Jardim admite que dívida da Madeira deve rondar os cinco biliões de euros

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Jardim admite que dívida da Madeira deve rondar os cinco biliões de euros

Jardim admite que dívida da Madeira deve rondar os cinco biliões de eurosO líder do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, admitiu na sexta-feira que a dívida da Região deverá situar-se nos cinco mil milhões de euros, um montante idêntico ao passivo do Metro do Porto.

 Numa entrevista à RTP-Madeira, o cabeça de lista do PSD às eleições legislativas de 9 de outubro anunciou que o secretário regional do Plano e Finanças vai apresentar nos próximos dias “isso tudo, onde o dinheiro foi gasto”.
 Para Jardim, a dívida regional “tem que ser tratada nas mesmas condições que a dívida do País”, apontando que “é mais ou menos a do Metro do Porto, cinco mil e tal milhões” de euros.

 Anunciou que o secretário (regional das Finanças, Ventura Garcês) vai apresentar “isso tudo e onde o dinheiro foi gasto, para ficar tudo clarinho antes das eleições”, tendo noutro momento referido que seria “mesmo antes de Bruxelas, mesmo antes do primeiro-ministro, antes das eleições”.
 O governante madeirense reafirmou que a acusação de que ocultou dados sobre a situação financeira às entidades competentes “é uma mentira que foi lançada”, que tem sido aproveitada pela comunicação social, sendo que o ministro da Finanças e primeiro-ministro “acreditaram na versão do INE” [Instituto Nacional de Estatística].

 “Não houve ocultação, porque quando ficou pronto foi entregue. Não há ocultação, porque os senhores, pela boca do secretário regional do Plano e Finanças, vão saber o volume total que está a acabar de ser apurado, antes mesmo de Bruxelas ter o volume total de dívida, tudo, desde o cesto dos papéis, da Empresa de Electricidade, tudo” sublinhou.

 Jardim voltou a salientou que optou por “aumentar a dívida” para fazer obra e evitar que a economia da Região parasse, refutando as críticas de despesismo, realçando que que “o futuro da região estaria comprometido se não tivesse feito” o que fez.
 Esclareceu que no comício da Ponta do Sol, disse: “Se por acaso – saíu mal – se o Governo da República apanhava que tínhamos estado ainda a acertar com os bancos e com os credores para então apurar de facto os números que se iam dar, tinha mais um pretexto para o senhor Teixeira dos Santos fazer o que fez uma vez à Madeira,

com base de ter também um défice em qualquer coisa, tirar dinheiro”, um caso que ficou resolvido em tribunal.
 “Como já estávamos com falta de dinheiro, outra ripada do governo socialista então é que dava cabo de tudo”.
 O governante insular criticou também os critérios do INE, considerando que este caso não passa de “uma ‘revanche’”, dada forma como divulgou a situação, porque o governo da Madeira já tinha protestado formalmente, porque mudavam “consoante as vontades do Governo socialista”.
 Admitiu ainda estar disponível, num cenário hipotético de perder a maioria nas eleições, a fazer coligação com o CDS na região.

 “O CDS seria o parceiro ideal, até para ficarmos conjugados, mas está a pôr aqui uma conjuntura que não me passa pe-la cabeça”, frisou.
 Adiantou que “se fosse preciso fazer coligação, o CDS facilitava até a vida da Madeira, porque havia uma comunhão mais forte de interesses e deixava de haver estas histórias do senhor Portas lá ser aliado do PSD e aqui ser adversário do Alberto João”.

 Alberto João Jardim declarou novamente “concordar” e “compreender a estratégia” do primeiro-ministro em não vir à campanha eleitoral da Madeira.
 Instado a dizer como iria cortar na despesa da região, o líder insular negou que os madeirenses vão ter que pagar mais impostos ou taxas moderadoras na região ou que estejam perspectivados despedimentos, garantindo que “não vai tocar nos direitos adquiridos de ninguém”.
 Referiu que pretende formar um governo mais pequeno e que o seu objectivo é continuar a ter a economia em funcionamento, manter o investimento e permitir que a economia privada continue a funcionar com apoios da União Europeia.

 Destacou ainda que não pretende assinar qualquer acordo de resgate financeiro da região “sem o ler várias vezes”.

* Jardim critica Cavaco e diz que dívida é “coisinha de nada”
          
 Alberto João Jardim afirmou quinta-feira que o Presidente da República devia ter evitado que o Estado fosse instrumentalizado, para prejudicar as eleições nesta região, e a dívida regional “é uma coisinha de nada no meio de todas”.
 O cabeça de lista do PSD às eleições regionais na Madeira, num comício na freguesia dos Canhas, no concelho da Ponta de Sol, na zona oeste da ilha, criticou o aproveitamento que tem sido feito da situação financeira da região.

 “Fizeram isto numa altura das eleições para nos encravar e o Presidente da República devia ter evitado que o Estado fosse instrumentalizado, na Madeira, nas eleições da Madeira, contra o PSD. Aí, o Presidente da República devia ter intervido”, disse.
 As sociedades secretas foram o alvo das críticas de Alberto João Jardim, a quem atribuiu a razão por existir “ódio contra os madeirenses”, argumentando: “Por detrás dos partidos políticos estão sociedades secretas que têm muita gente de vários partidos. Não é só em Portugal. É por esse mundo fora, e isso explica o desatino em que neste momento está a Europa”.

 Essas sociedades, prosseguiu, “procuram ir contra os seus próprios partidos para poderem manobrá-los, o povo, a economia a seu contento e por detrás da cortina, fora da transparência democrática, poderem governar os países e Portugal”, frisou.
 “Faço um desafio aos políticos de Lisboa, sejam sinceros com o povo. Sejam honestos os que pertencem a sociedades secretas e tenham a vergonha e honestidade de dar a cara e digam que pertencem a uma sociedade secreta”, declarou.

 “Estes 30 anos foram um grande trabalho. Não temos o direito de ser humilhados e agora estar a mercê de mentiras, e a região voltar para a Madeira Velha, ao estatuto colonial que tinha antes do 25 de abril”, disse.
 O líder madeirense voltou a salientar que optou por aumentar a dívida da região para “não parar a Madeira”, que estava em dificuldades devido à política do governo do PS de José Sócrates.

 “Agora, porque precisam em Lisboa que se esqueçam o que os socialistas fizeram ao País – nunca houve um governo tão incompetente, tantas dívidas por todo o lado –, a dívida da Madeira, que é uma coisinha de nada no meio das dívidas todas, é que é utilizada não é só pelos partidos da oposição, que não nos gramam, mas pelas tais sociedades secretas, da maçonaria, e se calhar há lá boa gente do PSD”, apontou.

O presidente do PSD-M regional destacou que a vitória é importante a 9 de Outubro, argumentando que os madeirenses não se podem “deixar humilhar por Lisboa” e estarão a “dar esperança a todos os portugueses, que vão perceber que um pequeno território pode derrotar os grandes interesses de Lisboa”.

* Omissão de dívidas sem impacto na imagem externa de Portugal

 O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu na sexta-feira que a omissão de dívidas da Madeira não modificou a percepção internacional de que Portugal está determinado em cumprir o acordo de ajuda financeira.

 “Não [houve impacto negativo], até porque a determinação em explicar que o que aconteceu não pode acontecer nem pode voltar a acontecer foi absoluta”, disse Paulo Portas, num encontro com a imprensa à margem da sua participação no debate anual da Assembleia Geral da ONU.