Jardim diz que polémica da dívida da região “uniu os madeirenses contra injustiças”

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JardimO presidente do Governo Regional da Madeira afirmou ontem, domingo, que "fizeram o favor de unir os madeirenses contra as in-justiças”, quando confrontado se a polémica à volta da dívida pública da Região o iria penalizar.

 Alberto João Jardim falava após mais uma inauguração.
 Quando tocado por respingos de água benta atirada pelo padre Jony Aguiar, durante a bênção do Centro de Dia da Lombada, na Ponta do Sol, afirmou: “Bem preciso”.
 Esta infraestrutura, onde serão desenvolvidas actividades sócio-recreativas e culturais, tem capacidade para receber 30 idosos e será dirigida pela Fundação João Pereira através de um acordo de cooperação com o Centro de Segurança Social da Madeira.
 Ao dirigir-se às pessoas presentes, Alberto João Jardim destacou que, de há uns anos a esta parte, o seu Governo tem apostado na construção de centros de dia e lares de terceira idade.

 “De há anos para cá as minhas grandes preocupações sociais são os menos jovens, se calhar também porque estou ficando entradote na idade”, admitiu.
 Em seguida, o governante madeirense deixou a freguesia da Ponta do Sol, no concelho do mesmo nome, e partiu para a Serra de Água, freguesia da Ribeira Brava onde inaugurou a obra de Estabilização do Talude da Ribeira da Fajã das Éguas que, a 20 de Fevereiro de 2010, sofreu grande erosão, provocando descalçamento em duas casas e perigando o arruamento ali existente.

 “Quando se trata de obras de recuperação do 20 de Fevereiro eu não faço discursos por respeito com aquilo que se passou”, declarou, justificando-se, assim, a algumas dezenas de pessoas que ali se concentraram para assistir à inauguração.
 À margem da inauguração e falando à comunicação social, Alberto João Jardim explicou que a Lei de Meios, criada pelo Governo da República de José Sócrates para acudir à recuperação da Madeira do temporal de 20 de Fevereiro de 2010 e que provocou 43 mortos, seis desaparecidos e 1.085 milhões de euros de prejuízos, não será afectada pela assistência financeira do Estado à dívida pública da Região que, para o Governo Regional é de 5,8 mil milhões de euros, mas que, para o Governo da República, é de 6,3 mil milhões de euros.

 “O senhor empreiteiro da obra convida as pessoas a tomar um copo”, anunciou o secretário regional do Equipamento Social, Santos Costa, fazendo convergir os populares para junto das mesas que dispunham de várias iguarias e bebidas.

 O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou na sexta-feira que a Região Autónoma da Madeira tem uma dívida de 6.328 mi-lhões de euros.
 Segundo Vítor Gaspar, a dívida da Madeira vale “123 por cento do PIB da região e corresponde a 600 por cento da receita efectiva em 2010 e 927 por cento das receitas fiscais, acrescentando que “cerca de 47 por cento da dívida é responsabilidade do sector empresarial regional”.

* Madeira/Eleições: CDU apela à desobediência civil se região tiver uma ‘troika 2’

 O cabeça de lista da CDU às eleições legislativas da Madeira, Edgar Silva, anunciou sábado que a co-ligação não aceitará uma ‘troika 2’ para a região e admitiu apelar à desobediência civil se tal suceder.

 “Não aceitamos, nem aceitaremos de maneira nenhuma que o povo pague a factura, que seja imposto, como quer o PSD e o CDS na República, e que terá, certamente, a anuência do Governo Regional, uma ‘troika 2’ só para quem vive na Madeira”, afirmou Edgar Silva, em Câmara de Lobos, “um dos concelhos do arquipélago onde a pobreza se faz sentir de forma mais gritante” e onde no fim de semana a CDU fez campanha eleitoral.
 O candidato comunista explicou que “o Governo da República anunciou que, face ao buraco financeiro, impõe-se, prolongado no tempo, um pacote de sacrifícios destinado especificamente a quem vive na região”.

 “Essa dívida não é nossa e, se necessário for, faremos um apelo à desobediência civil para que a população recuse pagar esse pacote de sacrifícios adicionais”, garantiu o cabeça de lista da CDU.
 Para Edgar Silva, “o que pretendem PSD e CDS é impor novas medidas de empobrecimento”, garantindo que se vigorarem, “a CDU tudo fará para que não vão por diante”.

 Segundo o responsável, “num concelho como Câmara de Lobos mais força tem este apelo à desobediência da população”.
 As eleições legislativas regionais realizam-se no próximo domingo, 9 de Outubro.
 Nas últimas, em 2007, a CDU foi a terceira força política mais votada, depois do PSD e do PS, obtendo 5,44 por cento dos votos e dois deputados no Parlamento regional.
O PSD, com 64,24 por cento dos votos, conquistou 33 dos 47 lugares na Assembleia Legislativa da Madeira.