José Sócrates, anunciou sábado em Bruxelas que o défice público este ano ficará em 7,3% e não 8,3%

0
134
José Sócrates

José SócratesDepois de falar com o líder da oposição, Pedro Passos Coelho, o chefe de governo, José Sócrates, decidiu adiar grandes projectos de investimento público, como a terceira travessia do Tejo e o novo aeroporto de Lisboa, cedendo à pressão que se fez sentir em Portugal por parte do Presidente da República e do governador do Banco de Portugal.

* SÓ O TGV AVANÇA

 O ministro das Obras Públicas, António Mendonça afirmou sábado, na cerimónia de assinatura do contrato do tro-ço de alta velocidade Poceirão-Caia, que a terceira travessia do Tejo vai merecer uma “reponderação”.

 “Vai haver uma reapreciação de projectos que ainda não tinham sido objecto de compromisso”, afirmou o ministro das Obras Públicas.
 Deverão ser estudadas “ligações transitórias” para se cumprir a ligação entre Lisboa e o Poceirão.
 Em relação às novas estruturas aeroportuárias, o ministro referiu que “a necessidade de um novo aeroporto é vital” e que “nada estava decidido relativamente ao modelo de construção”.

 “Resolvemos protelar a decisão sobre o modelo de construção do novo aeroporto”, afirmou o ministro.
O troço Poceirão-Caia, que fará parte da futura linha de alta velocidade Lisboa-Madrid, foi adjudicado ao consórcio Elos – Ligações de Alta Velocidade, coliderado pela Brisa e pela Soares da Costa.

* Decisão do Governo vai ao encontro do que muitos economistas e políticos têm defendido – Cavaco

 O Presidente da República, Cavaco Silva, disse que a decisão do Governo de reponderar todas as grandes obras públicas não adjudicadas “vai ao encontro daquilo que muitos economistas e políticos têm defendido”.
 Questionado pelos jornalistas, durante uma visita a Óbidos, se considera que essa decisão anunciada pelo primeiro ministro, José Sócrates, foi uma boa opção, Cavaco Silva respondeu: “Bem, vai ao encontro daquilo que muitos economistas e muitos políticos têm defendido”.
 O Presidente da República ressalvou que não conhece “ainda em concreto as decisões do Governo”.

 “Encontrei-me com o senhor primeiro ministro na passada quinta feira, na reunião antes de ele partir para França e para a reunião do Conselho Europeu. Portanto, eu não tenho pormenores, mas o que todos nós sabemos é que várias entidades políticas, económicas e outras têm vindo a pedir alguma ponderação em matéria de investimentos públicos e privados nas áreas não transacionáveis”, acrescentou.
 Questionado se a nova posição do primeiro ministro em matéria de obras públicas é uma resposta àquilo que pessoalmente defendeu, o Presidente da República respondeu: “Não, eu não pretendo conseguir respostas do Governo dessa forma”.

 Cavaco Silva fez questão de “afirmar de forma clara” que no seu entender a competência “para a decisão específica compete ao Governo”.
 “O Presidente da República lança causas, defende-as, lança desígnios, aponta caminhos, e depois o Governo tem a sua competência executiva para tomar as decisões”, defendeu.

 Questionado se o caminho que o Governo está a seguir é aquele que defendia o Presidente da República, evitou responder: “Eu penso que em público não devo estar a julgar o Governo, nem tão pouco o primeiro ministro”.

 “O Governo tem a sua competência e a sua legitimidade. Eu como Presidente da República tenho as minhas compe-tências, que constam da Constituição da República, e tenho a minha legitimidade. Mas sei muito bem onde é que está a fronteira entre aquilo que eu devo dizer em público e aquilo que devo dizer em privado”, reiterou.

 Cavaco Silva falava aos jornalistas no final de uma visita a um convento em Óbidos que alberga empresas ligadas às indústrias criativas, inserida no seu Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras.

* Louçã concorda com adiamento de obras mas propõe reabilitação de casas

 O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, concorda com o adiamento de grandes obras públicas, como o novo aeroporto e a terceira travessia do Tejo, mas em contrapartida propõe a reabilitação de 200 mil casas.
 “O Bloco de Esquerda já tinha sugerido o adiamento, para 2017, da construção do novo aeroporto, dado que o da Portela” ficará “esgotado nessa altura, disse em Coimbra Francisco Louçã.

 No entanto, como “a economia portuguesa não tem nenhum grande investimento – e é isso que justifica o enorme desemprego” -, impõe-se “o esforço de um projecto de investimento na reabilitação de 200 mil casas degradadas”.
 Esse plano, já apresentado e no qual Louçã insiste, permitiria “criar emprego, estimularia a economia, desenvolveria as encomendas, permitiria reduzir o valor das rendas” e faria com que “os jovens pudessem voltar a viver nas cidades”, sustenta.

 Recordando que o projecto de alta velocidade depende de um acordo internacional, que “tem de ser cumprido”, Louçã considera “espantoso que o CDS e o PSD tenham assinado cinco linhas de TGV e agora queiram que não se cumpra um contrato internacional”.
 Mas tem de se poupar, alerta, afirmando que foi por isso mesmo que o seu partido propôs que fossem “retirados os 250 milhões de euros que vão ser usados numa linha de mercadorias que vai durar cinco anos”.

 “Temos de usar o dinheiro com muito critério”, adverte o líder do BE, defendendo a necessidade de investir no desenvolvimento da economia e na criação de emprego.
 “Os mercados não têm tido razão”, afirmou Louçã, que falava aos jornalistas, na Escola Superior Agrária de Coimbra, à margem de um debate sobre políticas para a agricultura biológica em Portugal, promovido pelo BE e com a participação de especialistas de todo o país.

 “Os mercados especulam contra Portugal e querem uma economia que corte tudo o que é possibilidade de desenvolvimento” do nosso país, acusa.
 Portugal “tem um problema de défice, é verdade, mas a Espanha tem um défice maior”; a dívida portuguesa também é um problema, “mas a da França é maior”, considera Louçã, frisando que “o que Portugal tem maior que todos é a estagnação” e a falta de emprego.
 Para resolver a situação é necessário investir e como não há investimento privado tem de existir investimento público, defende.

 Sobre a reunião de ex-titulares da pasta das finanças com o Presidente da República, Francisco Louçã diz que “há um corte de ex-ministros que governaram a economia portuguesa e conduziram a este caos” que, “agora, vão recomendar que se aumente o desemprego”.
 “Os melhores economistas” e quem “olha com preocupação para os problemas das pessoas” estão em total desacordo, “não aceitam que o desemprego entre no descalabro”, afirma o líder do BE.