Jovem português lança-se em carreira de músico e produtor profissional

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Miguel Pregueiro é um jovem artista, produtor e compositor musical. Apaixonado pelo futebol com o sonho de se tornar jogador pro-fissional ao mais alto nível, o destino ditou que fosse a música o novo desafio a abraçar. Altamente competitivo e altamente dedicado a tudo o que faz, Pregueiro está totalmente focado em fazer da música e da carreira musical o maior dos sucessos. Na Belém, o jovem músico português sentou-se com o Século de Joanesburgo para nos falar do seu percurso, da sua marca e de projectos futuros.

 

 Michael Gillbee – Dê-nos um pouco do seu historial. Onde nasceu? Onde estudou?

  Miguel Pregueiro – Eu nasci na África do Sul, o primeiro bebé nascido no Harmelia Hydromed Hospital. Figurei no jornal na mesma semana, como o primeiro bebé nascido naquele hospital. Mas sempre estive em Edenvale, andei na escola primária Dunvegan em Edenvale, frequentei a Edenvale High. Sempre estive naquele lado do Rand e ainda estou a viver lá.

  A minha paixão desde tenra idade foi ser um jogador de futebol. Esse era o meu sonho, era o que queria ser. Era obcecado com o futebol, ainda sou! Foi para esse objectivo que sempre trabalhei, desde a escola primá-ria. Quando acabei a Matric…

  MG – Quando é que completou a Matric?

  MP – Em 2012.

  MG – E o que é que aconteceu depois da Matric?

  MP – Depois da Matric eu queria mesmo era jogar futebol, não queria estudar mais e, honestamente, não fazia ideia do que queria estudar. Queria jogar futebol e era só o que eu queria mesmo fazer. O primeiro ano depois da escola secundária fiz alguns trabalhos em part-time, porque era preciso ganhar algum dinheiro. Fiz algum trabalho de promoção, de barman, treino.

  MG – Quando fala em treino, é em termo de futebol?

  MP – Futebol, cricket, hóquei. Desporto. Estava a jogar como semi-profissional, apenas treinava três vezes por semana ao final da tarde, jogos ao fim-de-semana, não era pago. Comecei a trabalhar para o meu pai, durante alguns meses.

  MG – O que é que fazia?

  MP – Era representante de vendas da empresa de segurança privada do meu pai, em Alberton. Depois fui seleccionado para a equipa principal do Highlands Park. Isto, no ano de 2013.

  Nesse mesmo ano, participei no programa Ídolos – é aqui que entra a música! Em 2013 como uma piada, os meus amigos desafiaram-me e cantei como um esquilo. Com a voz e tonalidade de um esquilo. E daí surgiu que se eu consigo cantar como um esquilo afinado, como será cantar a sério? Porque no liceu eu gostava muito de fazer teatro.

  No princípio de 2014 comecei a jogar ao mais alto nível possível com o Highlands Park, 2ª divisão, 1ª divisão e na Vodacom NFD.

  Nesse ano, comecei a fazer “covers” de três canções e a publicar os vídeos na minha página do Facebook. As pessoas reagiram bem, apesar de hoje, se as ouvir novamente, serem muito básicas e versões mesmo muito amadoras.

  Em 2014 mudei-me para a Cidade do Cabo e ingressei na equipa do Vasco da Gama. Estive lá alguns meses, seis meses.

  Não me dediquei à música e depois fui chamado pelo Highlands Park para voltar para Joanesburgo. E no final de Novembro de 2014 lesionei-me no dedo do pé e não conseguia sequer treinar com a equipa. E com uma lesão num dedo do pé, tem de se ter repouso total.

  Eu estava em casa sem nada para fazer, durante um mês. Os meus pais falaram comigo e decidimos inscrever-me nos estudos superiores, mas naquilo que eu quisesse. Assim, decidi ingressar na escola superior de artes performativas, nem sequer música, era mais ci-nema e ser actor.

  Encontrámos a AFDA, a escola de cinema e artes performativas. Inscrevi-me nela e só em 2015 é que ouvi falar da escola. Eu optei pela escola performativa, nessa vertente, escolhi especialização em actor de televisão e cinema em conjunto com formação musical. Cantar é apenas 5% daquilo que o curso se trata.

  MG – É teoria e formação musical, instrumentos e que mais?

  MP – É teoria musical, instrumentos, produção, comércio/empresarial, Direito musical. Cantar, compo-sição musical, treino vocal. Há muita coisa, não é só agarrar num microfone e cantar.

  No primeiro semestre comecei a actuar e a cantar e acabei o ano como o melhor da minha turma, o que eu não esperava porque a minha turma tinha toda um historial musical e eu estava a entrar “às cegas” a fazer as coisas pela primeira vez. Mas, ajudou-me muito, porque significou que tive que me dedicar ainda mais e trabalhar o dobro dos outros para conseguir atingir os meus objectivos.

  MG – Mas nunca tinha tocado um instrumento mu-sical?

  MP – Nunca. Até essa altura, ao ter entrado para a AFDA, nunca tinha sequer pegado numa guitarra, tocado piano, nada! Não cantei no coro na escola, absolutamente nada. Foi o primeiro contacto com música a sério.

  Não gosto de não ser o melhor. Uso o Ronaldo como inspiração, porque ele também não gosta de não ser o melhor. Para mim, não por mais ninguém. Não gosto de perder por ser tão competitivo. É aquela mente de jo-gador de futebol e desportista, não se gosta de falhar. No curso passou-se a mesma coisa comigo. Trabalhei muito e acabei o primeiro ano como melhor da turma.

  No segundo semestre do primeiro ano, fiz design de som, edição de filme, escrita de banda sonora de filmes. Produção musical e efeitos visuais.

  No segundo ano segui edição e som. Os meus professores de música chamaram-se e disseram-me que estava a cometer um erro ao não escolher a música. Reconsiderei e optei então pela música. Pelo simples facto dos meus professores falarem do potencial em mim, em termos musicais. O meu primeiro concerto, foi em 2015, no Lusito e a cantar com o Choppa que antecedia os “Mi Casa”. Continua até hoje a ser a maior audiência para a qual actuei.

  MG – A sua formação académica é neste curso de audiovisuais e música?

  MP – Sim. Tirei um bacharelato em artes performativas com especialização em música. O meu curso é para um cantor/compositor de música. Basicamente é isso de que se trata. Ser capaz de ser autossuficiente, onde é possível ser o próprio empresário/gerente. Criar um negócio para nós mesmos, uma marca própria e ser capaz de publicitar e mostrar essa marca e potencial artístico lá fora. Ser capaz de agendar e gerir agendas de espectáculos, escrever, gravar e produzir todo o próprio material. Actuar. Basicamente, ser autossuficiente musicalmente.

  MG – E já concluíu o curso?

  MP – Sim, isso está tudo feito. Acabei em 2017 e a formatura foi em Março deste ano quando me deram o diploma.

  MG – O lado do futebol, está completamente de parte?

  MP – Ainda jogo, futsal. Ainda conto todos os meus golos [ri].

  MG – Quais é que são as suas opções agora? Vai continuar a perseguir a carreira profissional de futebol ou vai optar pela música?

  MP – Se tivesse que perseguir a carreira futebolística, teria que abdicar muito daquilo que estou a fazer musicalmente. Porque ocupa muito tempo. Tem que se optar, não se pode ter as duas coisas, infelizmente. Ou se faz algo bem a tempo inteiro ou se fazem duas coisas mal em part-time!

  MG – Agora, considera-se músico profissional?

  MP – Considero-me um compositor/cantor profissional. Tenho uma equipa comigo que faz a produção, eu trabalho nas canções, nas chamadas “demos”, apresentou-as e fazemos uma produção em grande escala.

  MG – Onde é que grava?

  MP – O estúdio é em Fairlands, Randburg. Vou lá muitas vezes para gravar. A empresa com que trabalho chama-se Polymode Records. Uma discográfica independente, com quem trabalho. Eles dão-me a música, é muito talhada para o som e o tipo de música que faço.

  MG – Como músico, o que é que o inspira? Qual é o seu género musical?

  MP – Eu diria que é pop latino. Gosto muito desse género de música. Com o meu primeiro single “Vamo-nos” tentei estabelecer o meu “som” como pop latino. Quero ser um artista da música pop e dança. Agora com “Tacos e Tequila”, é uma sonoridade e música salsa.

  MG – Quantos singles é que já editou?

  MP – Até ao momento, três.

  MG – E quando é que álbum de estreia está à ven-da?

  MP – Eu quero que o meu álbum de estreia tenha 15 canções. Porque era o meu número de jogador de futebol. Mas o meu objectivo é levar as coisas com calmas, estou ainda muito no início da minha carreira, lançar um álbum agora não é o melhor. Quero ter uma fundação e uma legião de seguidores coesa e forte antes de poder lançar um disco. Tem de beneficiar todas as partes, porque muito dinheiro e tempo e trabalho são investidos num disco, não se pode lançar um álbum de qualquer maneira para depois não vender ou não ser bem-recebido pelo público.

   Estou a escolher levar isto e fazer disto uma carreira profissional como músico/compositor/cantor, as coisas têm de ser sólidas e ter um bom plano e estratégia em-presarial. A música, como tudo, é um negócio com várias partes envolvidas. E a música é, para mim, muito semelhante ao desporto, há uma janela de oportunidade muito pequena. Quando passa, depois vem a pessoa seguinte, a estrela seguinte. Joga-se dez anos e depois o que é que acontece, geralmente? A música é igual. Uma carreira sólida de 10 a 15 anos, com vários singles de topo e espectáculos e alguns álbuns que vendam bem, depois essa janela passa. Estou a falar ficar no pico?

  MG – Está a aprender algum instrumento?

  MP –  Tivemos de aprender a tocar piano no curso, portanto tenho conhecimentos elementares de teclados musicais.

  MG – E a voz?

  MP – Também, sim… tive treino vocal. Mas temos muita coisa que podemos trabalhar sozinhos, através de vídeos que são postados no YouTube, coisas autodidatas.

  MG – Onde é que podemos encontrar a música do Miguel Pregueiro? iTunes, Spotify, Google Play?

  MP – [sorri] Eu já estou em todas essas plataformas!

  MG – Explique-nos a sua ligação portuguesa.

  MP – Os meus pais já nasceram aqui na África do Sul, são a primeira geração nascida cá. Falam fluentemente Português. Tenho uma irmã mais velha, que vive em Portugal, é professora de Inglês no Algarve.

  O Português no meu caso não foi algo prioritário, porque a minha irmã teve muita dificuldade com o Inglês, assim, quando eu nasci os meus pais só falaram Inglês comigo. Eu percebo e a única altura que estava exposto à língua era quando a família estava toda junta. Mas não falo fluentemente, infelizmente. Mas já estou a trabalhar nisso, para poder falar fluentemente Português.

  Do lado da minha mãe, a família é de Lisboa e a parte do meu pai, o meu avô era do Norte de Portugal e a minha avó era do Funchal, Madeira.

  MG – Vai a Portugal com frequência?

  MP – A última vez que estive em Portugal foi há dez anos.

  MG – Há alguma inspiração na música portuguesa?

  MP – A minha inspiração vem mais de géneros musicais do que dos artistas propriamente dito. Procuro sons e sonoridades em específico. Oiço mais a música e depois oiço a letra e só depois é que presto atenção ao artista. Em termos de referência, oiço a musicalidade dos instrumentos. O arcordeão. A guitarra portuguesa. E ritmos portugueses também.

  MG – Está sozinho? Tem uma banda?

  MP – Vou dar um exemplo: o Justin Bieber é um artista com uma banda. Os MiCasa são uma banda. Eu sou mais como o Justin Bieber.

  MG – Qual é o seu mercado?

  MP – Eu faço tudo. O meu mercado é generalizado. Por exemplo, a empresa de telecomunicações e tele-móveis MTN contrataram-me para a festa de final de ano. Trabalho na Comunidade portuguesa, trabalho para todas as Comunidades, predominantemente a Comunidade portuguesa, mas estou aberto e faço trabalho e dou espectáculos em toda a África do Sul.

  MG – Como é que é cantar com os novos artistas e ser um novo artista? Falo do Roberto Adão, Lean-dro Coimbra, Jason da Costa, Kátia de Ponte, Daniela Estanqueiro, Diana-Lee Moniz. É uma nova geração de artistas lusos onde o Miguel se integra.

  MP – Sinto-me como o “bebé” do grupo, porque eles cantam e fazem espectáculos há muito mais tempo do que eu. Mas adoro. Nós não temos qualquer rivalidade, mas estamos em total colaboração uns com os outros. De todos que mencionou agora, somos todos completamente diferentes. Não há uma sonoridade igual, portanto oferecemos à Comunidade e à África do Sul, em termos musicais, coisas muito diferentes.

  MG – Explique-nos a sua marca?

  MP – É uma onda de som em forma do M do meu nome, Miguel. Com uns auscultadores por cima. Criei esta marca ainda na escola superior da AFDA, fui o único a fazê-lo. Fazia parte de uma das disciplinas que tivemos no curso. Quis criar algo que não só me definisse, como artista, mas também uma marca “fixe” que as pessoas gostassem de usar. Algo que, embora não me conhecessem ou soubessem da minha música, que vissem o logo e gostassem. Assim, investi nos bo-nés e t-shirts e via na escola muita gente a usar. No outro dia vi no ginásio alguém a usar um boné meu, sem sequer saber quem era a pessoa. É uma sensação muito boa!

  MG – Quais são os planos de futuro para o Miguel Pregueiro artista?

  MP – Os meus planos para este ano eram de encontrar o meu “som” e a minha “marca” no Mundo a sério. Porque até agora era tudo feito através de teoria dos meus estudos. Este ano queria também colocar uma canção minha no ar, na rádio. Felizmente, apareci na televisão, canção a passar nas ondas da rádio. Artigos online e de jornal. Excedi as minhas próprias expectativas, algo que me deixa muito, muito feliz.

  O meu objectivo agora é para o ano continuar a lançar canções, de preferência, de três em três meses, editar uma canção. Em 2019, quatro a cinco músicas. O disco virá talvez no final de 2019 ou só para 2020. Depende de como as coisas se desenvolverem. Já começo a ver nalguns dos meus espectáculos, as pessoas a cantar as minhas canções e saberem a letra. Isso, para mim, é uma sensação inacreditável.

  MG – Esta época do ano, onde é que podem “apa-nhar” o Miguel?

  MP – O melhor mesmo será seguirem-me nas redes sociais e acompanharem a agenda. Todas as semanas são diferentes. É tudo @miguelpregueiro e o meu nome.

  MG – Para os artistas aspirantes e aspirantes a músicos, que conselhos dá?

  MP – Em primeiro lugar, não é aquilo que as pessoas pensam que é. A presunção é que aquilo que eu faço e aquilo que nós artistas fazemos é muito fácil. É só chegar e cantar e não é. Há muito trabalho e tempo de bastidores e dinheiro envolvido para conseguir algo. Em termos de actuação, porque é que um certo nú-mero de cachet é cobrado e para que serve.

   O conselho que dou é uma palavra enorme: paciência! A paciência é algo extremamente importante porque no Mundo que vivemos hoje, em qualquer indústria, a gratificação imediata é que as pessoas procuram e querem. Está tudo ao toque do telefone, pode-se mudar de parceiro instantaneamente, por isso é que os relacionamentos não duram. Pensam que se pode tornar famoso de um dia para o outro, que seremos o melhor instantaneamente, não vai acontecer assim. Tem que se trabalhar muito, muito trabalho. É trabalhar muito e não esperar que as coisas caiam no colo. É preciso trabalhar todos os dias e se é algo que se quer fazer, é preciso dar o tudo por tudo. Algo que falei com o Leandro Coimbra, é que não se pode tratar isto como um hobby, tem de se dar o tudo por tudo, arriscar e investir em nós mesmos. Os retornos virão.

  Paciência, perseverança, trabalho árduo são tudo peças fundamentais para o sucesso.

  Miguel Pregueiro é um jovem português que dá os primeiros passos no Mundo da música. Alto e de porte atlético, o que caracteriza Miguel à primeira vista é o sorriso sempre posto nos lábios. O olhar branco e o tom de voz suave, a calma com que fala e a atenção que devota às pessoas, fazem dele um interlocutor fas-cinante. O seu conhecimento e paixão musical fazem dele um artista em ascensão que é caracterizado pelo rabo de cavalo no cabelo.

  Miguel está na curva ascendente do mundo musical. Será por certo uma das estrelas da cena artística da África do Sul