Jardim diz que chanceler alemã fez declarações ignorantes

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Jardim diz que chanceler alemã fez declarações ignorantes

O presidente do Governo da Madeira disse que a chanceler alemã fez “declarações ignorantes” ao considerar o arquipélago como mau exemplo da aplicação de fundos estruturais, sustentando que “adensam o mistério” sobre o combater à região.

 “A chefe do governo alemão, Angela Merkel, produziu declarações ignorantes sobre a Madeira, mas que explicam as opções erradas da actual situação económica europeia, bem como a gritante insensibilidade social que se vive na Europa”, lê-se no comunicado colocado no sítio da Internet da presidência do Governo Regional e assinado por Al-berto João Jardim.
 A chanceler alemã deu a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que na região autónoma estas verbas “serviram para construir túneis e autoestradas, mas não para aumentar a competitividade”.

 Na opinião de Merkel, os re-feridos fundos devem servir para apoiar financeiramente as pequenas e médias empresas e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, na região autónoma portuguesa.
 “Quem já esteve na Madeira, deve ter ficado convencido que os fundos estruturais europeus foram bem aplicados na construção de muitos túneis e autoestradas, mas isso não conduziu a que haja mais competitividade”, observou a chefe do governo ale-mão, numa palestra proferida perante alunos, na Bela Foundation, em Berlim.

 O mesmo comunicado da presidência do Executivo insular sustenta que “a chanceler não só desconhece o que de desumano antes era o arquipélago da Madeira, como revela a ilusão de tornar competitivo um mercado de apenas duzentas e oitenta mil pessoas ferido pela insularidade, sem infraestruturas adequadas, através de mão-de-obra barata, com micro empresas, e ao qual é negado o poder legislativo bastante para assumir livremente as suas opções”.

 “São declarações de um ultraliberalismo que o Governo Regional da Madeira não aceita nem prosseguirá e que adensam o mistério do porquê da prioridade do combate à Madeira por pessoas com certas opções conhecidas”, acrescenta o comunicado.

* Angela Merkel tem “parcialmente razão” nas críticas à Madeira – José Manuel  Rodrigues

 O deputado do CDS/M José Manuel Rodrigues deu “parcialmente razão” às críticas da chanceler alemã sobre a aplicação dos fundos estruturais europeus, defendendo que muitos dos investimentos e obras públicas que se fazem na Região são desnecessários.
 José Manuel Rodrigues afirmou que Ângela Merkel tem “parcialmente razão” em criticar a forma como a Madeira aplicou os fundos europeus, já que não os canalizou para sectores produtivos.

 “Numa primeira fase, a Madeira aproveitou muito bem os fundos europeus, sobretudo para satisfazer as condições básicas de vida da população, em termos de habitação, água, luz, saneamento básico e de rede viária”, lembrou
 “Mas, numa segunda fase, deveria ter canalizado os fundos europeus para os setores produtivos como a agricultura, as pescas, as indústrias transformadoras, o comércio e o turismo e continua a fazer investimento e obras públicas, muitas delas desnecessárias”, referiu.
 Para o deputado, é por isso que a Madeira “chegou a esta situação, em que não gera receitas ou gera um terço das receitas [necessárias] para a sua própria despesa”.

 Uma posição da chanceler que José Manuel Rodrigues não considera ser prejudicial para a imagem da Madeira, mas sim uma “mera constatação de um facto”.
 “Julgo que o que prejudicou claramente a Madeira foi a má governação do PSD nos últimos anos e sobretudo o facto de ter conduzido a Região a uma pré-falência, de ter escondido dívida e de isso ter sido noticiado a nível internacional”, defendeu.
 Por isso, agora, o que é importante é “que tanto a Região Autónoma da Madeira como o Estado português e a própria União Europeia negoceiam os apoios comunitários 2014-2020 no sentido de dar maior competitividade à Região a fim de criar mais receitas e mais emprego”, concluiu.