João Jardim e Rui Rio desistem de Belém

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João Jardim e Rui Rio desistem de Belém

O ex-presidente do Governo Regional e do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, anunciou na quinta-feira que desistiu de apresentar uma candidatura às eleições presidenciais.

 "Embora, como cidadão, continue a lutar por aquilo que acho ser o melhor para o nosso País, mormente através dos meios a que tenho acesso, decidi não protagonizar quixotismos nas eleições presidenciais, apesar de na Madeira ter reunido o volume necessário de apoios para apresentar a candidatura", disse Jardim em conferência de imprensa no Funchal.

 Alberto João Jardim manifestou, no entanto, o seu apoio a Marcelo Rebelo de Sousa pela "amizade e atenções" que lhe deve apesar de reconhecer de serem "opostos na consideração do sistema politico-constitucional que vem destruindo Portugal”.

 Manifesta ainda o seu apoio à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa pela "sua coerência com valores que sempre nortearam a sua vida", "pela sua independência pessoal e científica", pelas suas "rigorosas concepções e práticas da doutrina social cristã" e "conhecido distanciamento à política austeritária da direcção do partido".

 Jardim disse que decidiu não se “prestar a novas represálias institucionais” a que tem sido sujeito por causa das suas “opções livres e legítimas na vida pública".

 Insistiu na necessidade de uma reforma do Estado que passa por uma alteração da Constituição, criticando o que classificou de "situacionismo conservador que vem definhando Portugal".

 Jardim realçou ainda que não está "alinhado com a política austeritária da direcção nacional do partido", adiantando ser "adversário declarado do controlo do País pela plutocracia financeira e pelos grandes interesses internos e externos a Portugal".

 Confrontado com a hipótese de ser Presidente da República e o que faria no actual enquadramento político, respondeu: "chamava os partidos todos e tinha uma grande conversa com eles mas tinha uma grande conversa em termos patrióticos e depois ia-se ver quais eram as linhas de fractura e ia tentar que se formasse um Governo o mais alargado possível".

 Também Rui Rio desistiu de se candidatar a Presidente da República. As razões para a sua demissão constam de um artigo que o próprio publica na edição do “Jornal de Notícias” de quinta-feira, onde critica a decisão dos líderes do PSD e do CDS de darem liberdade de voto nas presidenciais de janeiro.

 O ex-presidente da Câmara do Porto, que no último ano admitiu seriamente avançar para Belém mas esperou sempre pelo apoio do seu partido, diz que “no contexto das candidaturas já apresentadas” a sua teria as “melhores condições para garantir estabilidade e sobriedade política em Portugal”. Mas acrescenta que isso “só fazia sentido se houvesse a mesma visão dos dois lados”, ou seja, faltou-lhe o apoio dos partidos da sua área política.

 Rio acrescenta outra razão, referida, aliás, numa mensagem que enviou aos seus mais próximos apoiantes, onde diz ter concluido ser uma “utopia” alguém querer candidatar-se ao lugar cimeiro do Estado sem ser a partir de Lisboa. “Num país profundamente centralizado como Portugal, lançar uma candidatura presidencial vencedora e na-cionalmente reconhecida a partir de uma cidade que não a capital do país, é uma tarefa muito próxima do impossível”, escreve no matutino portuense.