Jovem português acabou a Matric com 9 distinções

0
60

O jovem luso-sul-africano Dominic Quintela da Costa obteve no último ano do Ensino Secundário, a “matric”, nove distinções e acabou com uma média de aprovação de 91.9%. Dominic ingressou assim na “IEB Outstanding Achiever” – um grupo restrito de todos os melhores estudantes nacionais e foi dos primeiros 100 alunos admitidos à Universidade WITS. Na escola que frequentou, a St. Benedict’s College, foi líder, líder Académico e da Cultura, capitão da equipa de gaita-de-foles, orador público, música e participou no coro. Fez também remo. O Século de Joanesburgo foi saber junto deste jovem os seus segredos para o seu sucesso escolar.

Michael Gillbee: Dê-nos um pouco do seu historial. Nasceu onde, estudou onde?

  Dominic da Costa: Nasci na Garden City Clinic em Joanesburgo, vivo na mesma casa onde o meu pai cresceu em Primrose, Germiston com os meus pais. Eu frequentei a escola pré-primária, Bedfordview Pré-Primária e mudei para a St. Benedicts College na “Grade R”, onde fiquei até este ano na “matric”.  Falávamos Português em casa, porque como disse a minha avó não falava outra língua.

  MG: As raízes lusas vêm de onde?

  DdC: Os meus pais vêm de Moçambique. A maior parte da família do meu pai vive em Portugal, os meus avós viviam em Portugal mas agora moram connosco.

  MG: Frequentou a mesma escola em todo o seu percurso académico. Conte-nos sobre as distinções que obteve.

  DdC: As disciplinas que estudei foram Ciências Biológicas que agora se chama Ciências da Vida, Tecnologias da Informação, Matemática, Inglês, AP Maths e Música – como disciplina suplementar. Eu costumava estudar Inglês AP, mas não tinha tempo suficiente para essa última disciplina.

  MG: Quando diz AP, o que é que isso significa?

  DdC: AP significa “Advanced Program”, portanto programa avançado ao currículo normal. Na St. Benedicts College, fazemos a Matemática do programa normal um pouco mais rápido e fazemos o programa avançado durante as aulas. Ao passo que algumas escolas o fazem de forma extracurricular.

  MG: Em todas as disciplinas que fez, obteve distinções em todas elas?

  DdC: Sim. E na disciplina de “Life Orientation” – “Orientação de Vida”.

  MG: E o que é a “IEB Outstanding Achie-ver”?

  DdC: A St. Benedicts College é uma escola IEB, o que significa que não fazemos os exames normais NSC do Departamento do Ensino. Fazemos os exames IEB, com exigência muito similar, mas é mais reconhecido e aceite internacionalmente.

  MG: Básicamente é como fazer os A-Levels na Inglaterra?

  DdC: Sim, exactamente. A escola considerou fazer isso também.

  MG: E como é que foi a sua carreira académica?

  DdC: Eu tive uma aproximação holística à escola, não sou do tipo de pessoa de festas. Até à Grade 7, não fiz muito desporto, era mais focado no percurso académico. Quando entrei na escola secundária, fiz remo. Escolhi fazer mais do que apenas estudar e entrei em mais coisas e infelizmente, não consegui continuar com remo, porque os estudos consumiram-me muito o tempo. Mas gostei muito de participar. A equipa de gaita-de-foles e o Teatro foram coisas em que também gostei muito de participar. Fiz muito trabalho escolar porque não queria ser só um “rato de biblioteca”.

  MG: E como é que é a escola? Teve muitos colegas e amigos portugueses?

  DdC: Muitos dos meus colegas portugueses conheço desde que entrámos para a escola e ainda falamos hoje. Há um enorme número portugueses e é fácil identifica-los, especialmente na altura das competições de futebol, porque vêem-se os cachecóis e camisolas de Portugal. Gostei sempre muito do ambiente da escola, é relativamente jovem, a escola completou 60 anos o ano passado.

  MG: O Dominic falava Português em casa? E na escola?

  DdC: Não, infelizmente não. Querem começar este ano, como extracurricular. A única maneira de fazer Português na escola, era ir a outra escola, à Holy Rosary School for Girls. Durante a tarde era difícil, se me tivesse dito uma tarde eu ter-lhe-ia dito o que tinha para fazer, todas as tardes da semana. Não conseguir, infelizmente, fazer o Português. Mas eu, até aos cinco anos de idade, só falava Português. Mais tarde, quando fui para a escola comecei a aprender Inglês. Não frequentei aulas, mas estive exposto ao idioma em casa para saber escrever e falar suficientemente bem Português.

  MG: Quando é que foi a última vez que foi a Portugal?

  DdC: Em 2008. Não voltámos não porque não quiséssemos, mas porque simplesmente não houve tempo e tivemos outras prioridades. Mas gostaria mesmo muito de ir, porque agora com a Universidade há outro tipo de horários, há outras pausas nas aulas, tipo miniférias e quero muito ir a Portugal brevemente.

  MG: E agora no Ensino Superior, o que é que o Dominic vai estudar?

  DdC: Vou estudar medicina e cirurgia na WITS.

  MG: Planeia continuar a carreira académica na África do Sul ou tenciona ir para fora?

  DdC: Isso faz parte dos planos, mas para já, a maior parte das pessoas que me aconselharam disseram-me para tirar o curso aqui na África do Sul e depois pensar em sair. Mas em medicina, aqui na África do Sul, é-se exposto a muito mais, em termos clínicos, do que noutras partes do Mundo. E recém-formados em medicina já fizeram coisas e viram coisas e trataram condições e patologias que noutras partes do Mundo na maioria dos casos estudaram apenas em teoria. Ao passo que nós aqui temos a prática da teoria.

  MG: Voltando à “matric”, é difícil conseguir todas estas distinções?

  DdC: Certamente que sim. Foi preciso muito trabalho e planeamento, especialmente com a música. Porque eu ia apenas estudar Tecnologias de Informação e optei por música também, mas tive de apanhar um ano de estudo musical que não tinha tido, assim durante as tardes tive de fazer lições extra, para conseguir acompanhar os meus colegas e ficar ao mesmo nível. Houve muito trabalho.

  MG: Acha que esta ética de trabalho e distinções prepararam-no melhor e o ajudarão na vida académica universitária?

  DdC: Bem, eu não sei o que me espera na Universidade. Mas não penso que uma boa ética de trabalho é detrimento em nada. Portanto, embora não saiba bem o que vou encontrar na faculdade, sinto que se trabalhar duro e com as ferramentas que aprendi a conseguir atingir o que já atingi, sinto que essas aptidões são facilmente transferíveis para uma vida universitária.

  MG: Que conselho pode dar aos jovens portugueses que agora começam a escola secundária? Ou que estão a entrar no último ano, no ano da “matric”?

  DdC: Mantenham-se em cima das coisas! Muitas pessoas acham que a “matric” começa bem e calma, que é fácil. É-se dado todos estas datas limite para o portfolio, que parecem estar muito longe, muito distantes e depois chega-se a Março os alunos não conseguem acompanhar porque não estiveram a trabalhar nem a fazer nada. Mantem-se em cima dos acontecimentos, não se deixem atrasar. E estudem para entenderem e não para apenas se lembrarem. Porque se se entende algo, é mais fácil utilizar esse conhecimento ao invés de apenas lembrar de cor e salteado.