casa com a qual a Socie-dade Portuguesa de Beneficência da África do Sul pretendeu em tempos estabelecer um protocolo de cooperação -, chegou até nós uma preciosa mensagem que merece figurar em painél de honra em todos os lares de idosos.

  * Idoso é quem tem o privilégio de viver uma longa vida. Velho é quem perdeu a jovialidade.

  * É-se idoso quando se exercita. É-se velho quando somente se quer o descanso.

  * É idoso quem tem planos. É velho quem só tem saudades.

  *  Para o idoso a vida renova-se a cada dia que começa. Para o velho a vida vai-se acabando a cada noite que termina.

  * Para o idoso o dia de hoje é o primeiro do resto da sua vida. Para os velhos todos os dias parecem o último de uma longa jornada.

  * Para o idoso o calendário está repleto de amanhãs. Para o velho o calendário só tem ontens.

  Para vencer e ultrapassar a tentação de pensar pessimistamente que a velhice é apenas sinónimo de desgaste, quando podemos fazer dela um museu de experiências, a mensagem termina com o seguinte apelo: que você, quando idoso, viva uma vida longa, mas que nunca fique velho, concluindo que saber enve-lhecer é uma arte e uma virtude.

 Como se sabe, o envelhecimento é um processo de degeneração progressiva que ocorre em qualquer organismo com a passagem do tempo. A pele enruga-se, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos, mas o que é importante não muda: o espírito, a força e a convicção não têm idade.

  Também o falecido Papa João Paulo II costumava perguntar: “O que é a velhice?”. E respondia: “É o tempo favorável para se cultivar, ainda e muito, a sabedoria do coração”.

  Estes trechos vêm a propósito da celebração do Quinto Centenário da Beatificação da Rainha Santa Isabel e das obras levadas a cabo pela Sociedade de Beneficência no seu Lar da Terceira Idade, onde cada vez mais se pretende que vivam pessoas idosas e não pessoas velhas.

R. VARELA AFONSO