José Sócrates nunca sonhou em ser primeiro ministro

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José Sócrates

José SócratesO primeiro ministro, José Sócrates, afirmou que no período da revolução de Abril nunca lhe passou pela cabeça exercer cargos políticos, mas que agora se sente orgulhoso por “servir o país” numa conjuntura difícil.

 As palavras de José Sócrates foram ditas durante uma curta conversa descontraída com jornalistas, quando cumprimentava os cidadãos que aproveitaram para visitar a residência oficial de São Bento no dia 25 de Abril.
 Debaixo de um sol intenso, nos jardins de São Bento, Sócrates foi cumprimentado por dezenas de populares. Enquanto distribuía beijos pelas mulheres e crianças com que se cruzava, Sócrates, em vários dos seus diálogos, foi fazendo sempre questão de salientar que a residência oficial do primeiro ministro “é do povo” e não sua.

 Questionado pelos jornalistas sobre os seus objectivos de vida quando há 36 anos se deu a revolução de Abril, Sócrates negou qualquer ambição política.
 “Nunca que me passou pela cabeça ser primeiro ministro, nunca sonhei com isso. Não sou daqueles que desde novo subiam para bancos e faziam discursos pensando-se presidentes da República”, respondeu. José Sócrates fez mesmo questão de frisar não fazer parte “desse conjunto de pessoas” com ambições políticas precoces.

 “Nunca sonhei nem em ser Presidente da República, nem primeiro ministro, nem ocupar cargos de destaque. A vida é uma sucessão de pequenos nadas e de pequenos acasos e foi isso também que me aconteceu”, declarou

 No entanto, logo depois, num registo mais político, Sócrates pronunciou-se sobre o modo como encara as suas actuais funções de primeiro ministro.
 “Faço o meu melhor para servir o país e, aliás, tenho orgu-lho em servir o meu país numa altura de governação muito exigente e difícil”.
 Perguntado sobre as suas recordações em relação ao dia 25 de Abril de 1974, o primeiro ministro disse ter vivido esse dia no Liceu da Covilhã.
 “No dia 25 de Abril de 1974, fui normalmente para o Liceu da Covilhã e lembro-me de ter ouvido os rumores sobre uma revolução em curso. Lembro-me bem dessa manhã e do entusiasmo com que todos os jovens na época encaravam o que aí vinha. Foi um dia de primavera, como o de hoje”, observou.

 Interrogado sobre o momento em que o PS vai decidir em relação à candidatura presidencial de Manuel Alegre, José Sócrates recusou-se a responder, alegando não ser este um dia adequado para falar desse tema.
 No entanto, depois de citar Luís de Camões, o primeiro ministro referiu-se à importância dos poetas na vida pública. “Os poetas fazem falta na vida pública. As contribuições literárias e poéticas são talvez dos aspectos mais importantes para o nosso país. Somos um país com grandes poetas – e Manuel Alegre é um deles”, frisou.

Neste dia em que a residência do primeiro ministro está aberta ao público, os palhaços do “Chapitô” e a Banda dos Bombeiros Sapadores de Lisboa são duas das principais atrações nos jardins de São Bento.
Uma das cenas que provocou risos aconteceu quando uma das palhaças da companhia do “Chapitô”, falando inglês, perguntou a Sócrates se era casado.