Justiça sul-africana suspende despedimentos na companhia aérea pública SAA

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A justiça sul-africana ordenou a suspensão dos despedimentos na companhia aérea South African Airways (SAA), condenada ao desaparecimento pela alegada recusa de resgate financeiro do Governo na sequência das perdas financeiras geradas pela pandemia de covid-19.

Um juiz de Joanesburgo anulou nesta sexta-feira o processo de despedimentos em curso, que foram considerados “injustos”, até que a administração apresente um plano de recuperação da empresa, de acordo com os dois sindicatos que apresentaram a acção em tribunal.

Fortemente endividada e recentemente alvo de um processo de recuperação, a SAA não registou lucros desde 2011 e sobreviveu durante anos apenas com injecções de dinheiros públicos.

A quase total paragem do tráfego aéreo mundial, causada pela actual crise sanitária, tornou a sobrevivência da companhia, que emprega 5.200 pessoas, ainda mais incerta, embora esteja a facturar com voos de repatriamento internacionais fretados por governos estrangeiros, devido à proibição de voos comerciais imposta pelas autoridades sul-africanas.

No mês passado, o Governo recusou-se a pagar mais um pacote de ajuda de emergência de 10 mil milhões de rands (500 milhões de euros) à empresa pública e, na semana passada, anunciou a sua intenção de criar outra empresa sobre as ruínas da SAA.

Numa declaração, o sindicato dos metalúrgicos e o sindicato da tripulação de cabina congratularam-se com a decisão do juiz.

“Significa que estávamos certos e continuamos decididos a salvar o maior número possível de postos de trabalho”, sublinharam.

O ministro das Empresas Públicas, Pravin Gordhan, que tutela a SAA, advertiu esta semana que nem todos os empregados poderiam transitar para a nova empresa.

“Precisamos de conceber um plano social que (…) proteja os empregos, mas também mude a forma como a empresa foi gerida”, disse Gordhan.

Símbolo da má gestão das empresas estatais que caracterizou a gestão do ex-Presidente sul-africano Jacob Zuma (2009-2018), a SAA foi forçada a cortar muitas rotas nos últimos meses.