Julius Malema quer expropriações sem pagamento de indemnizações

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Julius Malema quer expropriações sem pagamento de indemnizações

Julius Malema quer expropriações sem pagamento de indemnizaçõesA Liga da Juventude do ANC concluiu sexta-feira uma “marcha pela libertação económica”, iniciada na véspera em Joanesburgo, com a entrega de um memorando ao governo, na capital Pretória, no qual exige, nomeadamente, alterações constitucionais que permitam expropriações de terras sem o pagamento de indemnizações.

 O memorando, que foi entregue pelo presidente da Liga, Julius Malema, ao ministro das Obras Públicas sul-africano, Thulas Nxesi, pedia alterações profundas à política governamental do partido no poder, o ANC, no sentido de serem criados “o dobro dos postos de trabalho” dos que foram criados desde 1994 e uma redução significativa da pobreza e da exclusão social.

 Para tal, a Liga da Juventude do ANC advogou a introdução de políticas em tudo semelhantes às implementadas nos últimos anos pelo presidente do Zimbabwé, Robert Mugabe, designadamente a expropriação das terras agrícolas que estão na posse de agricultores brancos, bem como a nacionalização das minas e recursos minerais e do sector bancário.

 Grupos de apoiantes de Malema marcharam na quinta-feira entre o centro de Joanesburgo e o bairro de Sandton, numa distância de 25 qui-lómetros, tendo entregue memorandos com reivindicações à organização patronal do sector mineiro (a Câmara das Minas) e à Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE).
Durante a noite de quinta-feira, muitos dos manifestantes levaram a cabo uma caminhada de cerca de 60 quilómetros entre Sandton e Pretória, onde na sexta-feira de manhã retomaram a marcha até à sede do governo, no Union Buildings.

 Grupos significativos de manifestantes optaram por usarem os transportes públicos entre Joanesburgo e Pretória.
 O líder da Juventude do ANC e impulsionador da marcha, Julius Malema, alternou entre caminhar e uma das viaturas que acompanharam a manifestação. Confrontado com alegações de que teria percorrido a maior parte do percurso de automóvel, Malema garantiu que percorreu pelo menos 35 quilómetros a pé.
 As estimativas da adesão popular às várias etapas da marcha variam entre a organização, mídia e autoridades. Malema insistiu que cerca de 25 mil pessoas participaram na marcha.

Apesar dos receios iniciais de que a manifestação e as marchas pudessem degenerar em violência, à semelhança de anteriores iniciativas da Liga da Juventude, os dois dias de protestos decorreram sem incidentes.
 Entre as mais importantes mensagens passadas pelos organizadores e pelos participantes, destaque para a retirada do apoio da Liga ao Presidente Jacob Zuma na reeleição, em 2012, para a presidência do ANC e consequente candidatura à Presidência da África do Sul nas eleições gerais de 2014.
 “Kgalema Mothlante (actual vice-presidente) é o nosso presidente” e “Não queremos Zuma nem Gwede (Mantashe, secretário-geral do ANC)” foram algumas das mensagens inscritas nos cartazes dos manifestantes à porta da Presidência, em Pretória.

 Foi também notório que os manifestantes não ostentaram símbolos nem roupa com a imagem de Zuma.
 Malema usou camisolas com a imagem do ex-presidente Nelson Mandela, enquanto muitos dos que marcharam em Joanesburgo e Pretória envergaram camisolas com a imagem de Mandela e do ex-líder líbio Muammar Kadhafi, morto durante a conquista de Sirte, e que Julius Malema considerou “um exemplo para todos os que lutam pela libertação económica dos povos”.