Junho também é o mês do nosso aniversário

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Junho também é o mês do nosso aniversário

Com o Mundo a tomar o caminho da globalização na área do conhecimento e a ter ao seu serviço uma rede de autoestradas e de plataformas digitais de informação em desenvolvimento acelerado à escala universal, a única forma da nossa identidade nacional sobreviver às pressões de uma colonização cultural avassaladora, por parte das grandes potências económicas, reside na capacidade que tivermos de prosseguir, individual e colectivamente, o propósito de cultivar os nossos valores, as nossas tradições e as nossas convicções sobre aquilo que consideramos ser a postura correcta de viver em sociedade. Essa cultura de valores – a preservar com orgulho e tendo a língua como ferramenta –  herda-se e transmite-se em família, leva-se para a escola e para os postos de trabalho e exerce-se nos ambientes associativos das nossas colectividades.

  É com este continuado espírito de apoio à causa lusíada e de crítica àqueles que sobre ela adormecem, que O Século de Joanesburgo entra com esta edição no seu 55.º ano de publicação.

  Não há dúvida de que sem o nosso jornal, fundado em Junho de 1963, a evolução da nossa Comunidade na África do Sul ao longo de todos estes anos teria sido muito diferente. Seriam muito menos conhecidas as suas actividades culturais, económicas, sociais, religiosas, escolares, desportivas e recreativas. Com o jornal, a Comunidade ganhou maior coesão social. Sem ele, os eventos associativos não seriam o que são, os projectos empresariais passariam desconhecidos, a solidariedade social não seria tanta, as tertúlias não se multiplicariam, as instituições de bem-fazer não teriam atingido a dimensão que hoje têm e também as cerimónias fúnebres não seriam tão participadas numa última homenagem aos que partem. Através dele, os leitores informam-se dos acontecimentos da actualidade e os anunciantes publicitam os seus produtos e serviços. Pelos anúncios que são publicados, arranjam-se empregos e concretizam-se transacções comerciais, das mais pequenas às de maior dimensão. Movimentam-se milhões e milhões de randes, com o jornal a desempenhar a função de elo de ligação entre os mercados da oferta e da procura. Há cinquenta e quatro anos que Comunidade e Jornal passaram a ser exemplo vivo do que é o pulsar interactivo numa sociedade organizada.

  Nesta caminhada e no âmbito da nossa missão de informar, continuaremos a privilegiar – dentro do idealismo humanitário que nos anima – a divulgação de todas as acções de cooperação e de solidariedade, acarinhando os movimentos de apoio a carenciados e as instituições de bem-fazer. Por isso, sem que o tenhamos pedido, fomos declarados Patronos da Sociedade Portuguesa de Beneficência da África do Sul e estivémos desde a primeira hora com os fundadores da Associação Portuguesa de Pais e Amigos de Deficientes Mentais/Escola do Lusito, em Joanesburgo, e o Grupo de Bem-Fazer Os Lusíadas, de Pretória.

  Arauto da serenidade nos tempos difíceis da transição política na África do Sul e defensor de uma visibilidade da Comunidade Portuguesa que corresponda ao seu valor real, ao nível de todas as estruturas da sociedade sul-africana, O Século de Joanesburgo, ao celebrar mais um aniversário, aposta no progresso económico e social da África do Sul e não quer ser tímido na previsão de um maior aproveitamento das potencialidades regionais quado se vislumba, na sequência da democratização dos países da região, uma crescente cooperação económica entre os Estados deste subcontinente, onde a Língua Portuguesa é a 2.ª mais falada. Estamos aqui para apoiar a nossa comunidade como participante activa neste progresso regional e como plataforma de ligação às suas origens.

  Não nos demitiremos dos propósitos que levaram à criação do nosso jornal e a defesa da lusofonia é um deles. É em português que continuaremos a defender os interesses da nossa comunidade, a divulgar os seus anseios, a relatar a sua vivência, a reportar as suas iniciativas, a promover os valores da sua cultura e a incentivar as relações comerciais entre as comunidades de expressão portuguesa.

   Em entrevista concedida em Novembro de 1983 ao Século, em Joanesburgo, o Prof. Dr. Cavaco Silva, ex-Presidente da República e então Director do Banco de Portugal, depois de ter sido ministro das Finanças e presidente do Conselho Nacional do Plano, afirmou que “a Língua Portuguesa é um activo muito mais valioso do que as reservas de ouro do País”.

  Assim, quando alguns órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa se rendem a outras línguas, O Século de Joanesburgo, para ajudar a redimensionar a presença da Língua Portuguesa num mundo cada vez mais globalizado, apostou em criar o seu próprio portal na internet, o qual funciona desde Março de 2008 com o endereço www.oseculoonline.com.

  Fazem parte da nossa história etapas que gostariamos de recordar.  Fundado em Junho de 1963 pelo Comendador António Braz – cuja memória vai ser recordada com uma cerimónia a 28 de Julho próximo, data do centenário do seu nascimento, em Tondela -, continuado pelo Comendador Horácio Roque, até à data do seu falecimento, a 19 de Maio de 2010, e hoje presidido pela Comendadora Paula Caetano, o nosso jornal entrou na história da comunicação social de língua portuguesa no estrangeiro como a primeira publicação, ao nível das Comunidades, a possuir Redacção dotada com equipamento de fotocomposição. Isso aconteceu em Novembro de 1974, depois do Comendador António Braz ter readquirido, no anterior mês de Maio, O Século de Joanesburgo ao Diário de Lourenço Marques, que foi seu proprietário durante quatro anos.

  Desde então, acompanhando os avanços operados no sector informático, o nosso Jornal vai na quinta geração de computadores – a Redacção está actualmente equipada com G5 da Apple, em unidades de 20 polegadas – e orgulha-se de conservar todo o equipamento antigo, que irá constituir património de um futuro Museu do Século.

  Como jornal comunitário no estrangeiro, O Século de Joanesburgo foi também o primeiro a possuir a sua própria rotativa de impressão – uma “Goss” -, ganhando o estatuto de casa impressora. Foi assim que, com mais este investimento, nasceu em 1981 o Século Printers, hoje Seculo Triweb Printers.

  O volume de trabalhos confiados pelo mercado à nos-sa qualidade de impressão impulsionou a aquisição de uma segunda e muito maior rotativa – uma “Goss Community” – que entrou em fucionamento em Abril de 1989, por coincidência, no dia de aniversário do Comendador Horácio Roque.

  Numa caminhada firme, meses antes das primeiras eleições democráticas na África do Sul, que ocorreram em Abril de 1994, o Grupo Século, numa nova afirmação de confiança no futuro deste País, passou a proprietário do edifício da Kay Street, na Baixa de Joanesburgo, onde até então nos encontrávamos instalados como inquilinos, desde Janeiro de 1986. Demos-lhe o nome de “Século House”.

  O crescimento da empresa levou o Grupo Século a efectuar um novo investimento, com a aquisição de novas instalações em Ormonde, a sudoeste do centro de Joanesburgo, onde temos uma área coberta de 12.500 metros quadrados num terreno com mais de 30.000 metros quadrados. Grandes rotativas de impressão são já cinco,  todas elas com mais de 40 metros de comprimento – uma “Goss Community”, uma “Heidelberg M600”, uma “Heidelberg M602”, a que se juntaram duas novas impressoras – uma “Manugraph Hiline 45” e mais recentemente uma “Manugraph Cityline Express”, já adquirida com Paula Caetano na presidência do Conselho de Administração do Grupo Século.

  Reconhecido como órgão importante na congregação da Comunidade, como meio de divulgação das suas realizações e como tribuna dos seus anseios, “O Século de Joanesburgo” já foi agraciado por duas vezes pelo Governo Português com a Medalha e Diploma de Valor e Mérito das Comunidades Portuguesas, a primeira em 1987 e a segunda em 2003.

  Há 54 anos, completados com a publicação desta edição, que O Século de Joanesburgo está convosco, num encontro semanal que é a renovação da nossa grandeza comunitária e da nossa esperança num destino comum.

  Nenhuma edição mais própria do que esta, a de hoje, para saudarmos todos os falantes da nossa Língua, testemunharmos a enorme e reconhecida fidelidade dos nossos Leitores e Anunciantes, e agradecermos a colaboração amiga e dedicada de todos os que nos têm acompanhado nesta longa e feliz caminhada.

R. VARELA AFONSO