José Cesário critica falta de “planos claros” para promoção de Portugal na China

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José Cesário

José CesárioO deputado social-democrata José Cesário manifestou-se preocupado com as próximas acções de promoção de Portugal na China, quer na exposição mundial de Xangai a partir de Maio, quer no ano de Portugal em 2011.

 “É um desafio enorme”, disse José Cesário, lamentando não ter conhecimento de “planos claros” para os 12 meses da promoção portuguesa em 2011.
 “Considerando que faltam já menos de 11 meses, penso que é altura de serem tomadas decisões em definitivo porque é obvio que, por um lado não seria admissível neste momento uma hipotética desistência e, por outro lado, embora seja um desafio muito difícil e até bastante ambicioso, mas já que demos este passo não podemos correr riscos de que a imagem de Portugal fique minimamente comprometida”, disse.

 José Cesário manifestou-se também preocupado com a participação portuguesa na exposição de Xangai e quer saber “como é que (essa) programação se pode inserir também numa lógica de projecção da imagem de Portugal na China, que passos se poderão seguir”.
 “Levo estas duas questões em carteira para serem suscitadas junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros e eventualmente na área do Ministério da Economia, na certeza de que me parece que não é possível fazer promoção económica sem diplomacia cultural”, assinalou.

 O deputado, eleito pelo círculo Fora da Europa, reconheceu um aumento das exportações portuguesas para a China e até destacou alguns sectores considerados no passado como “proibitivos” como o era o das confecções, mas salientou que, apesar do crescimento, Portugal está “muitíssimo aquém daquilo que a generalidade dos países, por exemplo do espaço europeu, tem conseguido”.

 “Portugal tem de ter uma estratégia de actuação, estratégia essa que tem de conciliar os instrumentos que já temos no terreno, os agentes que estão (…) em Pequim, em Xangai, aqui em Macau ou em Hong Kong e de uma forma articulada tem de passar por eles”, disse.
José Cesário defendeu também que Portugal deve apostar de forma “significativa” na captação do turismo chinês, que dentro de dez anos será um dos maiores mercados mundiais, com 100 milhões de viajantes.

 Para o deputado, a política externa nacional tem de ter “uma perspectiva claramente pluripartidária”, tem de ser “eminentemente nacional e portanto não são só os partidos que se têm de entender relativamente a ela, são os próprios agentes económicos que também têm de se entender com a política e com a diplomacia”.

 Antigo responsável pela pasta das comunidades portuguesas, José Cesário referiu que existe em Portugal “um problema” na política externa.
 O país actua “muito por capelinhas porque os diversos departamentos da nossa administração pública que têm responsabilidades neste domínio têm estado muito divorciados uns dos outros”, considerou.

 O deputado acrescentou que a China e a Ásia são elementos a juntar “rapidamente às três prioridades da política externa – Europa, países lusófonos e espaço Atlântico”.