Jovem português fundou a 2.ª maior empresa de desenho animado da África do Sul

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Marco Curado

Marco CuradoMarco Curado é um luso-descendente nascido em Joanesburgo a 27 de Dezembro de 1984. A grande “paixão da sua vida” é o desenho animado,  o clássico no formato 2D, embora já tenha experimentado também na sua carreira o 3D.

 Marco lançou-se na aventura de criar a sua própria empresa produtora de desenho animado, a Paper Cut Studios, pois estava cansado de trabalhar para patrões.
 Marco explica-nos porquê  escolheu o desenho animado como a carreira que vai seguir na vida.
 “Quando eu tinha os meus cinco anos os meus pais ofereceram-me uma consola de jogos. Era apenas uma consola de jogos como tantas outras que os miúdos recebiam como prenda. Mas essa foi muito especial, pois teve o condão de fazer despertar em mim qualidades inatas que viviam escondidas nos labirintos do meu sub-consciente. Sem dar por ela comecei a dar predilecção pelos jogos electrónicos, embora também dedicasse algum tempo para brincar como os outros miúdos da minha idade.

 O passo seguinte, dois anos mais tarde foi a prenda que recebi – um computador, na altura considerado “uma bom-ba”. Posso afirmar, com convicção, que foi o momento decisivo da minha vida, que ajudou a definir o meu futuro. Dada a destreza que  ganhara com a consola de jogos, a minha adaptação ao computador foi rápida e a progressão muito boa”.

 O Marco nessa altura tinha sete anos, depois de deixar a África do Sul,  estava a adaptar-se ao sistema das escolas em Portugal…
 “A minha vida escolar em Portugal, no primeiro ano foi difícil, pois era uma nova escola, um novo sistema e a língua. Embora falasse português, sentia dificuldades. Mas com muito esforço e a ajuda da minha mãe, ultrapassei esse obstáculo e passei o ano escolar.”
 Falando sobre a sua ligação com o computador…

 “De dia para dia ia aprendendo cada vez mais sem ter um instrutor que me guiasse. Dispunha de um manual, mas o mais importante foi o meu forte espírito de aventura e a intuição para descobrir os porquês das coisas.”
 E como entrou para o desenho animado?
 “Numa das suas viagens ao estrangeiro o meu pai comprou um programa de animação 3D para miúdos. Na noite em que instalei o “software” no meu computador “produzi” o meu primeiro filme. Fui eu que idealizei a história, criei algumas personagens e, está claro, utilizei outras que faziam parte do programa.

 Ainda me lembro desse filme com toques de ficção científica, pois contava com extra-terrestres e naves espaciais. Tinha eu  9 anos.”
 Tempos volvidos o Marco regressou à África do Sul…

 “Regressei ao país que me viu nascer. Foi a concretização de um sonho há muito acalentado. Pois lá em Portugal, embora tivesse o apoio dos meus familiares, dos meus amigos, sentia muitas saudades da África do Sul. Era como que um chamamento constante…

  Acho que eram memórias do passado, gravadas no  meu subconsciente, a chamada de África, dos seus espaços livres.”
 Chegado a Joanesburgo reiniciou os estudos…

 “Depois de uma breve passagem pela “High School” resolvi inscrever-me no Damelin College para tirar um curso ligado à informática, que tinha por tema principal a arte da animação. Foi um excelente passo na minha vida, pois serviu para eu vir a escolher a minha profissão do futuro”.
 E  o cuso de animação?

 “Acabei o curso com uma boa classificação, recebi dois diplomas de mérito. Não tive problema em arranjar emprego, pois o próprio Damelin College mandou o meu curriculum para várias companhias de produção.
 Trabalhei para diversas empresas, até encontrar uma a “Blurr Productions TV” que foi muito importante para mim, pois tive a oportunidade de desenvolver e de pôr em prática todos os meus conhecimentos. Existia um bom relacionamento entre o dono da companhia e eu. Agora somos grandes amigos.

 No entanto a empresa mudou-se para a Cidade do Cabo e eu também.  Passado um ano, resolvi regressar a Joanesburgo para iniciar a minha vida a solo.

 Ao princípio estive a leccionar a arte da animação baseado no programa Toon Boom Harmony, que é utilizado pelos maiores estúdios mundiais entre os quais o Walt Disney na Academia de Arte e Cinema de Joaneburgo
 Depois fui convidado por um estúdio de Joanesburgo para criar um projecto de um filme de animação de grande metragem, com a duração de hora e meia – “Purity”.

  Fomos nós que escrevemos o “story board”, criámos as personagens, a música de fundo e canção que serviria de tema principal “I know you”.
Fizémos o “trailer” de cerca de três minutos, que fomos apresentar no Festival Internacional de Annecy em França. Foi muito bem aceite, existiu um certo interesse das produtoras mundiais, mas devido à crise económica não conseguimos encontrar um financiador para o avançar com o projecto.
 Quem quiser apreciar e avaliar a qualidade desse nosso projecto, poderá ir ao Google e procurar You Tube.

 No You Tube, inserir a palavra Purity The Movie e depois carregar “click” na janela que diz “Purity Movie Trailer”. Logo a seguir poderão também apreciar a canção, escrevendo  Purity Theme Song e carregando na respectiva janela”.
 Mas o projecto foi cancelado?
 “Não é bem assim, ficou adiado para melhores dias”.
 Após o seu regresso decidiu então criar a sua companhia.

 “Foi uma decisão tomada, que já há muito alimentava. Sabe, nós, os artistas, gostamos de ter a nossa independência, para podermos dar asas à nossa imaginação e à veia criadora. Com patrões e empresas temos que nos cingir às directrizes da empresa. Nem sempre é fácil coadunar o ponto de vista artístico com o factor económico. Surgem por vezes situações de atrito”.